Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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11.08.2026
Tempo de leitura: 8 minutos

Dia do Estudante: preparar os jovens para a era da inteligência artificial é um desafio da educação

Mais do que aprender a usar ferramentas digitais, estudantes precisam desenvolver pensamento crítico, criatividade e competências para atuar em uma sociedade cada vez mais influenciada pela inteligência artificial.

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo inteligência artificial na educação

Celebrado em 11 de agosto, o Dia do Estudante convida à reflexão sobre os desafios e as oportunidades da educação em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia. Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, preparar crianças e jovens vai além do acesso às ferramentas digitais: significa desenvolver pensamento crítico, criatividade e autonomia para aprender, participar da sociedade e atuar de forma ética e consciente na era digital.

A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de estudantes. Está presente nas pesquisas escolares, nos aplicativos, nas plataformas de aprendizagem e nas redes sociais. O desafio das escolas deixou de ser discutir se a IA deve ou não entrar na sala de aula. Hoje, a prioridade é ensinar como utilizá-la de maneira responsável, desenvolvendo competências que permitam analisar informações, resolver problemas, criar soluções e compreender os impactos das tecnologias na sociedade.

Essa necessidade ganha ainda mais relevância diante das transformações no mundo do trabalho. Cada vez mais, empresas buscam profissionais capazes de combinar habilidades técnicas, pensamento crítico, criatividade e capacidade de adaptação às novas tecnologias. A pesquisa “Prospecção de Vagas de Entrada no Macrossetor TIC” realizada pela Brasscom em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e executada pelo Instituto Locomotiva, mostra que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação já responde por 6,5% do PIB brasileiro. O levantamento também revela que 82% das empresas do segmento pretendem ampliar suas equipes nos próximos dois anos.

Nesse cenário, os jovens ocupam posição de destaque: quase metade das oportunidades previstas (46%) será destinada a profissionais em início de carreira. Entre as competências mais valorizadas pelas empresas estão computação em nuvem, segurança cibernética e inteligência artificial, apontada como prioridade por 80% dos entrevistados.

 

Os estudantes querem aprender IA, mas a escola ainda precisa avançar

O detalhe importante é que essa geração não chega desmotivada. Uma pesquisa da Espro (Ensino Social Profissionalizante), organização que, desde a década de 70, realiza ações de formação profissional e inserção de jovens no mundo do trabalho em parceria com empresas públicas e privadas, ouviu 3.444 aprendizes de todo o país e encontrou um retrato de otimismo pouco comum quando o assunto é tecnologia e emprego. Para 64% dos jovens, a IA representa mais oportunidade do que ameaça na hora de conseguir uma vaga. Além disso, 87% se dizem parcial ou totalmente confortáveis para disputar espaço em ambientes de trabalho que já exigem o domínio de ferramentas digitais.

Para Fernando Uehara, coordenador de Inteligência de Mercado do Espro e responsável pela pesquisa, esse dado é um convite à ação. “Os resultados sugerem que os jovens não encaram a automação de forma paralisante”, resume.

A questão é que muitos ainda sentem que algo está faltando. Entre os participantes ouvidos pela pesquisa do Espro, apenas 32% dos jovens dizem sentir que a escola ou o curso técnico os preparou de fato para lidar com essas ferramentas.

Os dados do levantamento dialogam com achados já apontados em pesquisas mais amplas. A TIC Educação 2024 a ponta que 70% dos estudantes do Ensino Médio já usam IA generativa em pesquisas escolares, mas apenas 32% relataram ter recebido orientação de professores sobre o tema.

Neste contexto em que o mundo do trabalho aponta estar em busca de jovens preparados para o uso cada vez mais intensivo da IA e, ao mesmo tempo, os estudantes demonstram curiosidade e disposição para lidar com as novas tecnologias,

a escola pública tem um papel decisivo para articular conhecimento e prática.

 

Como desenvolver competências para lidar com a IA

É justamente nesse cenário que a Fundação Telefônica Vivo defende a implementação da BNCC Computação como uma oportunidade para fortalecer a formação de estudantes em todo o país. Ao promover o desenvolvimento do pensamento computacional, da compreensão do mundo digital e da cultura digital, a BNCC oferece uma base consistente para que crianças e jovens avancem de um uso intuitivo da tecnologia para uma relação mais consciente, crítica e criativa com a inteligência artificial.

