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10.06.2020
Tempo de leitura: 6 minutos

Educadores: como trabalhar as festas juninas em tempos de isolamento social?

As festas juninas são vistas como oportunidade de criar vínculos entre a escola e a comunidade. Em tempos de pandemia, os educadores podem usar os recursos digitais para não deixar a data passar sem celebração e aprendizado

Um dos eventos mais aguardados do ano, nas escolas e fora delas, é a comemoração das festas juninas. Além de contar com as famosas barraquinhas de brincadeiras e comidas típicas, a data representa uma oportunidade de reunir estudantes, educadores e famílias para celebrar a coletividade e as diferenças culturais, já que os rituais fazem parte da construção da nossa identidade.

Tendo em vista o potencial de aprendizado de uma celebração, tradicionalmente presencial e coletiva como são as festas juninas, de que maneira as escolas podem se organizar para mantê-la em um contexto de isolamento social? Segundo a educadora, o primeiro passo é resgatar o vínculo entre os educadores e as famílias na educação das crianças e jovens.

“A pandemia representa uma exposição das desigualdades sociais. Mas também tem provado que a educação brasileira é capaz de se renovar, mesmo diante da falta de acesso a recursos”, acredita a pedagoga e consultora educacional, Grace Pereira. “Claro que as iniciativas vão variar de acordo com as condições de cada escola e educador, mas é possível trabalhar atividades que relacionem manifestações culturais e componentes curriculares”, complementa.

Protagonismo, pesquisa e participação

A psicopedagoga e supervisora de ensino, Samantha Ladeira, gravou um vídeo em seu canal para ajudar educadores a contornarem os desafios do momento, como o isolamento social, e pensarem em atividades que estimulem o protagonismo, a pesquisa e a participação por meio de festas juninas online.

“Os educadores podem oferecer possibilidades para que as crianças se apropriem da data com aquilo que sabem ou se sentem confortáveis em fazer, aprendam a valorizar as diferenças e participem bem mais felizes”, comenta a psicopedagoga.

Seja através de grupos online ou videoconferências, os educadores podem convidar pais e familiares para se juntarem às atividades. A ideia, segundo a educadora, é montar um cronograma de aprendizado pensado especialmente para trabalhar saberes relacionados à celebração.

Conheça, a seguir, alguns exemplos de atividades juninas sugeridas pelas educadoras.

Festas juninas, isolamento e você

Contar histórias é uma das formas mais divertidas e lúdicas de ensinar. Que tal convidar os estudantes a quebrarem o isolamento narrando as experiências com as festas juninas? Para essa atividade, incentive-os a procurarem, junto com os pais, fotos de celebrações passadas e relembrarem as histórias marcantes nesta data. Os educadores também podem participar da brincadeira, mostrando fotos de quando eram crianças e contando suas histórias.

Qual é o objetivo? Além das crianças estabelecerem uma relação de identificação, isso ajudará a nortear a investigação sobre suas subjetividades. Competências: escuta, comunicação, imaginação, empatia.

Como pode ser trabalhada? Os educadores podem montar um grupo para que os estudantes compartilhem as fotos no WhatsApp. Outra opção é pedir para que as crianças criem uma caixinha de memórias para montar um mural de experiências, no período pós-pandemia.

De onde vem?

As crianças frequentemente se perguntam sobre a origem dos alimentos que consomem. Será que elas sabem de onde vêm os alimentos típicos das festas juninas? Através de vídeos e imagens, os educadores podem explicar sobre os processos de produção desses alimentos.

Qual é o objetivo? Um dos sentidos por trás da celebração da festa junina é a colheita antes do inverno, por isso esse aprendizado pode ser muito relevante para trabalhar a formação do repertório cultural e a interdependência entre as pessoas e a natureza. Competências: relações sociais, de tempo, espaço, quantidade e transformações.

Como pode ser trabalhada? Além dos vídeos e imagens, os educadores também podem incentivar os estudantes a fazerem receitas com os pais (pipoca, bolo, achocolatado), para observarem a transformação na prática. Caso queiram estender o aprendizado para frutas e verduras, também podem sugerir que as crianças plantem sementes em uma garrafinha pet.

Intercâmbio cultural

A festa junina é comemorada no Rio de Janeiro da mesma forma que é celebrada na Paraíba? Provavelmente não. Por ter origem multicultural e ser um evento marcante em todas as cinco regiões do Brasil, a festa junina foi e é adaptada às diversas realidades do país. Por que não trazer essas diferenças culturais para um debate com os estudantes?

Qual é o objetivo? Fazer com que a turma entenda mais sobre a origem das festas juninas e os costumes de cada comemoração, compreendendo e valorizando as diferenças para formar um repertório cultural mais rico. Competências: empatia, conhecimento, comunicação.

Como pode ser trabalhada? Os educadores podem entrar em contato com outros colegas, de outras regiões do Brasil, para trocarem experiências, fotos, vídeos e vivências da comemoração da festa junina em suas escolas. Caso não seja possível, o educador pode dividir a turma em pequenos grupos de pesquisa.

Trajes e vestimentas típicas

Jardineiras, camisa de flanela, chapéu de palha. Por que usamos esses trajes na comemoração da Festa Junina? Responder a essa pergunta pode trazer uma série de aprendizado sobre a vida de trabalho no campo.

Qual é o objetivo? O chapéu serve para proteger contra o sol, a jardineira é usada para o conforto do trabalho com a terra e a camisa xadrez de flanela protege do frio do inverno que se aproxima no hemisfério sul. Entender o contexto histórico, social e geográfico por trás das vestimentas, aproxima realidades e incentiva a valorização da cultura. Competências: escuta, comunicação, empatia, experiências, repertório cultural, tempos e espaços.

Como pode ser trabalhada? Para a contextualização, os educadores podem mostrar fotos e vídeos. Por fim, vale encorajar os estudantes a procurarem em casa o que tiverem de mais próximo para se caracterizarem, brincarem, tirarem fotos e compartilharem com a turma por meio dos grupos.

Dançando em casa

É claro que o aguardado momento da dança típica não poderia faltar! Mas o importante, dessa vez, não é acertar todos os passos e sim garantir a diversão e o aprendizado, contextualizando a importância da quadrilha para a comemoração.

Qual é o objetivo? Fazer com que os estudantes compreendam a importância da quadrilha para a comemoração e participem de uma atividade divertida, que une participação e interação com os colegas. Competências: empatia, repertório cultural, tempos e espaços.

Como pode ser trabalhada? Os educadores podem gravar pequenos tutoriais, passando uma coreografia simples para que os estudantes dancem em casa com as famílias. É possível reunir todos em uma plataforma de videoconferência para que todos compartilhem esse momento de descontração.


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