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10.12.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

Escola estadual de São Paulo promove festival contra homofobia

Com atividades culturais e acolhimento emocional, a EE Professor Joaquim Luiz de Brito envolve alunos, professores e comunidade na promoção do respeito às diferenças

Alunos e professores da Escola Estadual Professor Joaquim Luiz de Brito posam em festival contra homofobia. Um homem de óculos aparece em primeiro plano com o grupo de alunos atrás dele.

O que te incomoda no amor do outro? A pergunta, uma reflexão mais do que bem-vinda neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi ponto de partida do festival Brito sem Homofobia, que aconteceu de 16 a 19 de outubro na Escola Estadual Professor Joaquim Luiz de Brito, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Desde 2013, a escola para as atividades regulares e abre as portas à comunidade para discutir homofobia na escola, celebrar a diversidade e o respeito às diferenças.

Tem de tudo: shows, músicas, teatro, coreografias, sarau, cinema, palestras sobre psicologia, direito, saúde e até oficinas de meditação. “Além de proporcionar autoconhecimento, a meditação é uma ferramenta importante contra a violência, já que também ajuda na compreensão do outro”, explica o professor de filosofia Fábio de Lima, o idealizador do projeto.

Fique por dentro!

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi estabelecida em 10 de dezembro de 1948, data que marca o Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado anualmente. O direito à igualdade e não discriminação são princípios fundamentais, expressos pelas palavras de abertura do documento: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

Na época, Fabio estava descontente com as constantes manifestações de bullying homofóbico em sala de aula. “Os alunos usavam expressões pejorativas com muita naturalidade, sem perceber os danos psicológicos que aquilo poderia causar aos colegas”, relata. A ideia de discutir o tema por meio da cultura e da troca de experiências foi abraçada pela direção da escola e por um grupo de alunos, que começou a desenhar o modelo do festival.

Dentro e fora do palco

Quase mil pessoas participaram do Brito sem Homofobia deste ano. Entre elas, a atriz Ana Flávia Cavalcanti, que falou sobre diversidade e contou um pouco da experiência da sua personagem na novela Malhação – Viva a Diferença. Tudo foi organizado por um grupo de 80 alunos, divididos entre várias funções, como decoração, técnico de som e de vídeo, recepção e cronograma.

A coordenadora Inês da Silva Thiago observa que arregaçar as mangas para fazer o projeto acontecer oferece um tipo de experiência que os estudantes não encontram na sala de aula. “O projeto favorece o protagonismo, já que os alunos têm toda a autonomia para trabalharem da forma que acharem melhor, desde a escolha das atrações, o conteúdo que vão trazer e a forma de apresentar. É um trabalho que só vem engrandecer nossa escola”.

Quando entrou na escola, em 2015, Danielle Rabiija, de 18 anos, não simpatizava com a iniciativa. Tinha mais a ver com autoaceitação do que qualquer outra coisa. Hoje, é coordenadora do festival e participa com apresentações de dança e teatro. “É bonito de ver que a cada ano os alunos se envolvem mais, quebram as próprias barreiras e aprendem muito”.

Segundo ela, a redução da homofobia e de outros preconceitos que o festival se propõe a discutir é notável. “Eu acho que a questão do Brito sem Homofobia vai além de discutir as diferenças de gênero, até porque trazemos vários assuntos, como racismo e xenofobia. A gente tá falando de respeito às diferenças, de empatia. Isso tem que ser sempre discutido dentro da escola”, aponta Danielle.

Iniciativa que fortalece

A pesquisa Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas: por que frequentam?, publicada pelo Ministério da Educação (MEC), revela que 19,3% dos alunos indicam que não queriam ter colegas de classe homossexuais, transexuais, transgêneros e travestis. Considerando apenas rapazes, o número sobe para 31,3%.

“Muita gente acha que homofobia é uma manifestação legítima, especialmente quando esse preconceito é baseado em fundamentalismo religioso ou fanatismo. Muitas vezes a discriminação é tão naturalizada que as pessoas nem conseguem reconhecê-la”, observa Fábio.

Para o professor, a conscientização de alunos, professores e comunidade é a melhor maneira de fazer com que todos se sintam integrados e acolhidos, para que a escola se transforme num poderoso meio de combate à discriminação e à violência, sejam elas quais forem.


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