Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notas Técnicas

06.08.2026
Tempo de leitura: 10 minutos

SAEB 2025 registra evolução da aprendizagem na educação básica

Resultados mostram crescimento das proficiências em Língua Portuguesa e Matemática em todas as etapas avaliadas; a análise da Fundação Telefônica Vivo destaca a importância da formação docente e do uso pedagógico das tecnologias para ampliar e consolidar esse avanço

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo saeb 2025

Nesta quarta-feira (05/08), o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025. Nesta nota técnica, a Fundação Telefônica Vivo analisa os principais resultados da avaliação, que envolveu 5,9 milhões de estudantes distribuídos em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o país.

 

Considerações metodológicas

O Saeb, que ocorre a cada dois anos, tem como principal objetivo avaliar a qualidade da Educação Básica. Assim, fornece subsídios para a formulação, monitoramento e aprimoramento de políticas públicas educacionais.

Por meio de testes e questionários aplicados, o Saeb reflete os níveis de aprendizagem demonstrados pelo conjunto de estudantes do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio. Esses níveis estão descritos e organizados, de modo crescente, em escalas de proficiência (de 0 a 500) para Língua Portuguesa e Matemática.

É importante observar que as definições de aprendizagem adequada variam de acordo com a etapa escolar e a área do conhecimento, conforme ilustrado na figura abaixo.

Neste primeiro momento, o Inep divulgou apenas as proficiências médias dos estudantes avaliados. Por essa razão, a presente análise se limita às médias de proficiência publicadas.

Embora esse indicador seja útil para acompanhar tendências gerais de desempenho, ele não permite identificar como os alunos estão distribuídos ao longo da escala de aprendizagem: redes de ensino com a mesma proficiência média podem apresentar realidades bastante distintas, com proporções diferentes de estudantes nos níveis Abaixo do Básico, Básico e Adequado.

Outro aspecto metodológico importante é que as proficiências médias não devem ser comparadas diretamente entre as diferentes etapas de ensino avaliadas pelo Saeb. Embora os resultados sejam apresentados em uma mesma escala de proficiência, as matrizes de referência e os conjuntos de habilidades avaliadas são específicos para cada etapa escolar. Um estudante do 3º ano do Ensino Médio, por exemplo, é avaliado em competências mais complexas do que um estudante do 5º ano do Ensino Fundamental, e, por isso, valores mais elevados de proficiência refletem expectativas de aprendizagem distintas. Dessa forma, as comparações mais adequadas são aquelas realizadas dentro da mesma etapa de ensino ao longo do tempo, e não entre etapas diferentes.

Adicionalmente, é importante considerar que as matrizes de referência do Saeb não foram atualizadas para refletir plenamente as competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Nesse contexto, o aperfeiçoamento dos instrumentos de avaliação e seu alinhamento às expectativas de aprendizagem definidas pela BNCC constituem elementos importantes para o monitoramento da qualidade da educação e para a formulação de políticas educacionais cada vez mais aderentes aos desafios contemporâneos.

Proficiência média avança em todas as etapas escolares Em relação à edição anterior do Saeb (2023), houve crescimento das proficiências médias em Língua Portuguesa e Matemática em todas as etapas escolares avaliadas. Destaca-se ainda que os resultados atingiram, em muitos casos, os níveis observados antes da pandemia de Covid-19 e, em alguns deles, chegaram a superá-los. Esses dados sugerem a continuidade do processo de recuperação das aprendizagens após o período de fortes impactos provocado pelo fechamento das escolas e pela adoção de estratégias emergenciais

Os avanços registrados devem ser celebrados sobretudo por indicarem a continuidade da recuperação das aprendizagens após a pandemia. No entanto, eles também evidenciam a magnitude dos desafios ainda existentes. Para o caso específico de Matemática, enquanto a proficiência média dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental alcançou 227 pontos, valor ligeiramente superior ao patamar considerado adequado (225 pontos), as médias observadas no 9º ano (256 pontos) e no Ensino Médio (269 pontos) permanecem significativamente abaixo dos níveis de referência para aprendizagem adequada nessas etapas, fixados em 300 e 350 pontos, respectivamente.

É importante reforçar, assim como comentado anteriormente na seção de esclarecimentos metodológicos desta nota, que a comparação entre proficiências médias deve ser realizada com cautela. Esta constitui um indicador sintético do desempenho de uma rede, mas não permite identificar como os estudantes estão distribuídos ao longo da escala de aprendizagem. Duas redes podem apresentar a mesma média e, ainda assim, possuir proporções muito diferentes de alunos com aprendizagem adequada.

Por essa razão, embora os resultados divulgados até o momento constituam um sinal positivo e apontem para uma trajetória de melhoria, uma avaliação mais abrangente dependerá da análise da distribuição dos estudantes na escala Saeb, permitindo estimar quantos efetivamente atingem os níveis de aprendizagem esperados para cada etapa de ensino e quantos seguem abaixo deles.

A análise dessa distribuição torna-se ainda mais relevante no contexto pós-pandemia. Diversos estudos e avaliações educacionais têm apontado que os impactos da interrupção das atividades presenciais de ensino foram bastante desiguais entre os estudantes, ampliando a heterogeneidade das aprendizagens dentro das redes e das próprias salas de aula. Na prática, é cada vez mais comum encontrar estudantes da mesma turma com níveis de conhecimento e necessidades de aprendizagem muito distintos.

