Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
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11.09.2026
Tempo de leitura: 9 minutos

Avanço na educação digital: todos os estados, DF e maioria dos grandes municípios já aprovaram referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação

Levantamento feito entre as 73 maiores redes de ensino no país mostra que 82% já realizaram a adequação curricular, um passo importante para a implementação das diretrizes em todo o território nacional

Imagem ilustra a nota técnica que exemplifica o termo bncc computação

O Brasil alcançou um marco importante para a educação digital. Os 26 estados, o Distrito Federal e a maior parte das capitais e grandes municípios, em todas as regiões do país, já aprovaram seus referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação. Um passo fundamental para abrir o caminho para que o ensino de Computação avance de forma estruturada nas redes públicas de ensino.

Com a adequação curricular concluída, o desafio agora passa a ser transformar as diretrizes em aprendizagem efetiva. Isso significa preparar professores, apoiar as redes de ensino e garantir que competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e ao uso crítico das tecnologias cheguem ao cotidiano das escolas.

“Que todos os estados e a maioria das capitais e dos municípios do Brasil tenham aprovado, nos respectivos Conselhos de Educação, seus currículos de Computação é uma grande notícia – não só para o sistema educacional, mas sobretudo para os estudantes, que vão ter garantido seu direito de desenvolver competências digitais”, avalia Catherine Rojas Merchan, gerente de Pesquisas, Parcerias e Mobilização Institucional da Fundação Telefônica Vivo.

Superada a fase de atualização dos currículos e de sua adaptação às realidades locais, estados e municípios entram agora em uma nova etapa. A prioridade passa a ser a formação docente, o acompanhamento da implementação, e a consolidação do uso de recursos pedagógicos e de práticaspedagógicas capazes de transformar o currículo em experiências concretas de aprendizagem.

“A Fundação prestou assessoria técnica para a maioria das redes estaduais neste processo de atualização. Agora, vamos continuar apoiando todas as redes parceiras na implementação destes novos referenciais, para garantir que os estudantes consigam se inserir em um mundo cada vez mais digital, de forma crítica, ética, responsável e propositiva”, afirma Catherine.

Esse movimento pode impulsionar uma mudança estrutural na educação brasileira. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas, torna-se cada vez mais essencial que crianças e jovens desenvolvam as competências digitais necessárias para participar ativamente e de forma consciente em uma sociedade marcada pela transformação digital e pelo avanço da inteligência artificial.

 

Uma política pública construída ao longo de quase uma década

A inclusão da Computação na Educação Básica é resultado de uma construção iniciada há quase uma década. Em 2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já reconhecia, por meio da Competência Geral nº 5, o direito dos estudantes ao desenvolvimento de competências relacionadas à cultura digital.

O tema ganhou contornos mais concretos em 2022, com a publicação das normas sobre Computação na Educação Básica, em Complemento à BNCC. Conhecido como BNCC Computação, o documento definiu os conhecimentos, habilidades e competências que devem ser desenvolvidos ao longo de toda a Educação Básica, criando uma referência nacional para a educação digital nas escolas.

A partir desse marco, estados e municípios passaram a revisar seus currículos para incorporar as novas diretrizes, adaptando-as às características e necessidades de cada território. O objetivo é garantir que todos os estudantes tenham a oportunidade de desenvolver competências como pensamento computacional, resolução de problemas, uso crítico das tecnologias e cidadania digital.

O movimento ganhou ainda mais impulso com a vinculação da agenda ao financiamento educacional. A adequação dos currículos à BNCC Computação passou a integrar as condicionalidades para o recebimento dos recursos do Fundeb complementados pelo Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), reforçando a importância estratégica do tema para as redes públicas de ensino.

Para cumprir essa etapa, cada estado e município pôde optar por adotar o referencial curricular estadual ou elaborar um documento próprio. Em ambos os casos, os currículos precisaram ser homologados pelos respectivos Conselhos de Educação e registrados no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec).

A conclusão desse processo representa mais que o cumprimento de uma exigência administrativa. Ela sinaliza um compromisso das redes de ensino com a consolidação da educação digital e cria condições para que a Computação avance da previsão curricular para a prática pedagógica nas escolas brasileiras.

 

Como a adequação avançou nas 73 maiores redes do país

Um levantamento feito pela equipe da Fundação Telefônica entre as redes de ensino do G73 – grupo formado pelos 26 estados, Distrito Federal, capitais e municípios acima de 500 mil habitantes – mostra que 60 (ou 82%) já concluíram o processo de adequação dos referenciais curriculares à BNCC Computação. Neste levantamento, considera-se concluída a adequação das redes que já obtiveram a aprovação de seu Conselho de Educação.

Este movimento captado entre as maiores redes do país é importante e tem efeito multiplicador. Com os novos referenciais aprovados por todos os 26 estados e o DF,  virtualmente todos os municípios do país podem ser alcançados pela política de alinhamento dos currículos à BNCC, já que é permitido que as redes municipais façam a adesão às diretrizes estaduais.

