A ansiedade já faz parte da rotina de Antônio Gustavo Galeno da Silva. Aos 18 anos, o estudante de Tianguá, no Ceará, está prestes a viver uma experiência que considera um divisor de águas: o primeiro estágio em uma empresa de tecnologia da sua cidade.
Aluno do 3º ano do curso de Desenvolvimento de Sistemas integrado ao Ensino Médio, na Escola Estadual Professor Sebastião Vasconcelos Sobrinho, Gustavo vê na oportunidade muito mais do que uma etapa da formação escolar. “Creio que vai ser um momento muito histórico na minha vida, pois é o meu primeiro estágio. Acho que vou aprender muitas coisas que vão somar na minha carreira futuramente.”

Seu objetivo já está traçado. “Espero crescer cada vez mais nessa área, começando como estagiário e chegando, quem sabe, a desenvolvedor sênior.”
A expectativa de Gustavo é compartilhada por milhares de jovens que encontram nos estágios, programas de aprendizagem e outras experiências práticas a oportunidade de transformar conhecimentos adquiridos em sala de aula em vivências profissionais concretas. Na Educação Profissional e Tecnológica (EPT), esse contato com o mundo do trabalho faz parte de uma proposta formativa que integra teoria e prática, aproximando os estudantes dos desafios e das oportunidades do presente e do futuro.
Formação técnica aproxima jovens das demandas do mundo do trabalho
Em um cenário marcado pela rápida evolução tecnológica, preparar jovens para profissões em constante transformação exige mais do que o domínio de conteúdos técnicos. Também é necessário desenvolver competências relacionadas à resolução de problemas, colaboração, comunicação e adaptação a novos contextos.
A pesquisa “Prospecção de Vagas de Entrada no Macrossetor TIC”, realizada pela Brasscom em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e executada pelo Instituto Locomotiva, aponta que quase metade das vagas que devem ser criadas nos próximos anos na área de tecnologia da informação e comunicação será destinada a profissionais em início de carreira. O levantamento também mostra que 88% das empresas consultadas consideram a formação técnica um fator importante nos processos de contratação.
Além de competências relacionadas a áreas como inteligência artificial, programação e segurança cibernética, as organizações buscam profissionais capazes de aprender continuamente, trabalhar em equipe e lidar com contextos em constante mudança.
A Educação Profissional e Tecnológica contribui justamente para o desenvolvimento desse conjunto de competências ao aproximar os estudantes de desafios reais e das dinâmicas do mundo do trabalho.
Para fortalecer essa conexão, iniciativas apoiadas pela Fundação Telefônica Vivo promovem mentorias, desafios baseados em situações reais e aproximação com profissionais do setor produtivo. As ações contribuem para o desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais fundamentais para a trajetória acadêmica e profissional dos jovens.

Uma dessas estudantes é Yasmin Namiê, formada no curso de Ciência de Dados da Escola Estadual Professor João Magiano Pinto, em Três Lagoas (MS). Durante o Ensino Médio, ela atuou como aprendiz no Departamento de Tecnologia da Informação da prefeitura do município. “Consegui aplicar todo o conhecimento absorvido e, na prática, aprender algumas coisas”, conta.
Segundo Yasmin, a experiência permitiu compreender de forma concreta o funcionamento do setor de tecnologia. “Acompanhei o processo de como é feito para se desenvolver um programa, um site, um aplicativo, desde o momento da escuta para entender a necessidade do cliente, conseguir desenvolver ideias, conversar com toda a equipe, fazer modelos, protótipos e conseguir entregar um resultado final.”
EPT amplia possibilidades de acesso ao trabalho e à universidade
Para Yasmin, concluir o curso de EPT integrado ao Ensino Médio e a experiência como aprendiz expandiram seu interesse pela área da tecnologia. “Eu escolhi fazer a minha formação no Ensino Superior na área de tecnologia e de dados por causa de toda essa experiência incrível. No âmbito profissional, desejo seguir nesse ramo”, diz a jovem.
Um estudo lançado em julho pelo Instituto Itaú Educação e Trabalho (IET) mostra, em números, que a EPT abre caminhos tanto profissionais como acadêmicos para os jovens, como vivenciado por Antônio Gustavo e Yasmin. A pesquisa “Para onde vão os egressos do Ensino Médio e EPT? Empregabilidade e acesso ao Ensino Superior no Brasil” analisou a trajetória de concluintes do Ensino Médio em diferentes modalidades educacionais.
Os resultados mostram que os egressos da Educação Profissional e Tecnológica têm maior acesso ao emprego formal e alcançam salários mais elevados ao longo dos primeiros anos da carreira. O levantamento também identificou que os estudantes formados na EPT apresentam maiores índices de ingresso no Ensino Superior logo após a conclusão da Educação Básica.
Os dados evidenciam como a formação técnica pode ampliar possibilidades em diferentes dimensões da vida dos jovens, tanto na construção da carreira quanto na continuidade dos estudos.
Quando a formação técnica se transforma em oportunidade
A trajetória da jovem Emile Cristine, de Hortolândia (SP), é um exemplo concreto de como a EPT multiplica possibilidades para a juventude. Formada no curso de Desenvolvimento de Sistemas na Escola Técnica do Centro Paula Souza da sua cidade, ela hoje é estudante do curso de Bacharelado em Cibersegurança na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ao mesmo tempo, já trabalha como meio oficial – um cargo equivalente ao de estagiária – no setor de Soluções Digitais da Bosch.

“Estou vivendo uma fase muito marcante da minha vida, que é o início da minha carreira em tecnologia”, conta Emile. “Tem sido um período com bastante foco em cursos, aprendizado e networking. Conheci várias pessoas legais e aprendi muito com elas, não só as hard skills, habilidades técnicas, mas também soft skills, trabalho em equipe, comunicação e muito mais.”
As trajetórias de Antônio Gustavo, Yasmin e Emile mostram que a Educação Profissional e Tecnológica vai além da formação para uma ocupação específica. Ao combinar aprendizado acadêmico, experiências práticas e aproximação com o mundo do trabalho, a EPT amplia oportunidades, fortalece projetos de vida e contribui para que os jovens façam escolhas mais conscientes sobre seu futuro profissional e educacional.
Pense Grande Tech amplia conexões entre educação e futuro profissional
O programa Pense Grande Tech, da Fundação Telefônica Vivo, fortalece a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) ao apoiar o desenvolvimento de competências digitais de estudantes e educadores e aproximar a formação das demandas do mundo do trabalho.
Ao longo de sua trajetória, jovens como Antônio Gustavo, Yasmin e Emile participaram de iniciativas do programa que ampliam a aprendizagem prática e a conexão com o setor produtivo, contribuindo para a construção de projetos de vida e de carreira.
Como o programa atua:
• Currículo: Fortalecimento e atualização da formação técnica na área de tecnologia.
• Formação docente: Desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras e competências digitais para educadores.
• Conexão com o mundo do trabalho: Promoção de iniciativas que aproximam estudantes de empresas e experiências reais do setor produtivo.
• Governança e parcerias: Articulação de redes colaborativas para ampliar a escala, a sustentabilidade e o impacto das ações.
Mais do que preparar para uma profissão, o programa Pense Grande Tech contribui para formar jovens capazes de aprender continuamente, inovar, colaborar e se adaptar às transformações de um mundo cada vez mais conectado pela tecnologia.

