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03.04.2020
Tempo de leitura: 6 minutos

As lições do voluntariado em tempos de coronavírus

Características típicas de voluntários, como responsabilidade social e resiliência, são mais do que necessárias em tempos de crise

Mulher jovem de cabelos encaracolados e óculos está sorrindo e acenando para tela de notebook durante videoconferência, ferramenta que pode auxiliar para manter atividades de voluntariado durante a pandemia de coronavírus.

O isolamento social contra a pandemia do novo coronavírus paralisou a maioria dos projetos de voluntariado, sejam os executados por empresas e fundações, sejam as ações individuais. O atual cenário evidencia a necessidade de apoio e solidariedade, duas características básicas de quem pratica trabalhos voluntários.

Além disso, há outras lições que podemos extrair do voluntariado em tempos de coronavírus, como explicou os profissionais Giuliana Preziosi, sócia e diretora da Conexão Trabalho, e Bruno Barcelos, pesquisador e especialista em voluntariado empresarial, durante o webinar O papel do voluntariado em tempos de coronavírus, promovido pela V2V. Confira a seguir!

Olhos e ouvidos abertos para a comunidade

A primeira maneira de ajudar quem precisa é entender suas reais necessidades. Contudo, você não precisa estar na linha de frente do combate ao novo coronavírus, mas pode apoiar quem está.

O Movimento Tech4Covid, por exemplo, reúne esforços e profissionais de várias áreas, e em todo mundo, para oferecer alojamento aos profissionais da saúde perto de onde eles estão atuando, ou cuidados para seus animais de estimação, além de arrecadação de máscaras e recursos de linha hospitalar. Há outras mobilizações acontecendo em todas as regiões do Brasil e do mundo.

Dentro do contexto de voluntariado empresarial, os programas costumam estruturar ações a partir da escuta junto às comunidades. A revitalização de escolas no Sergipe a partir do Programa Vacaciones Solidárias, da Fundação Telefônica Vivo, é um exemplo disso.

“Muitas vezes a solução está na simplicidade. Se você já é voluntário, mantenha o canal aberto com as instituições e pessoas que você costuma atender e entenda do que elas estão precisando neste momento”, indica Bruno.

Tudo começa com responsabilidade social

Se há uma coisa que o espírito voluntário tem é o olhar para o próximo e o senso aguçado de responsabilidade social. Em tempos de crise, especialmente a que estamos vivendo hoje, a solidariedade é ainda mais necessária. O voluntariado informal é o primeiro que aparece, já que as pessoas se mobilizam para ajudar quem está próximo, como familiares e vizinhos.

“A gentileza e a solidariedade ajudam a enfrentar esse período de isolamento social, mas também é importante ter o olhar integrado sobre responsabilidade social, seja com um funcionário que está fazendo home office, seja com fornecedores ou com a própria comunidade onde estou inserido”, diz Giuliana.

O engajamento precisa ser coletivo

Quem é voluntário sabe o quanto suas ações impactam na vida de outras pessoas e como a somatória de esforços potencializa os resultados. O agora favorece o entendimento de que as nossas atitudes importam e influenciam na vida de outras pessoas.

“Programas de responsabilidade social e de voluntariado não competem entre si. Nunca em nossa história tivemos uma causa tão comum, e uma ação emergencial requer que todos os esforços humanos sejam coordenados”, diz Barcelos, enfatizando a necessidade de empresas e pessoas juntarem esforços para estruturarem ações coletivas para mitigar os efeitos da crise do coronavírus.

“Uma empresa, por exemplo, começa olhando para dentro, para como pode ajudar os seus colaboradores. Depois soma esforços para cumprir sua responsabilidade social olhando para fora, para coisas que a comunidade está precisando, como produtos alimentícios e de higiene”, aconselha o especialista.

Leia também: Guia Meu Nome é Coronavírus explica pandemia às crianças

Deixe que as pessoas conheçam suas competências, elas valem muito!

Você é ótimo em organização financeira? Sabe criar um site ou desenvolver um aplicativo? Dá aulas de dança ou de ioga? Tem uma ótima técnica para manter a organização, mesmo em tempos de home office? Então divulgue suas competências e habilidades por aí e esteja pronto para dividir esse conhecimento com quem precisar.

“O voluntariado digital e o baseado em competências já estavam em alta e agora tendem a se intensificar”, acredita Giuliana. “Há muitas maneiras de usar aquilo que você sabe fazer para ajudar alguém. Exemplos bacanas estão surgindo, como psicólogos que estão atendendo online e gratuitamente, e designers que criaram peças visuais com o nome e os contatos de feirantes e pequenos produtores agrícolas para divulgar a quem precisa comprar alimentos. Simples e poderoso!”

Planejamentos podem e devem ser refeitos

A maioria dos programas de voluntariado empresarial começam a estruturar suas ações no início do ano, e muitas delas envolvem o trabalho presencial com comunidades atendidas. A necessidade do isolamento social trouxe também a emergência de rever os planos.

“Isso não significa que as coisas precisam parar. Agora mais do que nunca temos de ter coragem para adaptar o voluntariado e seguir em frente. Para isso, é estratégico repensar o que fazer com os recursos que se tinha antes”, indica Bruno Barcelos. A resiliência, outra característica intrínseca ao espírito voluntário, é um grande aprendizado que sai daí.

O Programa de Voluntariado da Fundação Telefônica Vivo se reorganizou para desenvolver ações emergenciais, como relata a gerente de projetos sociais Karina Daidone: “As nossas ações estão sendo adaptadas para o universo digital, e junto com os Comitês de Voluntariado – formados por colaboradores de todo o Brasil –, estamos buscando alternativas para mitigar alguns desses impactos.

Entre as ações realizadas estão o oferecimento de espaço publicitário gratuito na Rádio Web Semear para micro e pequenos empreendedores da região de Marabá, no Pará, ligações para conversar com idosos que moram em instituições de apoio, criação de materiais de atividades adaptadas para que famílias de pessoas com deficiência possam realizar em casa.

“Diante do contexto atual, cuidar dos nossos colaboradores e seguir as orientações das autoridades também é um ato de solidariedade e cuidado com o próximo. A situação pede atitudes que colaborem com a superação deste desafio, mantendo a nossa contribuição à sociedade e suprindo a vontade de nossos colaboradores de continuar realizando trabalho voluntário”, completa a gestora.


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