Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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01.12.2016
Tempo de leitura: 5 minutos

Foto controversa de bebê com algema e cassetete causa polêmica nas redes sociais

Crédito: Eranicle/Shutterstock
Por Carolina Pezzoni, do Promenino, com Cidade Escola Aprendiz
“Há uma forte inadequação na situação”, comentou o especialista em educação Mário Sérgi

o Cortella, em entrevista à rede CBN de rádio, sobre a foto de um bebê publicada nas redes sociais oficiais da Polícia Militar de São Paulo, vestindo o fardamento e segurando um cassetete e uma algema, acompanhada da mensagem #podeconfiarpmesp.

 

Após a polêmica levantada pela imagem, que recebeu comentários de reprovação e de aprovação, a PM explicou, por meio de sua assessoria de imprensa, que tomou a decisão de tirá-la do ar. De acordo com a nota, “as fotos publicadas nas redes oficiais são enviadas, como em inúmeras outras situações anteriores publicadas, por internautas ou selecionadas por outras mídias sociais, de caráter público”.

Na opinião de Cortella, não seria de se estranhar se a criança estivesse vestida com o uniformes e outras representações, como de bombeiro ou médico, mas não com as armas que ela carrega, que enaltecem símbolos de repressão e não a característica original da instituição: servir e proteger. Cassetete, como lembrou o educador, é uma palavra de origem francesa, que significa quebrar a cabeça.

Segundo comentário do advogado Ariel de Castro Alves ao portal G1, a exibição da imagem viola o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente: “A criança é colocada em uma situação constrangedora, vexatória. Foi exposta com uma arma, ainda que não seja uma arma de fogo, mas usadas para reprimir, como o cassetete, e a algema para prender”. Ele pedirá ao setor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo que analise o caso.

“Não são brinquedos. Fazem parte dos instrumentos de trabalho da corporação. Houve uma utilização indevida. Foi claramente entregue por um adulto que faz parte da corporação”, completou o advogado.

Superexposição
Confira matéria sobre o episódio de assédio contra uma participante de 12 anos do reality infantil MasterChef Júnior, quando usuários do Twitter agrediram a menina verbalmente.

Se a intenção era acrescentar honra à corporação ou restabelecer a confiança da população no trabalho da PM, como ressaltou o educador  Mário Sérgio Cortella, então que a foto não fosse utilizada de forma oficial sem uma autorização adequada

não se sabe exatamente como a foto chegou até eles

nem produzida de forma exagerada. Além disso, o momento escolhido para a divulgação, no qual os movimentos de rua têm sido reprimidos violentamente, é no mínimo infeliz.

“Ficou imaginando como se compôs a cena”, reflete Cortella, a partir da expressão triste da criança na imagem. “Não posso deixar de lembrar que precisamos pensar duas vezes antes de dar alguns passos quando a situação envolve crianças”, completa, lembrando as redes sociais favorecem o exibicionismo e a espetacularização. “É preciso cautela.”

Uma questão de comunicação
Na opinião do consultor em mídias sociais Fernando Souza, estamos falando de uma corporação militar, que é naturalmente vista como rígida e inflexível. É natural, portanto, que ela procure usar o espaço das redes sociais para comunicar um elemento humano. “É um canal de um para um. Colocar a criança vestida com o uniforme é uma forma de exercer seu orgulho, entre seus próprios pares”, avaliou.

Para a psicóloga Sônia Roman, como a criança nesta idade não tem condições de discernir sobre a situação, é importante que se estabeleça um cuidado maior. “Não se sabe aonde isso vai dar, se vai prejudicar o seu desenvolvimento ou não, mas perguntar ‘Por que a imagem estava ali? Como aconteceu?’ seria importante antes de estabelecer qualquer juízo sobre a situação”, acredita.

Ela afirma, porém, que pode ser um caso de carência de informação, de repertório. “Na ânsia de se orgulhar daquilo que faz, aquele soldado pode não ter condições de avaliar que aquilo não é bom. Só não é bom aos olhos do crítico, que tem mais repertório para perceber nuances”, argumenta. “As pessoas estão carentes de saber o que deve ou não ser feito. De jogar o cigarro no chão a usar a vaga do idoso, tudo é muito grosseiro e inadequado, pois faltam às pessoas princípios de ética e valores”. Para Sônia, é importante lembrar que a falta de educação e de conhecimento é o principal indutor do erro. Portanto, “educar, educar, educar”, em sua opinião, é a única forma de melhorar a sociedade.


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