Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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04.10.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Estudantes transformam Amazônia em laboratório de ciências

Premiada pelo Desafio Criativos da Escola, a experiência ‘Amazônia, um laboratório natural’ é uma iniciativa da Escola Estadual Professora Maria Belém de Barreirinha (AM)

Como ter aulas práticas de física, biologia e química se a escola não tem laboratório de experimentação? O questionamento foi o ponto de partida para que alguns estudantes do Ensino Médio tomassem a iniciativa de usar a Amazônia como palco de experimentos.

O projeto ganhou vida na Escola Estadual Professora Maria Belém, que fica no pequeno município de Barreirinha (AM), localizado no coração da maior floresta do mundo. Sem laboratório de ciências, os alunos se sentiam desestimulados com as aulas teóricas.

A realidade não é exclusiva dessa escola. O Censo Escolar 2018, divulgado pelo Inep, mostrou que menos da metade (44%) das escolas brasileiras têm laboratório de ciências. Apenas 38,8% das escolas públicas de Ensino Médio tem este espaço de aprendizagem.

Com foco em resolver o problema, um grupo de cinco alunos do Ensino Médio teve a ideia de explorar o privilégio de ter acesso ao maior laboratório natural do mundo e acionaram um professor, que também topou o desafio. Assim nasceu o projeto Amazônia, um laboratório natural, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, iniciativa do Instituto Alana.

Aprendizagem criativa

Apoiados pelo professor de biologia Jonailson Xisto, uma turma de 25 alunos começou a montar um roteiro de estudos com alguns temas que deveriam guiar a exploração na floresta. Viajaram por duas horas de barco até a comunidade São Francisco do Paranã do Moura, onde o espaço da floresta era mais amistoso para a investigação.

Aproveitando a biodiversidade característica da Amazônia, analisaram os tipos de água no entorno: clara, branca e preta. Também exploraram os habitats de várzea e terra firme, estudando conceitos como florestas primárias e secundárias.

Além disso, se aprofundaram no conhecimento sobre a classificação das plantas em briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas e ainda observaram animais diferenciando as serpentes entre venenosas e não venenosas.

Tudo foi acompanhado por vários professores da escola e, aliando conhecimento teórico e atividades práticas, os estudantes puderam enriquecer o aprendizado em matérias, como Biologia, Física e Química. Posteriormente ainda foram promovidos debates e seminários sobre as diversas temáticas.

Usar outros espaços para além do habitual foi tão importante que o contato com o laboratório natural melhorou significativamente o aprendizado dos estudantes e eles ficaram muito mais ativos na troca de conhecimentos.

“É muito importante usar outros espaços além da escola. Um dos fatos mais marcantes é que muitos alunos tímidos começaram a participar das aulas dentro da floresta. Todos queriam contribuir com alguma coisa, ficaram mais curiosos e animados, pois nunca haviam tido aulas como essas: vendo, ouvindo, sentindo tudo em plena natureza”, relata o professor orientador Jonailson Xisto.

O projeto deu tão certo que motivou outros professores a mudarem a forma como trabalham, levando a outras turmas a possibilidade de ampliação do espaço de ensino-aprendizagem. Esse é um exemplo de atividade mão na massa e aprendizagem criativa, que inverte a lógica de currículos tradicionais ao estimular a autonomia do estudante na construção de pontes entre teoria e prática.

É o que enfatiza o pesquisador brasileiro e especialista no tema, Leo Burd, do MIT Media Lab, grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). Sobre o incentivo a atividades como do laboratório natural, ele declarou que “tocar, mexer e experimentar, é essencial. Na pirâmide de aprendizagem, a experiência do fazer é um dos mecanismos mais eficientes para reter o conteúdo”.

Inspiração pelo mundo

A iniciativa de Barreirinha (AM) foi reconhecida pelo Desafio Criativos da Escola 2019. Dos 1.443 projetos inscritos, de todos os estados do Brasil, apenas sete foram premiados e a valorização da Floresta Amazônica contou pontos com os jurados.

Em novembro, três dos estudantes responsáveis pelo projeto e o professor orientador da iniciativa irão a Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Eles participarão de uma Conferência Global com o Papa Francisco e outras lideranças mundiais para compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe com outros 2 mil estudantes de todo o mundo.

“É a primeira vez na cidade de Barreirinha (AM) que alunos ganham uma preparação tão incrível. Poder representar nossa escola, nossa cidade, nosso Amazonas e o Brasil em uma Conferência Global não tem explicação. Ficamos realmente sem palavras! Vai ser um marco na vida de cada um, a vida de cada aluno já não é a mesma. Eles estão se tornando referência e sei que isso é um grande incentivo para que outros alunos tenham a coragem de expressar suas ideias”, afirma o professor Jonailson.


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