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01.10.2015
Tempo de leitura: 4 minutos

O Movimento Maker e a Educação > como Fab Labs e Makerspaces podem contribuir com o aprender

// Heloisa Neves

Fab Labs, Makerspaces… Esses diferentes espaços e suas estratégias para crianças e adultos estão sendo bastante discutidos no ambiente educacional. Mas, de onde vieram e qual a sua conexão com o aprender?

Esses ambientes vem do Movimento Maker ou “Faça Você Mesmo” e estão espalhados por universidades, indústrias e escolas do mundo, além de diversas garagens de hobbystas. São espaços de experimentação que permitem a alguém fabricar objetos e protótipos de forma rápida, barata e experimental, apoiada por metodologias que vão ao encontro do fazer primeiro (ainda que intuitivamente) e refletir/teorizar depois.

Na tentativa de descrever um lugar assim, imagine um “Starbucks” e seus sofás de descanso e mesas coletivas. Adicione máquinas do tipo impressoras 3ds, cortadoras a laser, fresadoras e muito material de eletrônica. E, dentro deste espaço, pessoas que gostam de fazer coisas, descobrir por elas mesmas e, consequentemente, aprender de uma maneira mais criativa e autônoma. Isso é um espaço maker e o que estão produzindo dentro dele é guiado pelo que chamamos de “Atitude Maker”.

A  Atitude Maker segue a própria filosofia do “Faça Você Mesmo” e tem como essência a criatividade, curiosidade e a inovação. E é aí que o Movimento Maker tem tanta importância para a educação. O “aprender” nunca deveria ter se dissociado do prazer e do brincar. Isso acontece quando a educação passa a dar mais ênfase ao aluno passivo que recebe as informações necessárias do professor de uma maneira séria e rigorosa, muito diferente do que é natural à criança, que é o aprender pela curiosidade e pela diversão. Dentro de um Espaço Maker acredita-se que se você pode imaginar, é capaz de produzir alguma coisa para interagir com o mundo ao seu redor e, consequentemente, aprender.

Fab Lab Sevilla durante uma de suas sessões Fab Lab Kids / Foto: Camila Maggi / 2012

Mas, o que a criança aprende exatamente: Português, História, Matemática? Difícil dizer, pois no Movimento Maker não se trabalha colocando as áreas de conhecimento dentro de caixas, ele é mais interdisciplinar, envolvendo várias áreas ao mesmo tempo e adicionando outras como criatividade, empreendedorismo e inovação. Habilidades fundamentais para a realidade do século XXI.

Se você leu este texto até aqui e gostou, deve estar se perguntando: como trazer este movimento para dentro de sua escola ou instituição educacional? Aqui vão algumas dicas de Dale Dougherty, editor da revista Make Magazine e popularizador do termo Makerspace:

  • Crie um projeto que motive os estudantes a acreditar que eles podem fazer qualquer coisa;
  • Projete um Espaço Maker (que pode começar com ferramentas de eletrônica e kits educacionais muito simples e que com o tempo pode ir adquirindo máquinas);
  • Crie plataformas sociais (online e/ou offline) para colaboração entre alunos, professores e a comunidade;
  • Crie um espaço comunitário para a exposição dos trabalhos “mão na massa” realizados, incentivando mais alunos e professores a participar;
  • Desenvolva contextos educacionais que relacionem a prática do fazer a conceitos formais e teorias para apoiar a descoberta e a exploração, para introduzir novas ferramentas e, ao mesmo tempo, novos olhares para o processos do aprender;
  • Desenvolva em todos os participantes desse processo, de modo integral, a capacidade, criatividade e confiança para se tornarem agentes de mudança em suas vidas e em suas comunidades.

Fab Lab Sevilla durante uma de suas sessões Fab Lab Kids / Foto: Camila Maggi / 2012

Gosto muito de uma frase dos autores Margaret Honey and David Kanter do livro “Design, Make, Play: Growing the Next Generation of STEM Innovators”, a qual reproduzo a seguir:

Criar um ambiente para que a Atitude Maker surja não depende de um projeto caro ou de uma estrutura perfeita, depende somente de pessoas que assumam esta posição e comecem a espalhar a ideia. A partir daí os projetos e espaços vão acontecendo como consequência. Não existe um curso ou certificado de “maker”, ele é algo que conquistamos através da tentativa e erro e de uma atitude que está baseada na vontade de aprender, de construir coisas relevantes para nossas vidas e de nossas comunidades. Imagina que lindo se a escola for a propulsora desta nova atitude!


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