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30.11.2015
Tempo de leitura: 4 minutos

Documentário “Território do Brincar” viaja pelo Brasil e registra a riqueza da infância

Em ação conjunta, a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto Alana levam o filme para ONGs e instituições parceiras que organizam a exibição em suas regiões.

O Pião de Babaçú gira nas mãos dos meninos da comunidade de Entre Rios, no Maranhão. Giram as rodas dos carrinhos de rolimã que descem as ruas de Alta Santa Maria, no Espírito Santo. O capim também é girado para dar forma às bonecas de tufo, batizadas por crianças do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. E como rodar, criar e transformar são alguns dos dons da infância, o documentário “Território do Brincar” gira pelas salas de ONGs e instituições parceiras da Fundação Telefônica Vivo.

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O projeto de divulgação para a exibição do documentário foi idealizado pela Fundação em conjunto com o Instituto Alana, apoiadores do conceito de infância como lugar de aprendizado e diversão. A fim de alcançar crianças e adolescentes participantes de iniciativas distintas, o filme ganhou as telas das ONGs Aldeias Infantis (Caicó, Rio Grande do Norte), PLAN (Codó, Maranhão), Visão Mundial (Belo Horizonte, Minas Gerais) e IFAN – Instituto da Infância (Fortaleza, Ceará). Antes ou depois das exibições, o debate sobre as impressões despertou a curiosidade dos meninos e meninas em relação às semelhanças e diferenças entre as brincadeiras espalhadas pelo Brasil.

E o que se aprende do brincar? É justamente essa a pergunta que o delicado registro “Território do Brincar” propõe. O documentário é fruto de uma imersão pelos diferentes jogos e recreações de partes distintas do país, feito pelos documentaristas Renata Meirelles e David Reekes.

As imagens dessa infância festiva foram apresentadas como provocação aos educadores de escolas brasileiras, que tinham como desafio entender o eco lúdico e como abordá-lo dentro de seus respectivos espaços pedagógicos. Para a diretora, a exibição de sua obra em escolas e ONGs cumpre um fundamental papel de diálogo entre educação e cultura: “O ‘Território do Brincar’ fala sobre a essência da infância. O olhar que temos para a criança pode servir como inspiração para os educadores”.

Ciranda do aprender

Se é para ter diálogo, que esse diálogo seja em roda, olhos nos olhos, crianças e educadores sem hierarquia numa ciranda do aprender. A ONG Aldeias Infantis, que trabalha na defesa de direitos básicos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, organizou a exibição em seis escolas de Caicó (RN). “Nós temos um trabalho de metodologia que é a roda de conversa. A partir dela, as educadoras responsáveis introduziram a temática do território, levantando questões sobre o brincar e valorização desse ato”, conta Juclebson Araújo, coordenador pedagógico da ONG.

Ainda que as recepções variem de acordo com a idade dos espectadores – bem como o ambiente da escola –, as reações em geral foram positivas, um misto de admiração e surpresa. Araújo relata: “Os adolescentes se identificaram com as brincadeiras, empolgados: ‘Puxa, nós brincávamos muito assim!’ Os mais novos ficaram admirados com brincadeiras que nunca viram, outros perguntavam de que lugar era a cena, porque eles jogavam assim. E claro, ficaram animados, quiseram reproduzir o que viram nas telas”.
Brincadeiras que precisam de tão pouco, como tocos de madeira, capim e aquela dose de imaginação característica das crianças, não são estranhas à realidade de Caicó, o que dá a exibição um gosto de encanto, de ver as brincadeiras do cotidiano reproduzidas na tela: “Aqui ainda fazemos carrinho de rolimã com pecinhas de metal tiradas de rolamento de carro. Há crianças que ainda tem essa fantasia de brincar de casinha e de carrinho. E mantemos o cultivo dessa cultura”.

Para a Fundação Telefônica Vivo, um filme como o “Território do Brincar”, ao ser disponibilizado nas instituições e ONGS parceiras, pode inspirare espalhar a cultura de práticas inovadoras e de retorno ao lúdico para modificar métodos educativos. Assim, o sistema educacional pode reconhecer a importância da brincadeira, fundamental não só pelas questões de aprendizado, mas pelo espaço do jovem, que deve ser de liberdade. Pelo prazer de deixar o pião rodar e a ciranda girar.


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