Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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12.09.2018
Tempo de leitura: 6 minutos

Guia ajuda a elaborar pensamento computacional em sala de aula

O material desenvolvido pelo Programaê! é uma co-criação que tem como objetivo encurtar as distâncias entre teoria e prática do universo dos computadores

Imagem mostra pessoas usando computador. Ao lado da imagem se lê Programaê! Eu crio meu mundo

Cultura digital é a palavra-chave do século XXI. Para sustentá-la, existe uma linguagem própria que guarda múltiplas combinações de aprendizado. Pensando em contribuir para esse processo de comunicação, o Programaê!, inciativa realizada pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com a Fundação Lemann, compilou um guia teórico e prático para  auxiliar na inclusão do pensamento computacional em sala de aula.

Desde 2014, o site programae.org.br visa disseminar questões relacionadas ao universo dos computadores, como organização de informações, abstração e solução de problemas simples e complexos, e multiplicar experiências educativas de programação entre professores e educadores, aproximando este universo de crianças e jovens de todo o Brasil. E agora, além do portal estar de cara nova (veja no quadro abaixo), todo este conteúdo está organizado no Programaê!: Um Guia para a Construção do Pensamento Computacional, disponível para download

O material é resultado do trabalho conjunto de uma rede de pesquisadores, educadores, makers e estudantes, de todas as regiões do Brasil, e norteia o desenvolvimento de habilidades para que todo o conceito aprendido seja aplicado na prática, em sala de aula, com o propósito de desenvolver ferramentas para tratar a tecnologia como uma importante facilitadora na educação, e estender o acesso a informações e oficinas que potencializam debates sobre esses temas.

“A escola precisa abraçar o aluno, ser criativa. Essa é a nossa proposta: mostrar que o pensamento computacional não está só nas disciplinas de exatas, todos podem acessar esse conteúdo aprendendo de maneira divertida”, afirma Mônica Mandaji, que faz parte do Instituto Conhecimento Para Todos, e coordenou a elaboração do guia.

Todo o material está disponível no portal do Programaê! e também em nosso acervo gratuitamente para ser utilizado por professores e alunos em todas as etapas do ciclo básico de ensino.

O portal programaê.org.br está remodelado, com caminhos mais claros de navegação e de desenvolvimento de conteúdos. A seção “professor”, por exemplo, passa a tratar de forma teórica e prática a ideia de integração da cultura digital e do pensamento computacional em consonância com as diretrizes da BNCC. Neste espaço, além de acessar o Programaê!:Um guia para a Construção do Pensamento Computacional, o professor encontra sequências didáticas voltadas aos conteúdos do currículo escolar que quebram o paradigma de que o pensamento computacional só pode ser trabalhado junto às ciências exatas. As demais seções também ganharam uma navegação mais leve e intuitiva, com entrevistas, artigos e interações. Clique e confira!

Viagem ciberespacial

Quem nunca imaginou poder explorar o espaço em busca de outros planetas? O Guia do Programaê! retoma esse antigo sonho e o relaciona com o universo inexplorado da cultura digital.  Fazendo uso dessa metáfora, a estrutura do material, divida em seis eixos, é moldada através da trajetória de um astronauta.

“Na verdade, o guia é uma viagem pelo Espaço”, conta Monica. “Cada um dos planetas representa um eixo a ser abordado. Esse é o nosso percurso para chegar ao sétimo planeta, que representa a cultura mão na massa, de pensar fora da caixinha”, explica.

Assim, os seis eixos são organizados em ordem decrescente: partindo das políticas públicas, segue direto para a questão de infraestrutura, passando pela gestão até entrar no currículo, dividindo-se, a partir de então, entre o professor e o aluno.

Todo o conteúdo foi construído de forma colaborativa, levando-se em consideração pontos de vista regionais e contando com a validação de pesquisadores.

Programaê! na prática

A missão não termina por aí. A sequência didática apresentada no final do guia está sendo articulada na prática em escolas públicas de diversos municípios.

Em Goiânia (GO), por exemplo, 147 educadores já passaram por formações presenciais específicas para melhor uso e aplicação do conteúdo do guia, e 140 outros devem participar das oficinas até o final do ano.

“Esse material não é uma obra fechada”, acrescenta a coordenadora, ao comentar sobre os planos de dobrar o número de pessoas atendidas pelas formações. “A ideia é que a partir dele novos conhecimentos se construam”.

“Por meio do ensino do pensamento computacional e da programação, o educador tem mais ferramentas para desenvolver as competências do século XXI e promover novas formas de aprendizado. Estimular o pensamento lógico, o poder de comunicação e de resolução de problemas é essencial para que os jovens de hoje sejam aptos a superar desafios, compreendendo seus próprios processos de aprendizagens e motivando-os com temas de seu interesse. Vai muito além de ensinar programação.”, destaca Americo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo.

Pensamento Computacional na BNCC

A própria BNCC (Base Nacional Curricular Comum) reconheceu a importância de trabalhar a linguagem computacional dentro do currículo regular. No entanto, segundo Camila Achutti, empreendedora e doutora em Ciência da Computação, não basta apenas abrir esse espaço.

“Para conseguirmos distribuir esse conhecimento de maneira igualitária é essencial termos iniciativas que centralizem a questão da programação, no sentido de dar insumos para que o educador crie uma dinâmica em sala de aula”, afirma.

Em sua opinião, caso esse cuidado não seja tomado na formação do educador, a distância entre as realidades de uma escola pública e uma privada, por exemplo, se tornarão ainda maiores. Segundo Camila, o desafio para o cenário educacional brasileiro não está apenas na falta de investimento, mas sim na mentalidade da sociedade.

“As pessoas ainda acham que para ensinar programação é necessário primeiro ter aparatos tecnológicos. É preciso mostrar que a programação também se trata de uma alfabetização, e a ausência de fluência pode ser muito mais prejudicial do que a de acesso”, afirma.

Para contornar esse cenário, oferecer caminhos alternativos e discussão em larga escala são parte fundamental da transformação do futuro.

Baixe agora o guia Programaê!: Um Guia para a Construção do Pensamento Computacional.


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