Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artifical: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

01.12.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

“A criança no centro das políticas é essencial ao êxito de experimentos contra o trabalho infantil”, diz Nobel da Paz

Crédito: Carolina Pezzoni
Por Carolina Pezzoni, do Promenino, com Cidade Escola Aprendiz
Quando a criança está no centro das experiências para a erradicação do trabalho infantil ou das políticas educacionais suas chances de sucesso são maiores. A premissa permeia todo o argumento do indiano vencedor do Nobel da Paz em 2014, Kailash Satyarthi, que, em sua primeira passagem pelo Brasil após receber o prêmio, falou a estudantes sobre o direito à educação como um direito fundamental às crianças e adolescentes e o único capaz de abrir as portas para todos os outros.

Durante o evento que aconteceu no Senac Lapa Scipião, promovido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em resposta ao Promenino sobre os recursos que poderiam tornar possíveis o Brasil erradicar suas piores formas de trabalho infantil até 2025, como foi acordado com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Satyarthi ressaltou que somos um país líder em experimentar maneiras inovadoras de combater o trabalho infantil.

“Estive no Brasil quando foi lançado o Bolsa Escola. Depois, o presidente Lula expandiu o programa como Bolsa Família. E muitos países aprenderam com isso”, afirmou o ganhador do Nobel. Para ele, a diferença é que as crianças estavam no centro desses experimentos, por isso foram capazes de reduzir o trabalho infantil e ampliar a frequência e a retenção escolar. “Uma abordagem política integrada é um dos fundamentos por trás disso”, pontuou. No entanto, a seu ver, é um equívoco imaginar que, porque estão indo à escola, não existe mais um problema.

“Temos de pensar na qualidade. A privatização da educação é algo que está acontecendo no mundo todo. E o setor privado pode ser um parceiro do governo, mas vende um direito fundamental como commodity. Precisamos trazer de volta, para a linha de frente, a pauta de que ainda existem trabalho infantil e escravidão, usando a mídia, as mídias sociais”, acredita Kailash Satyarthi.

Em meio a esses esforços, está a reinauguração da campanha internacional: 100 milhões por 100 milhões. Ainda em fase de planejamento, a iniciativa permitirá que as pessoas criem petições e acessem com isso a comunidade internacional. O trabalho infantil, a violência contra a criança, o casamento precoce ou forçado, o uso do trabalho infantil na cadeia de produção (incorporando a responsabilidade corporativa), um maior investimento para a educação, o respeito às promessas de investimento na educação das crianças – estas são algumas das demandas pertinentes à plataforma, como relacionou Kailash. “Já falamos com vários líderes de mídias sociais, lideranças jovens, organizações de professores, e temos muito apoio para a ideia”, disse o líder indiano. A campanha será online e off-line (por meio de ocupações e marchas) e será lançada ainda em 2016.

No encontro, que contou com a presença e a participação de estudantes secundaristas da Escola Estadual Fernão Dias, ativistas da luta contra a reorganização escolar do governo de São Paulo, o vencedor do Nobel da Paz pediu para juntar-se ao movimento e disse que “tirava o chapéu” para eles. Revelou que ele próprio foi preso pela polícia aos 14 anos por ser contrário à imposição do inglês no currículo escolar e apanhou como eles.

“Vocês são tão maravilhosos, tão maravilhosos! O mundo todo precisa de jovens como vocês. Não só o Brasil, não só a América Latina. Vocês são um retrato dos nossos tempos. São heróis e têm toda a capacidade de lutar e ganhar. Já provaram isso da sua própria maneira. Vi bons amigos em vocês, então, se não se incomodarem, gostaria de me juntar ao movimento. Seria uma honra para mim”, concluiu o líder.


Outras Notícias

Especialista Jo Boaler defende ensino de matemática criativo e sem “decoreba”

05/01/2026

Especialista Jo Boaler defende ensino de matemática criativo e sem “decoreba”

Pesquisadora de Stanford propõe abordagem visual e colaborativa para reduzir desigualdades e preparar alunos para a era da Inteligência Artificial

Retrospectiva 2025: Implementação da BNCC Computação é um dos destaques da Fundação Telefônica Vivo

29/12/2025

Retrospectiva 2025: Implementação da BNCC Computação é um dos destaques da Fundação Telefônica Vivo

Formações, eventos e publicações marcaram um ano de apoio às redes de ensino das escolas públicas para desenvolver competências digitais de educadores e estudantes

Inclusão Digital na Educação: a importância de integrar tecnologia com equidade e responsabilidade

11/12/2025

Inclusão Digital na Educação: a importância de integrar tecnologia com equidade e responsabilidade

BNCC Computação, Política Nacional de Educação Digital e diretrizes do CNE indicam que a proteção e a inclusão devem caminhar juntas

Dia Internacional do Voluntário: a força do nosso voluntariado pela educação pública em 2025

04/12/2025

Dia Internacional do Voluntário: a força do nosso voluntariado pela educação pública em 2025

Com o engajamento de 10 mil colaboradores da Vivo, as iniciativas da Fundação arrecadaram 4 toneladas de alimentos e apoiaram 52 projetos sociais, impactando 45 mil pessoas em todo o país; confira a retrospectiva com as principais ações

Trajetórias negras na tecnologia abrem caminhos para os jovens

19/11/2025

Trajetórias negras na tecnologia abrem caminhos para os jovens

Histórias de pioneiros e líderes que romperam barreiras estruturais revelam como talento, apoio e representatividade impulsionam a inovação e ampliam oportunidades

Educação que transforma: escolas do Recife integram tecnologia e sustentabilidade às práticas de sala de aula

17/11/2025

Educação que transforma: escolas do Recife integram tecnologia e sustentabilidade às práticas de sala de aula

Cases como “Guardiões do Rio Morno” e “Robôs Eólicos” mostram caminhos para uma educação pública mais conectada à inovação e aos desafios ambientais