Nesse cenário, a recomposição das aprendizagens permanece como um desafio central para as políticas educacionais. Não se trata apenas de elevar as médias gerais de desempenho, mas de garantir que os estudantes com maiores defasagens consigam desenvolver habilidades fundamentais, reduzindo desigualdades que se aprofundaram nos últimos anos.

 

O papel da tecnologia na consolidação dos avanços da aprendizagem

A tecnologia pode contribuir de forma significativa para que os avanços de aprendizagens sigam avançando. Essa agenda se torna ainda mais relevante diante da crescente presença das tecnologias digitais nas escolas brasileiras e das próprias diretrizes curriculares nacionais.

De acordo com dados apresentados pela pesquisa TIC Educação 2025, cujos resultados foram comentados em recente nota técnica elaborada pela Fundação Telefônica Vivo, 65% das escolas brasileiras desenvolvem iniciativas de educação digital, midiática e para a cidadania digital, sinalizando o avanço da institucionalização dessas temáticas no contexto escolar.

Nesse cenário, ferramentas digitais e soluções baseadas em inteligência artificial utilizadas com intencionalidade pedagógica podem potencializar a atuação dos docentes, liberando tempo e ampliando repertório para que atribuam foco ao acompanhamento individualizado, à identificação de lacunas de aprendizagem e à adaptação das estratégias pedagógicas às necessidades de diferentes grupos de estudantes. Essas ferramentas também podem auxiliar o docente na elaboração de planos de aula, atividades e trilhas de aprendizagem mais personalizadas, sempre a partir de objetivos pedagógicos definidos pelo professor, tornando viável uma abordagem que responda à diversidade presente na sala de aula.

O potencial dessas tecnologias, contudo, depende da capacidade dos professores de incorporá-las de forma efetiva às práticas pedagógicas. Para que esses recursos produzam impacto, é necessário que estejam acompanhados de processos consistentes de formação e desenvolvimento profissional docente.

Evidências recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reforçam a centralidade desse tema. Os resultados do Teacher Knowledge Survey (TKS)¹, divulgados em 2026, mostram que países cujos professores apresentam níveis mais elevados de conhecimento pedagógico geral (General Pedagogical Knowledge, ou GPK) tendem também a registrar melhores resultados de aprendizagem dos estudantes.

Os resultados sugerem que o domínio de estratégias de ensino, avaliação e gestão da aprendizagem constitui um fator relevante para a melhoria dos resultados educacionais em matemática.

Na mesma direção, trazendo para o contexto específico das tecnologias, o documento OECD Digital Education Outlook 2026 indica que uma mesma ferramenta de IA produz interações educativas mais ricas quando mobilizada por um professor de alta agência, que trata a IA como recurso.

Essa evidência é particularmente relevante no contexto brasileiro. Diante da crescente heterogeneidade das salas de aula e da necessidade de recomposição das aprendizagens, o desafio não consiste apenas em ampliar o acesso a novas tecnologias, mas em garantir que os docentes estejam preparados para utilizá-las de forma pedagógica e intencional.

 

Panorama dos resultados do Ideb

Também foram divulgados os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O indicador combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Saeb com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar.  Como pode ser observado na tabela abaixo, houve um avanço em todas as etapas de ensino.

Apesar da evolução, é importante destacar que o país ainda não atingiu os objetivos originalmente estabelecidos para todas as etapas da educação básica. As metas do Ideb foram definidas apenas até 2021 e, desde então, não foram atualizadas pelo MEC e pelo Inep. Como resultado, o país chega à segunda edição do indicador sem novas metas oficiais de referência.

Considerando os parâmetros fixados para 2021, os Anos Iniciais já haviam alcançado a meta prevista (6,0), enquanto os Anos Finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio permanecem abaixo dos patamares estabelecidos (5,5 e 5,2, respectivamente) ainda que tenham registrado progressos na última década.

Dessa forma, os resultados do último biênio devem ser analisados à luz de uma trajetória mais ampla. A evolução positiva registrada nos últimos anos foi impulsionada por melhorias significativas no fluxo escolar, com redução da reprovação e maior progressão dos estudantes, além de ganhos de aprendizagem, especialmente no Ensino Fundamental.

Por fim, é importante evidenciar que os avanços observados merecem ser reconhecidos e evidenciam a capacidade do sistema educacional brasileiro de produzir melhorias ao longo do tempo. No entanto, eles não eliminam os desafios que persistem. Os resultados do Saeb e do Ideb sugerem que o país ainda precisa acelerar o ritmo de melhoria da aprendizagem, sobretudo nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, além de garantir que um número cada vez maior de estudantes alcance os níveis de aprendizagem considerados adequados para sua etapa de ensino.

Como discutido ao longo desta nota técnica, a continuidade dessa trajetória dependerá não apenas da elevação das médias de desempenho, mas também da redução das desigualdades de aprendizagem que ainda caracterizam a educação brasileira.

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo saeb 2025

Faça o download gratuito da nota técnica do Saeb 2025


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