Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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31.05.2022
Tempo de leitura: 5 minutos

Inteligência artificial e educação: UNESCO acredita que tecnologia pode ampliar a inclusão de grupos vulneráveis

UNESCO lança guia de recomendações sobre inteligência artificial na educação. O documento apresenta o atual cenário da IA e destaca princípios que promovem impactos positivos

Imagem mostra um grupo ilustração ou fotografia que remeta à ideia de aprendizado de máquina

A IA (inteligência artificial) é capaz tornar a educação no futuro mais bem gerenciada, inclusiva e personalizada. Ela também deve oferecer mais oportunidades de aprendizagem ao longo de toda a vida. Em suma, essas são algumas das conclusões presentes no guia sobre o tema (Inteligência artificial e educação: guia para gestores de políticas públicas, em livre tradução), elaborado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com recomendações para o uso de IA na educação.

 

A inteligência artificial e o empoderamento dos grupos mais vulneráveis

Para dar conta dessas tarefas, a UNESCO defende que é preciso ter como um princípio fundamental o acesso equitativo e inclusivo à inteligência artificial e seu uso como bem público. Dessa forma, o documento, cuja versão em português ainda não foi lançada, afirma que o foco da IA deve ser o empoderamento de meninas, mulheres e grupos econômicos mais vulneráveis. Além disso, aponta a necessidade de uma sólida supervisão ética nos processos que envolvem o uso de inteligência artificial. Tudo isso, com um profundo envolvimento de professores, gestores e pesquisadores da educação, mas também de outras áreas da sociedade.

 

Os dados coletados pela IA são reflexo da sociedade que vivemos

Outro princípio recomendado pela UNESCO é o tratamento ético dos dados. Pois o conjunto de dados que alimenta os sistemas de inteligência artificial são impregnados de machismo, racismo e homofobia. Por isso, além da proteção do direito à privacidade da informação, o documento também chama a atenção para a necessidade de enfrentar os preconceitos presentes nos dados e criar algoritmos livres de preconceitos.

Como funciona a inteligência artificial

Com a aceleração da digitalização da vida, sobretudo nos últimos 20 anos, muitos dados são produzidos sobre praticamente tudo, e isso inclui dados pessoais.

A inteligência artificial utiliza esse volume imenso de dados para aprender sobre tudo o que eles trazem: nomes das pessoas, o que fazem, do que gostam, como se movem pela cidade, como são fisicamente etc. Assim, ao processar tudo isso, os sistemas de computação criam informações novas e aprendem com elas também. Isso gera mais dados em um processo quase infinito.

Empresas apostam no crescimento da inteligência artificial na educação

Empresas interessadas nesse mercado, no entanto, não vão esperar que uma política pública para IA e educação esteja desenhada, segundo o documento. A prova disso é que uma série de produtos educacionais baseados em inteligência artificial já estão disponíveis, além de muitos outros que estão em desenvolvimento. Segundo a UNESCO, este mercado espera uma movimentação anual de 6 bilhões de dólares em 2024.

 

Exemplos de aplicações de Inteligência artificial na educação

Sistemas de tutoria inteligente:

Oferecem tutoriais automatizados e individualizados para cada aluno. Para isso, utilizam tópicos em disciplinas estruturadas, como matemática, física ou química. Este sistema é alimentado com o conhecimento que especialistas deixaram em plataformas digitais ou documentos (milhares de provas do Enem, por exemplo). Partindo desses dados, é programado um caminho ideal com atividades de aprendizagem, bem como respostas aos erros e sucessos de cada aluno.

 

Sistemas de aprendizagem baseados em colaboração e diálogo:

A IA pode transformar o aprendizado colaborativo de várias maneiras. Pois uma ferramenta pode conseguir identificar os alunos mais interessados para certas tarefas colaborativas e agrupá-los. Depois, por meio de um agente virtual, pode contribuir ativamente para as discussões em grupo.

 

Aplicativos de avaliação automática da escrita:

Estes aplicativos ajudam os estudantes a melhorarem a habilidade de escrever. Para isso, a inteligência artificial identifica a qualidade da ortografia e da semântica de um texto. Posteriormente, sugere soluções de correção e aprimoramento da escrita.

 

Aplicativos de aprendizagem de idiomas:

Uma ferramenta importante nestes aplicativos é o reconhecimento da fala. Com isso, é possível comparar a produção de alunos com amostras gravadas de falantes nativos. Assim, a ferramenta colabora para que o aluno melhore sua pronúncia.

 

Realidade virtual e aumentada para o ensino de biologia, astronomia e geologia:

A articulação entre inteligência artificial, realidade virtual e realidade aumentada pode criar ambientes de imersão guiada dos estudantes ao interior de células, de camadas do solo ou na exploração de planetas.

 

Oportunidades e perigos do uso da inteligência artificial

Apesar das possibilidades que a IA pode trazer para o desenvolvimento de práticas de ensino e aprendizagem inovadoras, o guia da UNESCO também alerta para perigos do uso indiscriminado dessas tecnologias.. Os sistemas de IA conseguem reconhecer falas e imagens (inclusive rostos humanos), entender como as pessoas se movem em uma cidade, prever como está o abastecimento de água etc. Com estas informações, é possível organizar melhor o trânsito, mas também desestabilizar sociedades e produzir guerras e caos.

Imagem mostra infográfico de guia da UNESCO sobre inteligência artificial.


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