No simples gesto de abrir uma maleta, estudantes de escolas públicas do Nordeste brasileiro passam a contar com recursos que unem inovação e formação docente para enfrentar um dos maiores desafios da educação no país: a aprendizagem de matemática.
A iniciativa faz parte da expansão do projeto Comunidades Digitais no Brasil, conduzido pela American Tower em parceria com o ProFuturo — programa global de educação da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”. A chegada dos kits tecnológicos a 25 escolas públicas de Sergipe e Pernambuco amplia o acesso a ferramentas digitais de qualidade e contribui para promover inclusão, equidade e novas oportunidades de aprendizagem nos territórios que mais precisam.
Cada maleta reúne 30 tablets, um notebook, um roteador, 30 headphones e acesso a uma plataforma de aprendizagem gamificada. A entrega foi oficializada em cerimônia realizada no dia 10 de junho, no auditório da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED), em Aracaju. O evento reuniu autoridades estaduais e municipais, representantes das organizações parceiras e lideranças das redes de ensino, reforçando o compromisso coletivo com um trabalho que já vem sendo desenvolvido nas escolas.

Uma parceria global para transformar a educação
O Comunidades Digitais já beneficia escolas no Chile, na Colômbia, no Quênia, no México, no Peru e na Nigéria, somando mais de 36 mil crianças atendidas e quase 2 mil professores formados em países da América Latina e da África. O Brasil passou a integrar essa rede global a partir de 2024, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa.
No contexto brasileiro, o programa beneficia mais de 3 mil estudantes e mais de 150 professores que passaram por processos de formação continuada oferecidos pelo ProFuturo. “Nosso foco é apoiar educadores e estudantes com soluções que integrem tecnologia e metodologias inovadoras, especialmente no ensino da matemática. Junto ao ProFuturo, atuamos para fortalecer a aprendizagem e contribuir para a redução das desigualdades educacionais no país”, destaca Lia Glaz, diretora presidente da Fundação Telefônica Vivo.
A escolha dos territórios seguiu critérios que combinam a presença do programa Matemática ProFuturo, da Fundação Telefônica Vivo, nas redes de ensino com a localização das torres de comunicação da American Tower, resultando em um recorte estratégico que revela algo importante: a iniciativa não se concentra apenas nas capitais. Ela chega a municípios do interior, a territórios com maior vulnerabilidade social, exatamente onde o acesso a recursos digitais de qualidade ainda é limitado e onde o impacto de uma ação como essa tende a ser mais transformador.
Das 25 escolas beneficiadas, 20 estão em Sergipe. A distribuição foi pensada para contemplar tanto a rede estadual quanto as redes municipais. Assim, 13 kits foram entregues a escolas vinculadas à SEED nos municípios de Aracaju, Campo do Brito, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Salgado e São Cristóvão. Outras sete escolas municipais receberam os equipamentos em Arauá, Areia Branca, Indiaroba, Lagarto, Poço Verde, Ribeirópolis e São Cristóvão. As cinco escolas restantes pertencem à rede municipal de Vitória de Santo Antão (PE).
“Nosso objetivo é apoiar iniciativas que ampliem o acesso à tecnologia e contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades. Ao viabilizar essa infraestrutura, buscamos criar condições para que projetos educacionais como o ProFuturo alcancem seu máximo impacto”, afirma Emerson Hugues, VP e Diretor Geral da American Tower no Brasil.
Tecnologia, formação e prática: o que chega com cada maleta
Cada kit foi estruturado para permitir que toda a turma utilize simultaneamente a plataforma Matemática ProFuturo, que reúne mais de 4 mil exercícios com diferentes abordagens — como representações visuais, desafios, jogos educativos e feedback imediato.
Com isso, os professores acompanham o desempenho individual dos estudantes em tempo real, adaptam as atividades ao ritmo da aprendizagem da turma e tomam decisões pedagógicas com base em dados concretos, tornando o ensino mais personalizado e eficaz.
Mas a tecnologia, sozinha, não é suficiente. Por isso, os equipamentos chegam integrados a um processo robusto de formação docente e acompanhamento pedagógico contínuo, iniciado antes mesmo da chegada das maletas às escolas. Muitos dos professores, inclusive, já participavam de formações e mentorias desde o ano anterior. Em março, foram realizadas formações presenciais com os docentes líderes — profissionais responsáveis por apoiar os colegas, orientar a montagem dos kits tecnológicos e fortalecer o uso qualificado da plataforma em sala de aula.
Tecnologia que engaja e melhora a aprendizagem

Um exemplo concreto do impacto desses equipamentos, quando integrados de forma qualificada, vem da Escola Estadual Poeta Garcia Rosa, em Aracaju. Ao longo do tempo, a escola construiu uma cultura de uso pedagógico das tecnologias que vai além do simples acesso aos dispositivos. Em 2026, esse movimento ganhou ainda mais força com a chegada de seis estudantes monitores, que passaram a apoiar os docentes no uso dos recursos tecnológicos em sala de aula. Esse tipo de iniciativa dialoga diretamente com um dos principais desafios da educação básica. Em Sergipe e Pernambuco, embora entre 71% e 79,7% dos professores de matemática tenham formação adequada, cerca de 24% ainda não possuem formação específica na área. Esse cenário impacta a consolidação dos conceitos e o desenvolvimento das proficiências dos estudantes. Além disso, persistem desafios como a escassez de materiais e a alta demanda por formação continuada, reforçando a necessidade de ampliar o desenvolvimento docente para melhorar os resultados educacionais, conforme aponta o Relatório do MEC – Compromisso Nacional Toda Matemática (2025).
A relevância dessa abordagem se torna ainda mais evidente diante dos resultados de aprendizagem. Na primeira edição da prova TIMSS (Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências) aplicada no Brasil, 62% dos estudantes do 8º ano ficaram abaixo do nível básico em matemática. Nesse contexto, iniciativas que articulam tecnologia, formação docente e acompanhamento pedagógico se consolidam como aliadas fundamentais para apoiar as redes de ensino e impulsionar avanços consistentes.
Mais do que a entrega de equipamentos, a chegada dos kits tecnológicos em Sergipe e Pernambuco representa o fortalecimento de um modelo de transformação educacional. Um modelo que integra conectividade, inovação pedagógica e formação contínua para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e preparar estudantes para os desafios do século XXI.

