Celebrado em 6 de maio, o Dia Nacional da Matemática convida à reflexão sobre um dos grandes desafios da educação brasileira: melhorar a aprendizagem da disciplina desde os primeiros anos escolares. Em um país em que mais da metade dos estudantes não alcança o nível básico em matemática, experiências que combinam formação docente, uso pedagógico da tecnologia e atenção às diferentes formas de aprender apontam caminhos possíveis e já em prática em escolas públicas de diversas regiões.
É o que acontece na Escola Municipal Joel Nascimento, no Povoado Ascenso, zona rural de Nossa Senhora das Dores (SE), a 72 quilômetros de Aracaju. Nas aulas do 5º ano da professora Maria Eloizi Alves de Menezes, a tecnologia transforma a rotina e amplia o engajamento dos alunos. Uma vez por semana, os tablets entram em cena na sala de aula para o uso da plataforma do projeto Matemática ProFuturo, uma iniciativa do ProFuturo, programa de educação global da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”. O recurso digital tem como objetivo fortalecer o ensino da matemática no Ensino Fundamental.
Com planejamento e intencionalidade pedagógica, Maria Eloizi ajusta o nível de dificuldade das atividades para cada aluno e organiza a turma em duplas colaborativas, unindo estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem. “Os alunos gostam muito. Quando sabem que a aula vai ser com o tablet, ficam mais atentos e focados”, conta a professora. O impacto aparece também nos resultados: cinco alunos da turma foram premiados em um projeto municipal que reconheceu o desempenho em matemática no 5º ano.
Tecnologia como complemento à prática docente
No município de Vitória de Santo Antão (PE), o Matemática ProFuturo começou como projeto-piloto e hoje está presente em mais de 50 escolas da rede municipal. Na Escola Municipal Cônego Pedro de Souza Leão, a professora Maria José Florêncio de Souza integra a plataforma ao planejamento das aulas do 5º ano de forma complementar. “A tecnologia não substitui a aula. Primeiro apresento o conteúdo, depois uso a plataforma para aprofundar e reforçar. Uma coisa fortalece a outra”, explica.
A plataforma apoia o trabalho com temas como numeração, álgebra, sistema monetário e probabilidade, contribuindo para a transição dos alunos para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Recursos como feedback imediato e elementos de gamificação tornam a experiência mais envolvente. “Eles ficam animados com os desafios, com os balões de celebração quando acertam. Isso faz diferença no interesse e no aprendizado”, comenta a professora.
Esse trabalho é sustentado por uma parceria próxima entre escola e secretaria de educação. Em Vitória de Santo Antão, a coordenadora Amanda Maria da Silva apoia as professoras tanto no aspecto técnico quanto pedagógico, orientando o uso da plataforma, a personalização das atividades e o acompanhamento do desempenho dos estudantes. “É uma parceria constante, que dá segurança ao professor para usar a tecnologia com propósito”, destaca.
Engajamento, inclusão e aprendizagem: o que dizem os professores
Uma pesquisa realizada pela Fundação Telefônica Vivo com 361 educadores usuários da plataforma nos estados de Sergipe, Pernambuco e Mato Grosso do Sul reforça a percepção das professoras. Os principais desafios apontados pelos docentes no ensino da matemática são o engajamento dos alunos (179 respostas) e a inclusão de todos os estudantes (158).
Após o uso da plataforma, os próprios professores identificam avanços:
- 201 perceberam maior interesse dos alunos;
- 182 apontaram melhora na aprendizagem;
- 59 destacaram contribuições para a inclusão;
- 61 ressaltaram a facilidade de acompanhar o desempenho individual.
Com mais de 4 mil exercícios, a plataforma combina representações visuais, desafios e jogos educativos, recurso mais utilizado pelos professores, citado por 261 respondentes e permite que o docente adapte atividades aos diferentes níveis de aprendizagem da turma.
A formação continuada é outro pilar do projeto. Dos participantes da pesquisa, 303 já realizaram formações oferecidas pelo Matemática ProFuturo, avaliadas positivamente pela maioria dos educadores.
Por que investir no ensino da matemática
As histórias dessas professoras ganham ainda mais peso diante do cenário nacional. Na primeira edição do TIMSS aplicada no Brasil, 62% dos estudantes brasileiros do 8º ano ficaram abaixo do nível básico em matemática. No Saeb 2023, os estudantes do 5º ano alcançaram nota 225 numa escala de 0 a 500, e ainda não recuperaram o patamar alcançado em 2019.
Esses dados reforçam que melhorar a aprendizagem em matemática exige estratégias consistentes e de longo prazo. E as evidências mostram que fazem diferença o uso pedagógico qualificado da tecnologia, a formação continuada dos professores e a atenção às diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem dos estudantes.
No Dia Nacional da Matemática, as experiências dessas educadoras lembram que ensinar bem a disciplina é um esforço coletivo e que, com apoio, planejamento e boas ferramentas, os números podem, sim, despertar mais interesse, confiança e aprendizado entre crianças de todo o Brasil.

