Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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07.09.2022
Tempo de leitura: 4 minutos

Saiba a diferença entre linguagem e lógica de programação e como elas já estão presentes na vida do professor

Lógica de programação está na base do letramento digital, mas pode ser utilizada para entender vários momentos do dia a dia da vida de professores e estudantes.

Imagem mostra estudante desenvolvendo códigos em uma tela de computador

Linguagem e lógica de programação são dois conceitos que faziam parte apenas do mundo das empresas de tecnologia, mas agora estão presentes no dia a dia de quase todas as pessoas. No mundo da educação, sobretudo após a pandemia de Covid-19, o debate sobre como professores e estudantes podem aprender estes conceitos ficou ainda mais intenso. Mas qual é o caminho para levar esse aprendizado para a sala de aula?

Linguagem e lógica de programação não são a mesma coisa

Primeiro é importante entender a diferença entre os dois conceitos. A linguagem de programação é a linguagem escrita e formal que especifica um conjunto de instruções e regras usados para gerar programas (softwares). Existem várias linguagens, e elas servem para muitos propósitos, desde criar um aplicativo de celular até controlar um carro ou uma torradeira.

A linguagem de programação, porém, tem um prazo de validade. Nos anos 1990, uma das linguagens mais utilizadas era a COBOL (Linguagem Comum Orientada para os Negócios, na tradução em português). Hoje, as mais populares são PHP (Pessoal Home Page), Java e Python. Amanhã, podem nascer e se consolidar outras.

Por outro lado, a lógica de programação é uma maneira de pensar. É um modo de organizar as ideias com o objetivo de criar uma sequência de instruções que levem à realização de uma tarefa, ao comprimento de um objetivo. Portanto, ela não tem prazo de validade e pode ser utilizada em muitos campos da vida prática, mesmo aqueles que não são relacionados com tecnologias digitais. Usamos, por exemplo, lógica de programação ao atravessar a rua, seguindo algumas etapas e validações: olhar para o lado direito da rua, se não vier carro, olhar para o lado esquerdo da rua, se também não vier carro, atravessar.

Professores usam lógica de programação o tempo todo

Marcos Abreu Nery, vice-coordenador do Grupo Educateliê da Universidade de Alfenas (UFAL), que oferece formação de professores a redes municipais de educação do estado de Minas Gerais, explica que o educador muitas vezes usa elementos de lógica de programação e nem se dá conta disso. “Quando um professor planeja uma aula, por exemplo, ele está programando uma tarefa. Ele está dizendo que vai começar por um determinado assunto e estabelece um caminho que será percorrido até o final do ano letivo. Ele também define um objetivo para esse trajeto, estabelece as condições para passar de um tema para outro e um modelo de validação destas condições. Todos esses passos estão presentes na lógica de programação”, exemplifica.

 

A lógica de programação está na base da fluência digital

Marcos, que é autor da pesquisa “O uso das tecnologias digitais da internet na educação superior”, ressalta que a lógica de programação antecede e prescinde as tecnologias digitais e pode ser uma poderosa ferramenta na elaboração de práticas pedagógicas, sobretudo em metodologias baseadas em projetos. Ele, no entanto, acredita que ela, assim como as linguagens de programação, não deve fazer parte do currículo escolar, mas ser transversal a ele.

Para Marcos, é fundamental que o professor desenvolva competências digitais e adquira fluência digital, definida como a capacidade de mover-se com facilidade pela diversidade de ambientes virtuais presentes em nosso cotidiano: aplicativos de negócios e mobilidade, mídias sociais, plataformas educacionais, ferramentas de videoconferência etc. “Essas competências e habilidades não são passíveis de se trabalhar adequadamente dentro de uma disciplina, precisam atravessar todas as disciplinas e a lógica de programação está na base desse processo”, explica.

Estudo mostra a importância de aprender a programar

A 42 São Paulo, instituto que tem como objetivo ensinar pessoas a programar a partir do zero, lançou o estudo Human Coders: Reprogramando o Futuro. O trabalho dividido em três cadernos (trendbooks) reúne relatórios, pesquisas e análises de especialistas sobre o impacto da programação em três áreas: educação, empregabilidade e mercado de trabalho. A 42 acredita que o letramento digital e a capacidade de programar será fundamental para a formação dos cidadãos do furo. Entenda mais sobre esse projeto clicando aqui.


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