A adaptação curricular não se deu de maneira idêntica em todo o território. Cada rede escolheu o modelo de implementação mais adequado para as diferentes etapas da Educação Básica.

Entre os 26 estados e o Distrito Federal, por exemplo:

  • 17 optaram pela implementação transversal, integrando a Computação aos demais componentes curriculares;
  • 9 adotaram um modelo híbrido, combinando momentos transversais e específicos;
  • 1 optou por tratar a Computação como componente curricular independente.

Esta diversidade de caminhos foi orientada pelas Diretrizes Operacionais Nacionais, publicadas pela Resolução CNE/CEB nº 2/2025, que tratam da integração curricular da educação digital e do uso pedagógico de dispositivos digitais nas escolas.

 

A BNCC Computação prepara as escolas para a era da inteligência artificial

Mais recentemente, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes orientadoras específicas sobre o uso da Inteligência Artificial na Educação Básica, que aguardam a homologação por parte do Ministério da Educação. Um sinal de que o debate iniciado com a Computação já avança para o próximo capítulo da educação digital.

Não é coincidência que a Computação e a inteligência artificial caminhem juntas nas discussões educacionais. Os três eixos que estruturam a BNCC Computação – pensamento computacional, mundo digital e cultura digital – são exatamente as bases necessárias para que estudantes compreendam, hoje e no futuro, como a IA funciona e como usá-la de forma crítica e responsável.

Um currículo que ensina lógica, resolução de problemas, uso ético das tecnologias e cidadania digital está, na prática, preparando o terreno para que o letramento em IA seja incorporado com solidez às escolas brasileiras. Por isso, investir na implementação da BNCC Computação hoje significa também investir na capacidade das redes de ensino de lidar com os desafios tecnológicos de amanhã.

 

Fundação Telefônica Vivo apoia redes na implementação da educação digital

Ao longo dos últimos anos, a Fundação Telefônica Vivo tem contribuído para fortalecer a implementação da BNCC Computação por meio da produção de conhecimento, da articulação com gestores públicos e do apoio técnico às redes de ensino.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão estudos, pesquisas e materiais voltados à implementação da educação digital, como a pesquisa “Currículos de Computação: Levantamentos e Recomendações”, realizada em parceria com o Movimento pela Base e executada pela Vozes da Educação, e o “Guia de Conectividade e BNCC Computação nos Currículos Municipais”, elaborado em conjunto com a Undime e a Coalizão Tec Educação.

A Fundação também ofereceu assessoria técnica a estados e municípios na atualização curricular, por meio de oficinas, formações, acompanhamento especializado e atividades voltadas ao fortalecimento das capacidades técnicas das redes.

Em parceria com o Instituto Natura, por meio da Coalizão Tec, o trabalho alcançou 19 redes estaduais e três redes municipais, contribuindo para apoiar gestores na construção de estratégias alinhadas às diretrizes nacionais.

Outro ponto importante de apoio no processo de implementação das diretrizes para o ensino da Computação é sua relação direta com a adoção da inteligência artificial na educação. Por isso, a Fundação, em parceria com a Cátedra Unesco de IA Desplugada, publicou duas notas técnicas para apoiar redes públicas na compreensão do tema.

A nota técnica “Educar na Era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação” é um guia estratégico para a integração da IA aos referenciais curriculares. Já a publicação “Recomendações para Formação Docente em Inteligência Artificial (IA) na Educação Básica” reúne diretrizes para a construção de percursos formativos éticos, críticos e contextualizados sobre IA nas políticas de formação continuada dos professores.

A experiência acumulada ao longo desse período reforça a importância da colaboração entre organizações da sociedade civil, especialistas e gestores públicos para transformar políticas educacionais em resultados concretos para estudantes e professores.

 

O desafio agora é fazer a Computação chegar à sala de aula

A aprovação dos referenciais curriculares representa uma conquista importante para a educação brasileira. Mas o verdadeiro impacto dessa transformação será medido pelo que acontecer dentro das escolas.

A implementação da BNCC Computação exige avanços em diferentes frentes, como formação continuada de professores, disponibilidade de materiais pedagógicos, infraestrutura tecnológica adequada e acompanhamento permanente dos resultados alcançados pelas redes.

O ritmo desse processo ainda varia entre estados e municípios, o que reforça a necessidade de apoio técnico, troca de experiências e monitoramento contínuo para garantir que as oportunidades de aprendizagem cheguem a todos os estudantes.

Nos próximos anos, o desafio será transformar currículos, investimentos e políticas públicas em experiências concretas de aprendizagem. É nesse processo que a BNCC Computação poderá cumprir seu propósito mais importante: garantir que crianças e jovens, em qualquer rede pública do país, desenvolvam as competências necessárias para compreender, participar e transformar um mundo cada vez mais digital.


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