Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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12.01.2026
Tempo de leitura: 6 minutos

Novo indicador do MEC define aprendizagens essenciais em Matemática do 2º ao 9º ano

Nova estratégia nacional estabelece marcos importantes de aprendizagem, amplia o uso pedagógico de dados e cria condições para integrar Matemática, tecnologia e pensamento computacional na educação básica

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo inclusão digital na educação

O novo indicador nacional de aprendizagem em Matemática estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC) em dezembro de 2025, marca uma mudança estrutural no modo como o país define, acompanha e apoia o que cada estudante deve aprender ao longo do Ensino Fundamental. Inspirado no modelo inaugurado pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA), o índice estabelece que alunos só podem ser considerados proficientes se alcançarem pelo menos 750 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Esse patamar foi traduzido em expectativas pedagógicas claras, que agora balizam currículos, formação docente, metas decenais e políticas de recomposição das aprendizagens. Na prática, o novo indicador define um conjunto de marcos para o 2º, 5º e 9º anos — algo que professores pediam há anos. De acordo com o material oficial disponibilizado pelo MEC, uma criança ao fim do 2º ano, por exemplo, deve dominar adição e subtração, realizar multiplicações até 5, saber ler horas e moedas do cotidiano, reconhecer figuras geométricas simples e interpretar dados básicos em gráficos de colunas.

No 5º ano, o avanço esperado envolve resolver problemas com as quatro operações, compreender frações e unidades de medida, reconhecer ângulos e interpretar tabelas e gráficos mais complexos. Já no 9º ano, o estudante proficiente deve operar com equações, proporções, porcentagens, escalas de grandezas, estatística descritiva e relações geométricas essenciais.

Esses marcos foram formulados para reduzir a distância entre currículo e avaliação no país, e ganham respaldo normativo com a Portaria MEC nº 835/2025, que regulamenta o eixo curricular do Compromisso Nacional Toda Matemática ao estabelecer como princípios a progressão contínua das aprendizagens, o foco no raciocínio lógico, a equidade e o uso de práticas pedagógicas baseadas em evidências.

Nesse contexto, as habilidades matemáticas deixam de se limitar ao domínio de conteúdos tradicionais e passam a sustentar o desenvolvimento do pensamento computacional, da análise de dados e da resolução de problemas complexos, competências previstas na BNCC Computação e fundamentais para a formação dos estudantes em uma sociedade cada vez mais digital.

O MEC se compromete a apoiar as redes com diretrizes, materiais pedagógicos, assistência técnica e financeira, incluindo formações alinhadas às expectativas de aprendizagem.

 

Compromisso Nacional Toda Matemática

O novo indicador integra o Compromisso Nacional Toda Matemática, lançado em outubro de 2025, para enfrentar um cenário crítico: apenas 48,8% dos estudantes do 5º ano aprenderam o adequado, percentual que cai para 21% no 9º ano e 8% no fim do Ensino Médio, segundo dados do Saeb. A cartilha oficial reforça que o objetivo é assegurar a apropriação dos conhecimentos previstos na BNCC e consolidar programas de fortalecimento da Educação Matemática em estados e municípios.

A política se estrutura em cinco eixos: governança, formação docente, orientação curricular, avaliação e compartilhamento de boas práticas — todos sustentados pela colaboração federativa. Para identificar as principais demandas e carências das redes de ensino, a pesquisa Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática, realizada pelo MEC no início de 2025, ouviu mais de 57 mil professores do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em 4.118 municípios e 24.165 escolas.

Os dados coletados mostram urgência. Um terço dos professores dos anos iniciais não se sente preparado para avaliar matemática; apenas 35% receberam formação aprofundada em recomposição; e 80% desejam formações com oficinas práticas. Como resposta, o MEC propõe cursos continuados, cadernos de inovação curricular e a criação de uma olimpíada de práticas pedagógicas para docentes. Esses instrumentos buscam sustentar a reorganização das aprendizagens dos anos finais, como orienta o próprio Compromisso, e tornar as expectativas do novo indicador parte efetiva do cotidiano escolar.

Ao definir com precisão o que significa ser proficiente, o indicador também orienta metas de longo prazo para o país, estados e municípios. Com acompanhamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as redes deverão integrar seus sistemas avaliativos ao Saeb, permitindo diagnósticos mais fiéis das aprendizagens e das desigualdades – aspecto central em um país que ainda não recuperou integralmente os níveis pré-pandemia e onde, segundo estudo do Todos Pela Educação, em 2025, as disparidades étnico-raciais cresceram na última década, especialmente no 9º ano.

A expectativa é que os padrões de desempenho sirvam como guia para revisão de currículos, definição de prioridades e planejamento pedagógico. Para as redes, isso significa organizar formações coerentes com os marcos de aprendizagem, garantindo intervenções focadas.

Para o professor, o impacto é direto: mais clareza sobre o que ensinar e instrumentos para acompanhar o desenvolvimento de cada turma com precisão. Para o estudante, se reflete no direito de aprender matemáticas que fazem sentido e preparam para o futuro.

Como resume Kátia Schweickardt, Secretária Nacional de Educação Básica do MEC: “É crucial que todos os estudantes brasileiros tenham assegurado seu direito a uma aprendizagem adequada em matemática, com atenção especial às crianças e à educação infantil”. A visão de longo prazo é transformar a disciplina em ferramenta de equidade — e não de exclusão —, fortalecendo a autonomia dos alunos e o desenvolvimento democrático e sustentável do país.

Principais pontos do novo indicador nacional de aprendizagem em Matemática

Objetivo central: Fortalecer o currículo da educação básica e assegurar que todos os estudantes aprendam o essencial em Matemática, enfrentando de forma estruturada as lacunas de aprendizagem e as desigualdades educacionais.
 
Diretrizes que orientam a política
Progressão contínua das aprendizagens: garantia de trajetórias sem rupturas, com avanços consistentes ao longo da escolaridade.
Raciocínio lógico e resolução de problemas: foco em situações reais, interpretação de dados e desenvolvimento do pensamento matemático.
Equidade: prioridade para estudantes e redes que enfrentam maiores desafios educacionais.
Práticas baseadas em evidências: decisões pedagógicas orientadas por dados, avaliações e estudos educacionais.
 
Papel do MEC
Definir diretrizes nacionais e produzir materiais pedagógicos alinhados às expectativas de aprendizagem.
Oferecer assistência técnica e apoio financeiro às redes de ensino.
Articular políticas de formação continuada de professores em coerência com o currículo e a avaliação.
 
Responsabilidades das redes de ensino
Incorporar as orientações do indicador ao planejamento pedagógico e curricular das escolas.
Integrar formação docente, avaliação e acompanhamento das aprendizagens de forma articulada.
Monitorar de perto o desenvolvimento dos estudantes, utilizando dados para orientar intervenções pedagógicas.


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