Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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19.01.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Equipe brasileira é a mais premiada na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica

Cinco jovens conquistaram quatro medalhas de ouro e uma de bronze, se tornando a equipe mais premiada da 12ª edição da Olimpíada.

Imagem mostra a silhueta de um homem próximo a um telescópio, olhando para um céu estrelado

Estudantes brasileiros se destacaram na 12ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) que aconteceu nos dias 16 e 30 de novembro de 2020. Devido a pandemia da Covid-19, esta foi a primeira vez que o evento ocorreu de forma remota. O resultado da competição foi divulgado no começo de dezembro e os cinco jovens que participaram conquistaram quatro medalhas de ouro e uma de bronze.

“A experiência foi inesquecível para mim”, define Eduardo Toledo, um dos jovens participantes. Além das medalhas, os estudantes tiveram contato com outros interessados em astronomia e astronáutica e viveram uma experiência transformadora.

 

A Olimpíada

A OLAA é uma competição de astronomia e astronáutica para estudantes do Ensino Médio que acontece anualmente. Ela tem por objetivo estimular e popularizar essas ciências nos países participantes. Foi fundada em Montevidéu, Uruguai, e a sua primeira edição ocorreu no Ano Internacional da Astronomia, em 2009, no Rio de Janeiro.

Durante a competição, os jovens realizam provas teóricas de observação do céu – identificando constelações, estrelas e objetos de céu profundo -, além de provas práticas que podem incluir manipulação de telescópios, uso de cartas celestes, construção e lançamento de foguetes. São quatro provas: duas em grupo e duas individuais.

Nesta edição, a competição foi on-line e a prova prática, de construção de foguetes, foi feita usando o OpenRocket, um simulador.

Nas provas em equipe os grupos são compostos por cinco estudantes, um de cada país. “Isto estimula a integração entre os participantes e mostramos para eles que ciência se faz com cooperação internacional”, explica o professor da UERJ, astrônomo, e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), João Batista Garcia Canalle.

Em 2020, participaram jovens da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. São distribuídas medalhas de ouro, prata e bronze e menções honrosas aos alunos de acordo com o desempenho nas provas, além de prêmios individuais para melhor prova teórica, observacional, em grupo, e de foguetes.

 

Brasileiros reconhecidos

Os estudantes brasileiros Beatriz Rodrigues, Bismark Mesquita do Nascimento, Eduardo Henrique Camargo de Toledo e Vítor Eduardo Costa Santos conquistaram a medalha de ouro. Vítor também foi campeão na melhor prova teórica individual, e a equipe de Bismark foi vencedora na melhor prova teórica de grupo. O aluno Gustavo Sobreira Barroso recebeu a medalha de bronze.

O professor conta que os cinco alunos foram selecionados entre cerca de 100 mil alunos participantes do Ensino Médio com meses de antecedência em comparação aos outros países. “Os competidores do Brasil tiveram mais meses para estudar e mais aulas preparatórias. São alunos que estudam pelo prazer de aprender, e isso é o mais importante de tudo”, finaliza o astrônomo.

“Foi uma jornada demorada que começou em maio de 2020 e só terminou em dezembro, mas que com certeza valeu a pena. Foi uma das experiências mais marcantes que eu tive”, afirma o estudante Bismark Mesquita. Ele é natural de Fortaleza (CE), e foi o único estudante vindo de uma escola pública na equipe brasileira. “Na Olímpiada nós prezamos pela cooperação e não pela competição. É tudo em prol do conhecimento e da divulgação científica”, finaliza o aluno. Apaixonado por astronomia e divulgação científica, Bismark produz conteúdo sobre o tema na página Rapadura Cósmica.

Já a estudante Beatriz explica que a interação com os participantes foi, para ela, o ponto alto da Olimpíada. “É uma experiência indescritível. A gente tem a oportunidade de interagir com os participantes de outros países, já que fazemos provas juntos, e todos com quem eu falei eram muito simpáticos. Eu não senti nenhum tipo de rivalidade. Os meus dois grupos de prova criaram grupos no WhatsApp e a gente trocava dicas uns com os outros”, conta animada.

Três dos alunos medalhistas, Victor, Eduardo e Bismark, foram reconhecidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Eles participaram da 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que teve como tema “Inteligência Artificial, a nova fronteira da ciência brasileira”, e ocorreu em dezembro de 2020.

Habilidades desenvolvidas

Beatriz Rodrigues tem 18 anos e é natural de Juazeiro do Norte, no Ceará. Ela conta que sempre gostou de Ciências e participa da OBA desde o Ensino Fundamental. “O fato do meu irmão mais velho gostar da astronomia e ter ido pra OLAA em 2018 também me influenciou bastante”, relata.

Assim como Beatriz, o estudante de 17 anos, Eduardo Toledo, natural de Valinhos, em São Paulo, já participou da OBA nos últimos anos. No entanto, esta foi a primeira edição em que ele foi classificado a participar na competição latino-americana.

O professor João Canalle explica que todos os estudantes que participam da competição recebem prêmios: medalhas ou menções honrosas. No entanto, o fato de participarem de olimpíadas internacionais abrem portas para quando entrarem nas faculdades. “Eles certamente serão os primeiros a receberem bolsas de iniciação científica. E aqueles que querem estudar em universidades internacionais serão muito bem avaliados”, comenta.

Beatriz – que está estudando para o vestibular do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e pretende fazer engenheira – explica que o aprendizado que levará da Olimpíada ultrapassa os conhecimentos em ciência. “Eu sempre fui muito tímida, mas durante a preparação e na própria olimpíada eu conheci muita gente nova, fiz muitos amigos, alguns até passei a estudar junto. Acho que desenvolvi minhas habilidades sociais”.

“Levo desse evento não só o conhecimento sobre a astronomia, mas também memórias infinitas que ajudam na construção de mim mesmo como futuro cientista latino-americano”, conta Eduardo.

 

 

 

 

Como participar das Olimpíadas

Para participar da OLAA cada país pode levar uma equipe de até cinco participantes, necessariamente mista (com alunos dos dois gêneros), acompanhada por dois professores (líderes de equipe) e observadores.

Nesta edição, a equipe brasileira foi liderada pelo professor Júlio Klafke, do Colégio Objetivo de São Paulo, e co-liderada pelo professor Eugênio Reis, do Observatório Nacional, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com a ajuda dos professores João Batista Garcia Canalle, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e Thiago Paulin, do Colégio Etapa, de São Paulo.

Os alunos brasileiros que disputam a OLAA são convocados por meio das pontuações obtidas na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) do ano anterior.


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