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27.01.2022
Tempo de leitura: 5 minutos

Educadora desenvolve cão-guia robô para facilitar a locomoção de cegos

O projeto do cão-guia robô Lysa foi criado em conjunto com alunos de uma escola do Espírito Santo. A tecnologia já é usada em shopping centers para guiar cegos

Imagem mostra a professora Neide Sellin, criadora do cão-guia robô. Ela usa uma camisa azul, tem cabelo comprido, está sorrindo para a foto e com os braços apoiados em uma mesa. Ao seu lado, é possível ver o robô. Ao fundo, é possível ver algumas pessoas trabalhando em um ambiente que parece ser um escritório.

Proporcionar autonomia e qualidade de vida para pessoas cegas foi o que motivou a professora de robótica Neide Sellin, do município de Serra (ES), a desenvolver com alunos da Escola Municipal Clóvis Borges Miguel o projeto da Lysa, um cão-guia robô. O nome foi inspirado no primeiro computador criado por Steve Jobs.

“Havia uma aluna com deficiência visual nessa escola. Então, conversei com ela para entender suas dificuldades e isso me despertou o interesse de desenvolver o cão-guia robô. Assim, fiz uma pesquisa com mais de 20 cegos para conhecer seus principais desafios”, conta a educadora, que é formada em Ciência da Computação.

O robô-guia com inteligência artificial tem como objetivo facilitar a locomoção através da busca de rotas seguras. Pesa pouco mais de dois quilos, possui câmeras, cinco sensores, navegação GPS e bateria de oito horas.

Cão-guia é um animal adestrado para orientar pessoas cegas em locais públicos e privados. De acordo com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, o cão-guia é capaz de realizar um trabalho incrível e mudar a vida de uma pessoa com deficiência visual.

No entanto, o protótipo inicial do robô foi feito em 2011 com sucata e outros materiais. A educadora aprimorou o projeto com recursos do CNPq e do Sebrae. E com o avanço das pesquisas e investimentos, o design se adaptou para comportar inovações e potencializar a sua eficiência. Neide participou de programas de televisão como “Caldeirão do Huck” e “Shark Tank”, onde angariou recursos para as melhorias. Atualmente, Lysa é feita com o auxílio de impressoras 3D.

“O caminho percorrido entre a concepção da Lysa e o seu lançamento, em 2017, foi de trabalho duro em busca de investimentos, para que pudéssemos avançar com pesquisas e produção dos protótipos, pessoas capacitadas na equipe, além de construir presença no mercado”, detalha.

Como a Lysa funciona?

Antes de mais nada, esse é o maior questionamento feito por quem escuta falar do cão-guia robô pela primeira vez. Afinal, como um robô pode atuar como um animal treinado, promovendo uma experiência tão segura e libertadora para a pessoa cega?

De fato, Lysa possui funções semelhantes a de um cão-guia graças à programação da sua inteligência artificial, desenvolvida pela professora Neide. O robô é totalmente preciso e automatizado e detecta objetos, obstáculos e profundidade. Além disso, consegue informar qual objeto está à frente, evitando colisões.

Desse modo, a máquina define sua trajetória e o deslocamento do usuário através de ferramentas de navegação, como o Google Maps. E foi essa combinação de funcionalidades que fez com que a Lysa fosse bem recebida pelos usuários, desde a versão inicial.
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“Os primeiros a testarem a Lysa foram pessoas com deficiência visual, na escola pública onde a ideia surgiu. Quando esse grupo teve acesso à primeira versão da Lysa, a ideia foi bem aceita e tivemos bons feedbacks. Uma pessoa disse que acreditava tanto no futuro da iniciativa que começaria a fazer uma poupança para poder comprar uma Lysa”, comenta a professora Neide.

Cão-guia robô reconhecido internacionalmente

Em 2021, Lysa foi um dos projetos citados no TOP 12 Global de Startups no SLINGSHOT 2021, em Singapura. O robô ficou entre os três melhores na categoria “Cidades Inteligentes”, que premia projetos com maior capacidade de atender demandas sem perder a qualidade. Iniciativas de 5 mil startups foram inscritas na premiação.

Igualmente no ano passado, a tecnologia da Lysa foi adotada por um shopping center da cidade de Vitória (ES). Dessa maneira, o Shopping Vitória se tornou o primeiro do país a proporcionar aos consumidores cegos a possibilidade de circular pelo estabelecimento com mais autonomia.

Por outro lado, a idealizadora ainda passa por dificuldades para encontrar investidores que acreditem na importância do projeto e nas suas capacidades enquanto desenvolvedora.

“Desconfiam da efetividade do produto, dos resultados apresentados e até da nossa autoria em iniciativas que ganham visibilidade e reconhecimento. Já tive situações em que me perguntaram quem era o autor da ideia da Lysa, e quando dizia que era eu, uma mulher, as pessoas demoravam um certo tempo para acreditar”, desabafa.

A professora Neide foi convidada este ano a participar da celebração de 20 anos do prêmio Cartier Women’s Initiative, que homenageia mulheres empreendedoras do mundo todo. Em 2018, ela foi uma das ganhadoras do prêmio.

Ainda que o projeto do cão-guia robô esteja cumprindo o seu papel de ajudar pessoas com deficiência visual e até tenha gerado reconhecimento para a educadora, Neide conta que não pretende parar por aí.

“Já tenho outros projetos em mente, que como a Lysa, irão contribuir para um mundo melhor através da tecnologia”, conclui.


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