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04.05.2017
Tempo de leitura: 4 minutos

Escola Nelson Mandela vira referência na educação em cultura de paz

Antes conhecida por ter um ambiente de conflito, EMEI Nelson Mandela se transformou após projeto sobre racismo

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Não poderia existir melhor nome para definir a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Nelson Mandela, no bairro do Limão, Zona Norte de São Paulo. Um exemplo de educação em cultura de paz, a escola leva consigo os princípios do líder africano, conhecido pela luta contra o racismo e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993.

Sob a direção de Cibele Racy, o colégio já recebeu cinco prêmios, frutos de um projeto sobre racismo iniciado em 2011. A iniciativa, que mudou a cara da unidade, foi uma resposta criativa à alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando obrigatório o ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira na rede escolar.

Mas a forma como a EMEI envolve pais e alunos vai muito além de regras e leis. Basta passar do portão da escola para sentir que há algo especial.

Sala de aula no meio do jardim, redes entre árvores, parquinho na terra, quadra ao ar livre, teatro de arena, cozinha experimental, horta. Criada em 1950, a escola segue o conceito de parque infantil, concebido por Mário de Andrade quando chefiava o Departamento de Cultura da cidade.

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No interior da escola Nelson Mandela, o visitante se depara com quatro bonecos de pano em tamanho real, a família Abayomi. Ela começou a se formar em 2011, no início do projeto, quando Cibele anunciou entre as turmas a chegada de um príncipe.
“Foram três meses de expectativa. Mas quando Azizi chegou, as crianças levaram um susto, porque ele era um boneco negro”, contou a diretora. A reação dos alunos foi o ponto de partida para trabalhar a questão do racismo e promover a cultura de paz.
Daí em diante, a história envolvendo Azizi só cresceu. Ele se casou com Sofia, uma moça branca, e eles tiveram filhos, oportunidade para abordar também a questão de gênero e orientação sexual.
As famílias dos alunos passaram a participar cada vez mais do projeto, e o ambiente da escola mudou. As brigas entre pais, professores e alunos diminuíram, dando lugar à colaboração.
Em 2012, seguindo o projeto anual sobre a África, o colégio recebeu a visita do escritor nigeriano Sunday Ikechukwu Nkeechi, mais conhecido como Sunny. “Em vez da festa junina, fizemos uma festa brasileira. Os pais se sentiram representados. Grande parte da nossa comunidade escolar é negra”, disse a diretora.

Resistência 
O caminho até uma nova escola não foi fácil. Em outubro de 2011, quando as primeiras iniciativas começaram a se espalhar pelo bairro, frases racistas foram pichadas nos muros da unidade de ensino . Mas a tentativa de intimidação acabou dando ainda mais visibilidade à EMEI e, duas semanas depois, um mutirão de crianças cobriu as mensagens de ódio com pinturas de paz.
Com a morte de Nelson Mandela, em 2013, a escola passou a abordar a trajetória do líder. Em junho de 2016, após anos de mobilização, finalmente conseguiu ser rebatizada com o nome dele, e seu rosto hoje estampa a entrada principal. Os tempos de Guia Lopes, líder das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai, ficaram para trás.

Futuro
Os desafios da EMEI Nelson Mandela se reciclam a cada ano. Em 2017, a unidade decidiu apostar em classes multisseriadas, ampliando o incentivo à diversidade. “A escola faz uma seriação por idade, mas como é possível aprender a conviver com o diferente se a escola faz questão de segmentar?”, questiona a diretora.
Buscando a inserção de todos, os pais são convidados a participar da formação dos professores, compartilhando conhecimentos.  “Acredito que a escola deve ser aberta, um ponto de cultura e formação geral. Todo mundo entra e participa.”

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