Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

02.12.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Repensando os processos de ensino-aprendizagem

Como a inovação educativa pode contribuir para melhorar o desempenho dos alunos no ensino brasileiro.

Imagem mostra menina de camiseta listrada branco e verde em uma sala de aula, escrevendo em um caderno.

Como a inovação educativa pode contribuir para melhorar o desempenho dos alunos no ensino brasileiro.
Mensurar a qualidade educacional de um país extenso como o Brasil é uma tarefa complexa.  A educação faz parte de um sistema composto por vários aspectos que influenciam nesta avaliação: desde o desempenho dos alunos nas atividades propostas pela escola, notas dos exames e índices de aprovação, até questões mais complexas como o contexto socioeconômico dos estudantes, a realidade do município, o nível de formação dos educadores, entre outros fatores.
Além disso, as atuais ferramentas de avaliação apresentam algumas fragilidades por não conseguirem mensurar alguns fatores muito relevantes na Educação, como as habilidades socioemocionais dos estudantes ou a capacidade inclusiva da escola. Por excluir estes aspectos, considera-se que as avaliações se tornam inoperantes no processo de aperfeiçoamento do sistema educativo.
No Brasil, uma das ferramentas utilizadas para medir a qualidade de ensino é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- Ideb, que teve seu último relatório divulgado em setembro deste ano. O estudo, realizado a cada dois anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), avalia alunos do ensino fundamental e do ensino médio de escolas públicas e privadas, por meio de um cálculo feito a partir do cruzamento da taxa média de aprovação com o desempenho escolar dos estudantes.
A cada nova edição, o Ideb revela uma fotografia da educação no país, registrando os avanços, estagnações e retrocessos dos estados e municípios. A meta estabelecida pelo Inep é que o Brasil atinja, até o ano de 2022, a pontuação 6,0 como média nacional nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Nos resultados deste ano, destaca-se o desempenho do Ensino Fundamental, que vem evoluindo progressivamente desde 2005 e alcançou a nota 5,5. Os anos finais do desta etapa escolar, correspondentes do 6° ao 9° ano, também melhoraram no índice, passando de 4,2, em 2013; para 4,5, em 2015. Já o Ensino Médio não apresentou nenhuma evolução na média desde 2011, continuando com a nota de 3,7. Apenas dois estados alcançaram a meta: Pernambuco e Amazonas.
O estado do Pernambuco, um dos únicos que se manteve acima da média em todos os anos de avaliação, atribuiu os bons resultados à massificação de iniciativas até então em caráter experimental, além de uma linha pedagógica diferenciada, sintonizada com a escola do século XXI, que apoia o desenvolvimento de projetos em diversas áreas do conhecimento e a inclusão de tecnologia no currículo escolar, por meio de disciplinas como robótica.
“As escolas que se envolvem em projetos, pesquisas e interações que saiam dos espaços formais tendem a ter melhores resultados porque motivam mais os alunos”, analisa José Manuel Moran, cofundador do Projeto Escola do Futuro e pesquisador e consultor de formação de cursos à distância e semipresenciais.
Mesmo que o bom desempenho esteja relacionado a conceitos inovadores, o professor ressalta que as ferramentas tecnológicas não devem ser avaliadas como um fator isolado de sucesso. “As escolas mais interessantes são feitas por educadores que conversam entre si, planejam juntos, propõem atividades diferentes e acompanham os alunos. A tecnologia é uma facilitadora e potencializa o desempenho escolar, mas o grande diferencial está nas pessoas”.
Segundo Moran, a falta de estrutura ou acesso à tecnologia, não deve impedir as escolas de terem uma visão aberta e de experimentação, criando algo que saia da rotina e dialogue com as possibilidades que existem no entorno, seja no universo online ou off-line.
“O mundo não acaba na sala de aula. Sempre é possível fazer algo diferente e conectar-se com os alunos de diversas maneiras. A palavra-chave é encantamento. Fazer o jovem perceber que aquilo que ele está estudando é importante e tem a ver com o cotidiano dele, torna o processo de aprendizagem prazeroso.”
Avaliações como o Ideb, que trazem informações relevantes sobre escolas e redes de ensino, podem ser úteis para promover a análise de cenários e reflexões sobre o desempenho educacional do país. No entanto, o processo de melhoria no desempenho dos alunos deve ser contínuo e considerar todos os aspectos da inovação, indispensável para uma educação de qualidade.


Outras Notícias

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

06/03/2026

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

No Dia Internacional da Mulher, conheça a trajetória da educadora que transformou práticas pedagógicas com criatividade, inovação e compromisso com a educação pública.

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

26/02/2026

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

Desenvolvimento de soft skills e mais oportunidades no mercado de trabalho são alguns benefícios que a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) proporciona aos jovens

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

20/02/2026

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

Letramento digital, pensamento crítico e ensino de IA no currículo ajudam estudantes a reconhecerem quando há compreensão real ou apenas imitação convincente, e a avaliarem informações com mais segurança

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

12/02/2026

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

Entenda os conceitos essenciais para integrar tecnologias digitais e inteligência artificial às práticas pedagógicas de forma crítica e responsável

5 plataformas digitais gratuitas para fortalecer o ensino da matemática

09/02/2026

5 plataformas digitais gratuitas para fortalecer o ensino da matemática

Ferramentas pedagógicas combinam neurociência, gamificação e inteligência de dados para apoiar o letramento matemático e a recomposição de aprendizagens nas redes públicas

Cidadania Digital ganha protagonismo nas escolas públicas de Pernambuco

05/02/2026

Cidadania Digital ganha protagonismo nas escolas públicas de Pernambuco

Fundação Telefônica Vivo apoiou a elaboração do Currículo Complementar de Educação Digital e Midiática do estado, contribuindo tecnicamente para integrar a Computação de forma transversal em todas as etapas de ensino