Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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05.04.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Congresso GIFE reúne grandes nomes do terceiro setor; confira os destaques do encontro

Saiba mais sobre o encontro, que aconteceu em São Paulo e debateu o sentido público do investimento social privado no Brasil.

Durante três dias, debateu-se o sentido público do investimento social privado no Brasil.

Uma reflexão de alto nível sobre o sentido público do investimento social privado marcou a 9ª edição do Congresso GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), fórum bianual que reúne os grandes nomes do terceiro setor do Brasil. Realizado de 30 de março a 1º de abril, na sede da Fecomercio, em São Paulo, o encontro levou a debate as principais questões que tensionam e movimentam o investimento social no país, a partir da atuação de institutos, fundações e empresas.

O ponto alto, no primeiro dia, foi a participação de Darren Walker, presidente da Fundação Ford (segunda maior entidade filantrópica dos Estados Unidos, atrás somente da Fundação Bill & Melinda Gates), que abordou na “Conferência especial: Filantropia e desigualdades” a coordenação de ações direcionadas à justiça social em diferentes países. Ele próprio, como mostra a matéria do Porvir, viveu experiências que o fizeram subir a “escada da mobilidade social” até se tornar professor universitário e comandar, no seu cargo atual, um orçamento que, em 2015, chegou a US$ 580 milhões.

Na declaração do executivo, aqueles que são marginalizados na economia também o são nos processos políticos, resultando em uma grande perda de potencial humano. “Com o passar do tempo, você acaba vendo um sentimento crescente de desesperança, porque as pessoas não acreditam que existam oportunidades verdadeiras. (…) a grande ameaça para a nossa não é o [grupo terrorista] Estado Islâmico, é a desesperança”, afirmou.

No segundo dia de evento, o debate “Entre o público e o privado: Dilemas do alinhamento entre o investimento social e o negócio” levantou as possibilidades de relacionamento entre institutos, fundações e empresas mantenedoras de modo a expandir o sentido público do investimento. Entre as diferentes percepções, os convidados destacaram que, embora não existam “absolutos” neste campo, o rumo do relacionamento entre o negócio e o social deve ser a marca a serviço da causa, e não o contrário. Mencionou se também o apadrinhamento das altas lideranças das empresas e a autonomia para definir o que é “social” como prerrogativas para uma atuação consistente por parte das fundações.

Em meio à programação aberta do congresso, elogiada pelos participantes por estar mais ampla e diversa a cada ano, o painel “Equidade de gênero e raça na educação” reuniu representantes de institutos privados, academia e fundos de direitos – entre eles, Instituto Unibanco, Fundo Baobá pela Equidade Racial, Universidade Federal de São Carlos, Fundo Social Elas e Fundação Carlos Chagas – para discutir experiências de promoção da equidade no contexto da escola pública, focadas em melhorar os resultados educacionais de jovens negros ou contribuir para a maior inserção de meninas em carreiras nas ciências exatas e naturais.

No encerramento do último dia de evento, a Fundação Telefônica Vivo convidou o público a participar da “Oficina Visões de Futuro +15: tendências e construção de cenários”. Ao lado de representantes da empresa parceira, Symnetics, o gerente de projetos sociais Luis Fernando Guggenberger explicou a relevância de se incorporar novas tendências ao planejamento estratégico das organizações e apresentou algumas tendências capturadas pelo estudo “Visões de futuro + 15” em 2016, instigando o público a fazer o exercício de construir cenários prospectivos e especulativos para o futuro.

Estes e outros temas, como o papel do jornalismo nas sociedades democráticas, a articulação público-privada pela Base Nacional Comum Curricular, as formas inovadoras de engajamento no voluntariado corporativo, atraíram um público de aproximadamente 800 participantes para um momento único de aprendizado e troca de experiências. No aspecto macro do debate, conclui-se que o potencial de contribuição social de institutos e fundações vai além dos projetos e programas a que se dedicam, influenciando decisivamente os rumos do país.

De todas as formas, o GIFE criou um importante espaço para lembrar a todos que, em tempos de condutas precipitadas e de vida breve, nos quais se perde facilmente o fio da meada, é importante parar para refletir e resgatar o objetivo maior e comum: transformar o mundo em um lugar melhor. Como ensinou Walker: “Se nos concentrarmos apenas nos nossos projetos, não estaremos capacitando a instituição. Você estará criando um produto, importante, mas não a capacidade da instituição de cumprir sua missão”.

(Crédito da imagem: Divulgação GIFE / Guilherme Tamburus)


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