Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
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11.06.2026
Tempo de leitura: 6 minutos

Kits tecnológicos ampliam acesso à educação digital e fortalecem aprendizagem em escolas públicas do Nordeste 

Maletas com notebook, roteador, tablets e headphones chegam a escolas públicas por meio de uma parceria global entre American Tower e ProFuturo, que combina infraestrutura, tecnologia e formação docente para fortalecer a aprendizagem em matemática 

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo bibliotecas digitais gratuitas

No simples gesto de abrir uma maleta, estudantes de escolas públicas do Nordeste brasileiro passam a contar com recursos que unem inovação e formação docente para enfrentar um dos maiores desafios da educação no país: a aprendizagem de matemática.  

A iniciativa faz parte da expansão do projeto Comunidades Digitais no Brasil, conduzido pela American Tower em parceria com o ProFuturo — programa global de educação da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”. A chegada dos kits tecnológicos a 25 escolas públicas de Sergipe e Pernambuco amplia o acesso a ferramentas digitais de qualidade e contribui para promover inclusão, equidade e novas oportunidades de aprendizagem nos territórios que mais precisam.

Cada maleta reúne 30 tablets, um notebook, um roteador, 30 headphones e acesso a uma plataforma de aprendizagem gamificada. A entrega foi oficializada em cerimônia realizada no dia 10 de junho, no auditório da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED), em Aracaju. O evento reuniu autoridades estaduais e municipais, representantes das organizações parceiras e lideranças das redes de ensino, reforçando o compromisso coletivo com um trabalho que já vem sendo desenvolvido nas escolas.

Cerimônia em Aracaju (SE) oficializou entrega dos 25 kits tecnológicos. (Da dir. para esq.: Maria Gilvânia Guimarães dos Santos, secretária de Estado da Educação de Sergipe; Felipe Herzog, diretor de Assuntos Públicos da American Tower; Lia Roitburd , gerente de Programas e Estratégias Pedagógicas da Fundação Telefônica Vivo; Genaldo Freitas Lima, diretor do Departamento de Educação; Maria Luiza Rodrigues de Albuquerque Omena, diretora de Educação de Aracaju; Marcel Resende, secretário Executivo da Educação de Sergipe)

O Comunidades Digitais já beneficia escolas no Chile, na Colômbia, no Quênia, no México, no Peru e na Nigéria, somando mais de 36 mil crianças atendidas e quase 2 mil professores formados em países da América Latina e da África. O Brasil passou a integrar essa rede global a partir de 2024, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa.

No contexto brasileiro, o programa beneficia mais de 3 mil estudantes e mais de 150 professores que passaram por processos de formação continuada oferecidos pelo ProFuturo.  “Nosso foco é apoiar educadores e estudantes com soluções que integrem tecnologia e metodologias inovadoras, especialmente no ensino da matemática. Junto ao ProFuturo, atuamos para fortalecer a aprendizagem e contribuir para a redução das desigualdades educacionais no país”, destaca Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo.

A escolha dos territórios seguiu critérios que combinam a presença do programa Matemática ProFuturo, da Fundação Telefônica Vivo, nas redes de ensino com a localização das torres de comunicação da American Tower, resultando em um recorte estratégico que revela algo importante: a iniciativa não se concentra apenas nas capitais. Ela chega a municípios do interior, a territórios com maior vulnerabilidade social, exatamente onde o acesso a recursos digitais de qualidade ainda é limitado e onde o impacto de uma ação como essa tende a ser mais transformador.

Das 25 escolas beneficiadas, 20 estão em Sergipe. A distribuição foi pensada para contemplar tanto a rede estadual quanto as redes municipais. Assim, 13 kits foram entregues a escolas vinculadas à SEED nos municípios de Aracaju, Campo do Brito, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Salgado e São Cristóvão. Outras sete escolas municipais receberam os equipamentos em Arauá, Areia Branca, Indiaroba, Lagarto, Poço Verde, Ribeirópolis e São Cristóvão. As cinco escolas restantes pertencem à rede municipal de Vitória de Santo Antão (PE).

“Nosso objetivo é apoiar iniciativas que ampliem o acesso à tecnologia e contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades. Ao viabilizar essa infraestrutura, buscamos criar condições para que projetos educacionais como o ProFuturo alcancem seu máximo impacto”, afirma Emerson Hugues, VP e Diretor-Geral da American Tower no Brasil.

Cada kit foi estruturado para permitir que toda a turma utilize simultaneamente a plataforma Matemática ProFuturo, que reúne mais de 4 mil exercícios com diferentes abordagens — como representações visuais, desafios, jogos educativos e feedback imediato.

Com isso, os professores acompanham o desempenho individual dos estudantes em tempo real, adaptam as atividades ao ritmo da aprendizagem da turma e tomam decisões pedagógicas com base em dados concretos, tornando o ensino mais personalizado e eficaz.

Mas a tecnologia, sozinha, não é suficiente. Por isso, os equipamentos chegam integrados a um processo robusto de formação docente e acompanhamento pedagógico contínuo, iniciado antes mesmo da chegada das maletas às escolas. Muitos dos professores, inclusive, já participavam de formações e mentorias desde o ano anterior. Em março, foram realizadas formações presenciais com os docentes líderes — profissionais responsáveis por apoiar os colegas, orientar a montagem dos kits tecnológicos e fortalecer o uso qualificado da plataforma em sala de aula.

Estudante da Escola Estadual Poeta Garcia Rosa, em Aracaju (SE), utiliza os equipamentos do projeto Comunidades Digitais.

Um exemplo concreto do impacto desses equipamentos, quando integrados de forma qualificada, vem da Escola Estadual Poeta Garcia Rosa, em Aracaju. Ao longo do tempo, a escola construiu uma cultura de uso pedagógico das tecnologias que vai além do simples acesso aos dispositivos. Em 2026, esse movimento ganhou ainda mais força com a chegada de seis estudantes monitores, que passaram a apoiar os docentes no uso dos recursos tecnológicos em sala de aula.

Esse tipo de iniciativa dialoga diretamente com um dos principais desafios da educação básica. Em Sergipe e Pernambuco, embora entre 71% e 79,7% dos professores de matemática tenham formação adequada, cerca de 24% ainda não possuem formação específica na área. Esse cenário impacta a consolidação dos conceitos e o desenvolvimento das proficiências dos estudantes. Além disso, persistem desafios como a escassez de materiais e a alta demanda por formação continuada, reforçando a necessidade de ampliar o desenvolvimento docente para melhorar os resultados educacionais, conforme aponta o Relatório do MEC – Compromisso Nacional Toda Matemática (2025).

A relevância dessa abordagem se torna ainda mais evidente diante dos resultados de aprendizagem. Na primeira edição da prova TIMSS (Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências) aplicada no Brasil, 62% dos estudantes do 8º ano ficaram abaixo do nível básico em matemática. Nesse contexto, iniciativas que articulam tecnologia, formação docente e acompanhamento pedagógico se consolidam como aliadas fundamentais para apoiar as redes de ensino e impulsionar avanços consistentes.

Mais do que a entrega de equipamentos, a chegada dos kits tecnológicos em Sergipe e Pernambuco representa o fortalecimento de um modelo de transformação educacional. Um modelo que integra conectividade, inovação pedagógica e formação contínua para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e preparar estudantes para os desafios do século XXI.


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