Conviver e trabalhar com inteligência artificial exige ter critérios para saber quando a ferramenta ajuda, quando atrapalha, como checar informações e como aplicá-la de forma ética e produtiva. Esse tipo de competência é o que especialistas chamam de literacia generativa, ou seja, a capacidade de compreender o potencial e os limites da IA para tomar decisões conscientes sobre seu uso, tanto nos estudos quanto na vida profissional.

O dado positivo é que o caminho já está desenhado nos marcos curriculares brasileiros com a BNCC Computação. É sobre essa base que o letramento em IA pode ser construído nas redes públicas, articulando lógica e algoritmos, uso responsável de dados e reflexão crítica sobre os impactos sociais da tecnologia.

 

Formação docente é passo fundamental

Transformar essas diretrizes e orientações em prática de sala de aula esbarra em outro desafio: a formação de professores. Dados da pesquisa Talis 2024, da OCDE, mostram que 64% dos professores brasileiros afirmam não ter as habilidades necessárias para ensinar com apoio de IA.

Fechar essa lacuna exige formação contínua e colaborativa, que combine domínio técnico com reflexão ética, e não apenas cursos pontuais sobre uma ferramenta específica, já que essas tecnologias mudam rapidamente.

Para a Fundação Telefônica Vivo, a formação docente é o eixo central de qualquer transformação curricular significativa, incluindo a abordagem consciente da inteligência artificial nas escolas. O processo sugerido envolve três etapas: diagnóstico inicial das condições e repertórios docentes; construção de ofertas formativas contextualizadas; e monitoramento contínuo com instrumentos como rubricas, portfólios e autoavaliações. Partir da realidade de cada rede é o que garante propostas formativas conectadas às necessidades das escolas.

 

Avanços passam por articulação entre mundo do trabalho e escola

Para Fernando Uehara, do Espro, a disposição demonstrada pelos jovens para entender e usar a IA pode ser potencializada pela articulação entre formação, aprendizagem profissional e experiência nas empresas, respeitando o papel de cada instituição. “Vivências práticas, orientação de carreira e acompanhamento de profissionais ajudam a desenvolver autonomia, comunicação e capacidade de adaptação”, comenta.

Neste Dia do Estudante, celebrar as novas gerações significa reconhecer seu direito de aprender, criar e participar ativamente da construção do futuro. Em um mundo cada vez mais orientado por dados, algoritmos e inteligência artificial, preparar crianças e jovens vai muito além da alfabetização digital. Significa desenvolver autonomia, pensamento crítico, criatividade, responsabilidade e capacidade de aprender continuamente.

Para a Fundação Telefônica Vivo, esse é um compromisso permanente. Ao apoiar a implementação da BNCC Computação, investir na formação de professores e promover iniciativas voltadas ao uso ético e consciente da inteligência artificial, a instituição contribui para fortalecer uma educação pública capaz de preparar estudantes não apenas para as profissões do futuro, mas para exercer plenamente sua cidadania em uma sociedade digital.

Como a Fundação Telefônica Vivo fortalece o letramento em Inteligência Artificial

A Fundação Telefônica Vivo atua para ampliar o acesso de estudantes e educadores aos conhecimentos e competências necessários para uma participação crítica, ética e criativa na cultura digital. Entre as iniciativas estão:
 
Entre as principais ações estão a parceria com o Instituto IA.Edu e a Cátedra UNESCO de Inteligência Artificial Desplugada na Educação, lançando a Nota Técnica “Educar na Era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação”, um guia estratégico para apoiar redes de ensino na integração da Inteligência Artificial (IA) aos seus referenciais curriculares, em alinhamento à BNCC Computação. Também foi lançada a nota técnica “Recomendações para Formação Docente em IA na Educação Básica”, voltada a apoiar a formação continuada de professores para o uso crítico e pedagógico da IA nas escolas.
 
Outra contribuição relevante foi a publicação, no Brasil, do livro “Educação para a era da inteligência artificial”, de Charles Fadel, uma das principais referências internacionais nos debates sobre educação, inovação curricular e inteligência artificial. Complementando a obra, o pesquisador também idealizou o curso gratuito “Letramento em IA: Pensando com as Máquinas”, que aprofunda a reflexão sobre os impactos da inteligência artificial na educação e contribui para a formação de cidadãos preparados para atuar de forma crítica e consciente na era digital.


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