Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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09.11.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

Ensino de programação a serviço da inclusão

A partir do pensamento computacional, alunos com deficiência intelectual de uma escola em Curitiba exercitam raciocínio lógico, tomada de decisão e trabalho em equipe

Na imagem, grupo de alunos da Escola Primavera estão em pé diante de uma espécie de tabuleiro desenhado com fita no chão durante dinâmica sobre programação

Engajamento, raciocínio lógico, tomada de decisão e resolução de problemas: todos esses benefícios proporcionados pelo ensino de programação também são observados em pessoas com deficiência intelectual. Foi o que aconteceu com os alunos da Escola Primavera, localizada em Curitiba (PR).

Especializada no atendimento de crianças e adolescentes com deficiências, a escola recebeu, em setembro, uma oficina de formação de multiplicadores do Programaê, iniciativa da parceria entre Fundação Telefônica Vivo e Fundação Lemann que tem o objetivo de disseminar a linguagem de programação e o pensamento computacional nas práticas pedagógicas, de modo que alunos e professores sejam protagonistas.

A iniciativa foi parte do programa global Vacaciones Solidárias, que propõe aos colaboradores do Grupo Telefônica doarem duas semanas de suas férias para promover transformação social. Levar conhecimento e inovação aos alunos da Escola Primavera era uma das missões dada aos 13 voluntários de seis países diferentes que passaram por lá.

Além de capacitar os voluntários, a oficina também contou com a participação de algumas professoras da escola. A ideia é que o conhecimento de programação seja replicado para todo o corpo docente e que também seja um eficiente instrumento de inclusão, apoiando novas formas de aprendizado para os alunos da instituição.

Educadores na ativa

A professora Elizabete Kublinsk participou da oficina e se disse encantada com o que aprendeu. “Eu percebi que as etapas da programação exercitam o raciocínio e exige a elaboração de estratégias e isso é exatamente o que nós queremos que nossos alunos façam”.

Agora ela não vê a hora de se inscrever na plataforma para se aprofundar nos cursos sobre pensamento computacional. “Também quero levar essa aprendizagem para os alunos da escola da rede municipal que dou aula. Esse programa leva a pensar, criar e raciocinar, e é bom para todo mundo”, afirma.

A professora de educação física Evelyn Bettinelli Sabatin, que também participou da oficina, ficou surpresa ao descobrir que não é necessário um computador para trabalhar o pensamento computacional. “Isso abriu muito a minha cabeça! Já vou incorporar alguns exercícios que aprendemos, como o carrinho e o labirinto, nas minhas aulas de educação física”.

Um exercício inclusivo

Depois da capacitação, o grupo de voluntários responsável por disseminar os conhecimentos de programação entre os alunos da escola criou uma série de atividades off-line que utilizam estratégias como definição de problema, planejamento em etapas e tomada de decisão.

Uma delas foi o labirinto humano, criado com fita adesiva, papelão e materiais recicláveis. Ao lançar o dado para saber quantas casas deveria avançar, o participante se deparava com algumas opções de caminho, que continham obstáculos ou benefícios.

“Com a escolha do caminho e com os desafios a serem superados, os estudantes exercitavam lateralidade, tomada de decisão, ordem lógica e pensamento processual”, descreve a voluntária argentina Patricia Fort, uma das responsáveis por criar e conduzir  a dinâmica. O jogo ainda trouxe engajamento e trabalho em equipe, além de muita diversão.

Outra atividade realizada com os alunos envolvia o desenho de avatares que representassem seus sentimentos e desejos. Os jovens que estavam passando por algum problema acabaram revelando isso em seus desenhos, que foram trabalhados pelos profissionais responsáveis pelo atendimento psicológico. É a prova de que a programação também apoia o desenvolvimento de competências socioemocionais.

“A minha turma trabalhou com o Programaê e agora está doida para criar joguinhos no computador”, relata a professora Paola Zanini Querne Alves. “Foi importante para eles perceberem que são capazes de atuar numa área que nem imaginavam. É um grande avanço cognitivo!”

O sucesso foi tanto que a direção já pediu uma nova formação para dar continuidade ao trabalho realizado pelos voluntários do Vacaciones Solidárias. “É inclusão que a gente quer e aqui eles fazem de tudo: aprendem, vivem, brincam, namoram. Respondem muito bem quando acreditamos neles”, afirma a diretora Fátima Heraki Floriani, que trabalha na instituição há 25 anos.

Ainda dá tempo!

Você tem até o dia 11 de novembro para participar do movimento global A Hora do Código, promovido pelo Programaê há cinco anos. A ação acontece em mais de 180 países e visa incentivar pessoas de todas as idades a dedicarem uma hora de seu dia à prática da programação. Para participar, é só acessar o site, aceitar o desafio e programar brincando. Bom divertimento!


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