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27.04.2022
Tempo de leitura: 5 minutos

Professor cria uma holografia para incentivar alunos em sala de aula durante o Ensino Remoto

O professor Alberto Santos, do interior paulista, uniu arte e tecnologia para criar uma holografia e dar voz às histórias dos alunos com o uso da tecnologia. Saiba mais!

Imagem mostra a holografia de um aluno sendo projetada em sala de aula. A holografia foi criada pelo professor Alberto Santos. Uma aluna está sentada assistindo à exibição da holografia.

Longe das salas de aula, mas sem medir esforços para manter a proximidade com os alunos, o professor Alberto Santos, que leciona Artes na Escola Municipal Professor Gilberto Bonafé, em Piraju (SP), abusou da criatividade ao unir arte e tecnologia para incentivar o ensino durante a pandemia. Assim, ele criou um projeto em que utilizou uma holografia em sala de aula.

“Com o distanciamento social, a educação foi uma das áreas mais afetadas e precisou se adaptar rapidamente para atender milhares de estudantes. A grande questão era: como poderíamos minimizar o distanciamento utilizando as tecnologias digitais? Após refletir sobre isso, pensei na hipótese: E se as aulas fossem ministradas por um professor holográfico? Como seria?”, conta Alberto.

O professor utilizou seus conhecimentos de arte e tecnologia para produzir hologramas tridimensionais. Desse modo, criou projeções para que os alunos pudessem compartilhar suas histórias e experiências vividas.

 

Como funciona a holografia em sala de aula desenvolvida pelo professor? 

A concepção do projeto partiu de uma ideia anterior do educador, derivada de um estudo em que os alunos propuseram formas de comunicação a distância. Ideias que contemplaram desde cartas escritas à mão até os modernos hologramas.

Assim sendo, ele utilizou materiais de descarte para criar cerca de 200 minidisplays que foram enviados aos alunos do Ensino Remoto. Já para os alunos do Ensino Presencial, a projeção em tamanho real foi feita em sala de aula, em  uma superfície plana de acrílico envernizado.

De acordo com o professor Alberto, o efeito holográfico acontece através de uma pirâmide invertida com quatro faces de acetato transparente. Essa pirâmide fica posicionada sobre a tela de um smartphone. Por ele, são reproduzidos os vídeos das aulas com imagens repetidas quatro vezes em relação ao eixo central.

“O objetivo foi trabalhar as habilidades socioemocionais dos alunos de forma lúdica, leve e divertida. O intuito era ouvir suas histórias promovendo a troca de experiências durante o período de isolamento como forma de expressão de sentimentos”, explica o professor.

A importância do trabalho em equipe 

Segundo o educador, o uso de metodologias não convencionais de ensino e aprendizagem focadas em tecnologias proporcionou uma ação modificadora sobre o que é educação na atualidade.

“De fato, não há como compreender o mundo contemporâneo sem estar atento aos sinais que ele nos oferece. Nesse sentido, o projeto motivou tanto os alunos quanto a mim. Pois a partir do seu início, o espaço escolar passou a ser virtual e dentro da casa de cada aluno. Desse modo, suas casas se tornaram um espaço de descobertas”, comenta.

A ideia de criar a holografia em sala de aula surgiu a partir de debates com os alunos. Mas os estudantes também contribuíram com o projeto compartilhando com o professor suas histórias, experiências e proposições em vídeo.

Além disso, Alberto credita o sucesso da iniciativa à existência de uma equipe de gestão escolar ativa e participativa, que ajuda e incentiva a criação de projetos pedagógicos como esse.

Aliando arte e tecnologia em sala de aula

Apesar das precariedades do ensino público, o professor acredita que a introdução das tecnologias em sala de aula não é impossível. Para ele, materiais simples podem ser usados na implementação de um projeto junto aos alunos.

“Lecionar é um processo de criação. Dessa maneira, é preciso ser um professor pesquisador, experimentador, com olhar atento ao micro, nas pequenas coisas que nos cercam. Só assim vamos caminhar transformando o outro e nos transformando. Porque ensinar não é ‘dar’ ou ‘passar’ conhecimentos, mas construir conhecimentos ‘com’ o outro”, declara.

Da mesma forma, o professor afirma que os celulares não são vilões da educação. Ou seja, os aparelhos e suas tecnologias podem atuar como ferramentas de introdução de novas tecnologias em sala de aula.

“É preciso pensar fora do convencional e olhar para o celular como um aliado. Um exemplo é a utilização de aparelhos celulares para ensinar a linguagem fotográfica. É possível criar aulas com introdução à fotografia”, detalha.

Em outras palavras, é fundamental compreender a importância da introdução da tecnologia no ensino para uma educação plena. Isto é, uma educação na qual o aluno conquiste as competências necessárias para se tornar protagonista do seu aprendizado.

“Como transformar o que já existe na internet (entretenimento) em ferramentas para ensinar? De fato, em nosso projeto, a Arte aliada às tecnologias ajudou a canalizar os sentimentos dos alunos sobre a pandemia e como isso impactou a sociedade, as famílias, amigos e seu ser, convidando-os a fazerem uma viagem para dentro de si”, complementa.

Reconhecimento nacional 

O projeto de holografia em sala de aula não é a primeira iniciativa de sucesso do professor de Artes. Em 2020, Alberto foi premiado como Professor Transformador em um reconhecimento do Instituto Significare, em parceria com a Base2edu e a Bett Brasil.

Seu projeto “Códigos da Cidade” foi o vencedor na categoria  “Fundamental I”. Nele, foram apresentadas soluções para o município a partir de temas como consumo, produção de resíduos e sustentabilidade.

O prêmio tem como objetivo evidenciar e valorizar práticas educativas transformadoras em consonância com a Base Nacional Comum Curricular.


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