Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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18.12.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Ensino de programação constrói pontes entre a periferia e o mercado de trabalho

Conheça o trabalho da ativista Cris dos Prazeres, que atua em projetos sociais como o Vai na Web, e trabalha para potencializar o conhecimento de jovens nas periferias cariocas

Jovens posam para foto com a camiseta da iniciativa Vai na Web junto com a educadora Cris dos Prazeres

Conectar pessoas com o intuito de resolver grandes problemas. Essa é a vocação de Cris dos Prazeres, cujo nome verdadeiro é Zoraide Gomes. Elasaiu do litoral de Pernambuco, lugar em que nasceu, e foi morar no Rio de Janeiro, onde se envolveu com projetos sociais voltados à saúde, educação e ao meio ambiente no Morro dos Prazeres, comunidade localizada em Santa Teresa, na zona sul da cidade.

Vivendo há mais de duas décadas no local, Cris desenvolveu dois projetos de grande impacto: um de conscientização sobre o vírus HIV entre mulheres de periferia, o Proa(Prevenção Realizada com Organização e Amor), e outro voltado à educação ambiental, chamado ReciclAção, que existe desde 2013 e ganhou reconhecimento da Fundação Banco do Brasil.

A ativista nunca chegou a completar os estudos básicos, mas desde os 12 anos decidiu que se esforçaria para sair da zona conforto, buscar conhecimento e tomar consciência sobre seu lugar no mundo. Sua trajetória de superação, marcada por episódios de violências, não a impediu de enxergar beleza no mundo à sua volta, imprimindo sua visão no incentivo e na transformação de realidades. “Cada vez que eu tenho uma dificuldade, meu primeiro pensamento é: tudo isso está acontecendo porque eu tenho que aprender algo muito incrível”, acredita.

Pontes para o desenvolvimento

Foi essa mentalidade que a aproximou da iniciativa Vai na Web, idealizado pela empresa de impacto tecnológico e social 1STi, que tem como objetivo democratizar o acesso de jovens à tecnologia e ao ensino de programação.Cris foi convidada para fazer a articulação entre o projeto e os jovens das comunidades do Morro dos Prazeres e do Complexo do Alemão, construindo pontes entre eles e o mercado de trabalho.

Por acreditar no potencial da juventude da periferia para criar novas narrativas, ela ajudou a pensar em uma metodologia que mesclasse ensino de linguagens de programação e aulas de habilidades socioemocionais com o intuito de tirar esses jovens da invisibilidade e formar profissionais preparados para enfrentar os desafios da era digital. Durante o processo, Cris também teve oportunidade de aprender mais sobre tecnologia e desenvolver novas competências.

“O Vai na Web traz a construção de uma plataforma de tecnologia avançada, mas que conecta o jovem, que já é um nativo digital e tem uma prática mental de resiliência diária, às empresas que buscam esse tipo de mentalidade para resolução de problemas”, explica Cris dos Prazeres. “É por meio desse crescimento e do acesso às informações que uma comunidade muda completamente sua existência e postura no mundo”.

Pedagogia da construção

Os jovens que tem interesse em participar do programa são avaliados através de desafios, como por exemplo, reconstruir sites famosos. Cris conta que eles chegam a virar noites, trazer marmitas para passar o dia todo no laboratório, caminhar 40 km para chegar lá. O esforço e o desejo de conhecimento, nas palavras da ativista, é o que valida o programa.

A pedagogia do Vai na Web é voltada para a construção da consciência técnica e social. O curso tem a duração de um ano e é dividido em três módulos — cada um deles com três meses de duração — nos quais os alunos são apresentados a conceitos básicos da linguagem de programação: HTML, Python, pensamento cognitivo, robótica, banco de dados, sistemas e inteligência artificial.

Descomplicando a programação

Ferramentas inspiradoras e acessíveis para mergulhar no mundo dos códigos ou planejar aulas mais conectadas com o mundo digital. Essa é a proposta do Programaê!,da Fundação Telefônica Vivo, que agrega cursos e conteúdos gratuitos de programação desenvolvidos por parceiros internacionais de renome, como Scratch e Code.org.

O movimento valoriza principalmente o uso do pensamento computacional em práticas pedagógicas que favorecem o protagonismo de professores, crianças e jovens. Além disso, proporciona uma aprendizagem significativa e alinhada com as competências da Base Nacional Comum Curricular e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas.

Acesse o site do Programaê! e saiba mais!

Além da parte técnica, eles são recebidos por outros profissionais de alto nível acadêmico que querem compartilhar conhecimentos complementares, de maneira voluntária. Os estudantes aprendem sobre a história da comunidade onde cresceram e da cidade onde vivem. Também têm aulas de habilidades socioemocionais e oficinas de comunicação não-violenta, meditação, cultura da paz

Na visão de Dalianny Vieira, uma programadora de 23 anos que começou como estagiária na 1STi, essa estrutura permite que os participantes mostrem um outro lado da favela. Natural do interior de Pernambuco, a jovem veio para o Rio e hoje faz parte da coordenação pedagógica do Estúdio Vai na Web, o núcleo de ex-alunos destaques que agora são convidados a prestar serviços para empresas grandes e reconhecidas no mercado.

“A tecnologia transformou minha vida e eu acho muito bonito me identificar em outros jovens, que vem de família humilde como eu, e ver essas pessoas se desenvolvendo. Cada código que eu faço me dá base de autonomia, estabilidade financeira, oportunidade de carreira”, afirma a programadora. “A gente não faz tecnologia pra máquina, e sim para mudar vidas”, define.


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