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05.08.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Bia Santos empreende para democratizar a educação financeira no Brasil

Confira a trajetória da jovem e por que a educação foi tão importante na sua história

Imagem da Bia Santos

Nome: Bia Santos
Idade: 25 anos
Cidade/Estado: Rio de Janeiro, RJ

A educação foi pauta constante na criação da Bia Santos, 25 anos. Seus pais sempre valorizaram a formação acadêmica e foram os primeiros da família a ingressarem no Ensino Superior. Mesmo sendo da “turma do fundão” na escola, Bia conta que nunca deixou de se dedicar aos estudos.

Foi na escola que a jovem teve a ideia para criar a Barkus Educacional, iniciativa de impacto social que tem por objetivo democratizar o acesso à educação financeira de jovens e adultos. A empresa desenvolveu uma metodologia de ensino que atingiu mais de 2 mil adolescentes em duas escolas atendidas no Rio de Janeiro (RJ). Com a pandemia e o fechamento das instituições, a empresa expandiu a sua atuação para o aplicativo WhatsApp. Hoje, a Barkus foca seu serviço na população adulta, principalmente mulheres e pessoas de baixa renda. Até o final do ano, deve atender a mais de 125 mil pessoas pelo Brasil.

“Nossos cursos de educação financeira agora são 100% via Whatsapp, o que permite alcançar a população que mais precisa”, explica a CEO. “Percebemos que a falta de educação financeira afeta todo mundo, mas principalmente as famílias mais pobres e os grupos minorizados”, complementa.

O crescimento da empresa caminhou em paralelo com sua trajetória acadêmica. Bia se formou em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Porto (Uporto), em Portugal, e recentemente terminou a pós-graduação em História e Cultura Africana e Afro-brasileira pelo Instituto Pretos Novos. “É um tema muito caro para mim. Gosto e sempre conecto com a situação financeira, em especial das famílias minorizadas, seja de raça ou de gênero.”

Bia foi citada pela Forbes Under 30, no especial Inovadores Negros, e participou do Pense Grande Incubação, programa de formação empreendedora da Fundação Telefônica Vivo realizado até 2019.

Qual a importância de falar sobre educação financeira para jovens das periferias?

Quando olhamos para os jovens da periferia, vemos um grupo muito potente, que tem energia para fazer acontecer, para transformar as suas comunidades, as suas realidades, mas que nem sempre recebem a confiança que deveriam.

Olhar para essa população jovem e conversar sobre dinheiro, de como administrá-lo melhor para conseguir chegar mais longe, é essencial. Eu sou prova disso. Se não tivesse tido acesso à educação financeira, é bem provável que não teria começado a empreender. Não só porque não teria conhecido o tema, mas principalmente porque, ao longo dos primeiros anos de negócios, não tínhamos recurso nenhum.

Tive que me preparar para empreender, juntar dinheiro, me organizar. Dinheiro é sobre poder de decisão, é sobre acesso. No contexto em que estamos, com altas taxas de desemprego e de mudanças no mercado de trabalho, é essencial que estes jovens se sintam mais confiantes para ingressar nas suas carreiras.

O quanto a educação foi importante na sua trajetória para chegar até aqui?

Vim de uma família de classe média baixa. Sempre brinco que já peguei a marolinha financeira. Minha mãe e meu pai passaram por muitas dificuldades na infância, mas foram os primeiros da família a se formarem no Ensino Superior. Isso fez com que eu já tivesse maior estabilidade financeira.

Minha mãe me dizia que não poderia esperar por herança nenhuma. No entanto, a maior herança que ela poderia ter me deixado é o acesso à educação de qualidade. Ela colocou isso como o mais importante para a nossa família. Foi essa ideia que fez com que meu avô conseguisse criar os filhos, para que a gente conseguisse evoluir geracionalmente.

Eu era uma nerd diferente. Participava da turma do fundão, mas tirava ótimas notas. Sempre dei muita importância aos estudos por saber da relevância que a educação tinha para a minha família.

Educação foi a base tanto para a minha família evoluir e conseguir me oferecer mais oportunidades, quanto para a minha própria vida. Todas as atividades e cursos foram importantes para criar a Barkus. Educação é o tema principal do meu trabalho e acredito, de verdade, que cada pessoa que passou pela gente, que pude facilitar uma oficina, um curso ou dei uma palestra, teve a oportunidade de melhorar a sua vida. É um círculo virtuoso que me dá um calor no coração. Para a gente chegar mais longe juntos, não existe outra solução se não o investimento e a atenção em educação, seja ela básica, profissionalizante ou financeira.

Quais conselhos daria para um jovem que está no Ensino Médio e enfrenta desafios ou tem questionamentos sobre o seu futuro?

O meu maior conselho é se permitir errar. Os erros fazem parte e a gente aprende muito com eles. Nessa fase, a gente costuma ter muito medo. Eu tinha medo de errar, de escolher a profissão errada, de acabar fazendo besteira, de ir para um caminho que não me fizesse feliz, que não me desse dinheiro. Existe uma forte pressão de termos dinheiro ou um salário logo. O mais importante é levantar rápido, entender qual foi o motivo do erro, aprender com ele e seguir adiante.

O medo de errar trava as nossas ações e faz com que a gente deixe de fazer o que poderia ser muito importante. Se eu tivesse tido medo de iniciar a Barkus, de me jogar no projeto, provavelmente não estaria aqui. Está tudo bem errar, desde que saiba que deu o seu melhor e que aprendeu neste processo.

Para você, acreditar na educação é…

Acordar todos os dias de manhã e saber que estou, de alguma forma, ajudando um pouquinho a alcançar o país que sonho para o futuro.

Acreditar em si mesmo é…

Não desistir daquilo que faz feliz, daquilo que faz ser exatamente quem você é. Durante muito tempo tentei mudar coisas muito importantes para mim, características que faziam com que a Bia fosse a Bia, em prol de me encaixar em determinados espaços. Nunca deu certo. Então, acreditar em si é sobre abraçar todos os seus lados, os mais bonitos e os mais feios, e continuar se desenvolvendo. É ser uma pessoa melhor todos os dias, a sua melhor versão todos os dias.


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