Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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07.08.2020
Tempo de leitura: 5 minutos

Como a paternidade influencia o processo educacional dos filhos

Pais sensíveis, presentes e afetivos criam uma relação de maior confiança com seus filhos e buscam uma educação diferente da geração anterior.

Imagem mostra um pai e uma filha deitados olhando para um notebook e sorrindo

Existem 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai no registro. Em muitos casos, o nome também não significa presença. Segundo o Instituto Data Popular,  das 67 milhões de mães no Brasil, 31% são mães solo.

Há ainda os pais que preservam o posto de chefe de família, provedor da casa, mais severo e pouco afetivo, que permanecem presos em um padrão de paternidade baseada em antigamente, por outro lado, a figura paterna tem ganhado outros contornos de participação na sociedade.

Aos poucos, outras formas de paternidade estão sendo absorvidas pelos homens, fruto também da luta do movimento feminista ao longo dos anos. Eles estão repensando significados de masculinidade, sendo mais afetuosos e participativos na educação dos filhos.

“As mulheres estão apontando como elas estão sobrecarregadas em casa e no cuidado com os filhos. Os homens começam a reconhecer isso e estão tentando dar os seus próprios passos”, comentada Thiago Queiroz, criador de conteúdo e fundador do portal Paizinho, Vírgula.

Além de Thiago, ouvimos alguns pais para refletirem sobre essa paternidade de hoje, que envolve uma participação mais efetiva na educação dos filhos, mais afeto e novos olhares para o conceito de masculinidade.

 

Educação escolar

“Meu pai não acompanhava a minha vida escolar, apenas brigava quando eu tirava nota baixa. Minha experiência com a paternidade é bem diferente disso”, conta André Luís Corrêa, educador e criador do perfil Educação Contagiante.

O educador criou a página depois de publicar em seu Facebook a decisão de propor novas formas de aprendizado durante o isolamento social para os seus filhos – de 5 e 7 anos.

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André Luís Corrêa, criador da página Educação Contagiante.

André Luís Corrêa, criador da página Educação Contagiante.

Para André, a presença paterna na educação escolar dos filhos costumava ser minimizada, mas toda atuação familiar é educativa. “Eu não acho que a educação acontece apenas dentro da escola. Quando os pais se aproximam dos conteúdos aprendidos e demonstram interesse, essa atitude reflete diretamente no comportamento das crianças”, afirma.

 

Educação pelo afeto

Humberto Baltar é pai do pequeno Apolo, e idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes. Ele conta que se sente transformado pelo processo educacional do filho de diversas formas, mas o mais marcante é poder vivenciar a criação com esse vínculo afetivo.

“Na nossa sociedade o cuidado, o contato, as conversas, tudo fica para a mulher. O homem vai, no máximo, ensinar a jogar bola ou andar de bicicleta. Esse é o papel que a cultura patriarcal machista dá aos filhos”, explica.

Humberto também lembra a importância de ensinar ao filho sobre empoderamento racial, algo que ele sentiu falta durante a infância.  “Eu só fui conhecer a textura e o volume do meu cabelo agora com 30 anos. Não fui educado a me amar na minha totalidade”.

Thiago Queiroz, criador do Paizinho, Vírgula.

Thiago Queiroz, criador do Paizinho, Vírgula.

Para Thiago Queiroz, educar com afeto – e enxergar a infância desta forma – é muito importante porque quebra o paradigma de que as crianças são uma folha de papel em branco.  “As crianças têm suas próprias personalidades, suas construções e cabe a nós respeitar isso. Quando a gente busca por uma educação que centraliza várias preocupações ao redor do vínculo, do afeto e da segurança emocional, isso faz com que essas crianças se sintam valorizadas e pertencentes de suas famílias”, completa Thiago.

 

Educação pela presença e participação ativa

Homens participativos e parceiros, que fazem parte de uma nova geração de pais mais livre e interessada em partilhar o cuidado dos filhos, deve ser a regra.

“Durante muito tempo perdurou a ideia de que um homem forte, não pode reconhecer suas fragilidades, dúvidas e inseguranças. Eu acho que a gente se torna forte quando, justamente, reconhece a nossa fraqueza”, afirma Humberto.

Humberto Baltar, idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes

Humberto Baltar, idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes

Para André, um pai mais participativo é o que marca esta nova geração e uma presença ativa dos pais estabelece conexões mais duradouras e profundas com os filhos. “Eu tive um que trabalhava bastante, mas estava, muitas vezes, distante do universo infantil”. Hoje, ao lado da esposa, ele acompanha de perto o desenvolvimento dos filhos, se envolvendo, inclusive, no universo das crianças. “A memória que meus filhos terão de mim será muito diferente daquela que meu pai me deixou”, complementa.

 

Masculinidade e autoconhecimento

Para Humberto, repensar o significado de masculinidade é um caso de urgência, já que quando era criança lhe foi ensinado que para ser homem era necessário resolver questões de forma violenta ou ter várias mulheres. “Essas ideias passam valores danosos para o homem, pois ele perde as chances de viver uma relação afetiva verdadeira.”, acredita.

André percebe a influência de uma educação baseada no diálogo na interação dos filhos e afirma que os dois não resolvem nada de forma violenta. O que fazemos é dialogar e resolver”.

Ele ainda acredita que o autoconhecimento é fundamental no processo de se tornar pai, e educador. “Ninguém pode dar o que não tem. Ninguém pode ser um bom educador se não estiver comprometido com sua própria educação. Dessa forma, é impossível ser um bom pai se não houver compromisso de tornar-se uma pessoa melhor”, conclui.


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