Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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09.12.2020
Tempo de leitura: 5 minutos

ESCOLA DE CURITIBA INOVA COM CLUBE DE PROGRAMAÇÃO PARA MENINAS E REUSO DE LOUSAS

Além do clube de programação voltado para incentivar que mais meninas entrem no mundo da tecnologia, o Colégio Marista Anjo da Guarda conta com um projeto que transforma antigas lousas em módulos de exposição

A turma do clube de programação que tem por foco ensinar meninas a fazer software

“Uau, seria fantástico reunir um grupo de meninas para que todas aprendessem a programar juntas”. A partir dessa ideia, a estudante Luanna Veroneze Quinalha, de 14 anos, criou um clube de programação em sua escola para meninas.

Foi navegando pelo site da Girls Who Code, uma organização internacional que apoia meninas a atuarem com programação e incentiva jovens estudantes a criarem clubes oficiais em suas escolas, que Luana se perguntou por que não trazer essa ideia para o Colégio Marista Anjo da Guarda, em Curitiba, no Paraná.

“Quando a ideia surgiu, achamos que iríamos nos inscrever para ser um clube oficial da organização, mas as inscrições para esse fim de ano estavam encerradas”, explica Luana. “De qualquer forma, nos encontramos uma vez por semana por uma hora, e aprendemos tópicos de nosso interesse dentro da programação. Por exemplo, se a maioria das garotas estiver interessada em desenvolvimento para web, vamos juntas traçar o caminho para tornar isso possível”, completa.

Luana conta que sempre gostou de matemática e física, mas que, como muitas garotas da sua idade, nunca achou que se daria bem com computadores. No entanto, algo mudou a partir do momento em que ela resolveu tentar. “No meu caso, sempre achei que não gostava disso, mas isso definitivamente não veio de mim: assim que comecei, me apaixonei! Então se dê uma chance, e comece! ”.

“Sempre digo que o objetivo final não é a programação: a programação é a ferramenta”, Luana Quinalha.

E para quem, assim como ela, se interessa pelo tema, Luana tem um recado: “Tudo bem errar, e vocês vão errar muito, assim como eu e todo mundo quando começa. Eu comecei a estudar sobre isso este ano, e até ano passado mal sabia ligar um computador.

Não tinha ideia do que estava fazendo, ou aonde queria chegar, então apenas decidi tentar. Para aquelas que acham que não têm nenhuma aptidão para o tema, deem uma chance antes de tomar essa decisão. Digo isso porque é difícil saber até que ponto o que você gosta ou não gosta veio de você, ou se veio do ambiente”.

Os encontros do clube de programação para meninas estão apenas começando, mas a ideia é que seja algo colaborativo e ganhe cada vez mais participantes. “Conforme as meninas ganharem experiência e o grupo cresça, poderemos aprender coisas diferentes umas das outras”, explica.

 

Tudo começa na escola 

“Antes, se dizia que meninas não conseguem fazer matemática. Quando todas as pesquisas descartaram qualquer diferença biológica de gênero, o discurso comum se tornou que meninas não gostam de matemática, e por isso não se saem bem. Um ambiente que influencia meninas a pensarem que só podem ser princesas enquanto meninos sonham em ser engenheiros não contribui em nada para a diversidade nos campos científicos. A importância dessa iniciativa está na luta contra este ambiente típico (claro que há exceções). Se a tecnologia está cada vez mais em nossa vida, só pode ser benéfico ter um grupo diverso por trás dela!”Luanna Veroneze Quinalha

A professora Gizele Teixeira leciona artes e é do corpo docente da escola Marista Anjo da Guarda há 35 anos. Ela conta que acompanhou bem de perto a criação deste clube de programação para meninas.

Como educadora, Gizele acredita que não adianta somente apontar problemas, mas sim soluções, e que este movimento tem que começar no ambiente escolar. “Hoje temos muitas ferramentas disponíveis, como a própria tecnologia, muito acesso à informação, e com isso podemos melhorar e mudar muita coisa”, explica.

Foi pensando nisso que Gizele também esteve à frente de outro projeto totalmente “mão na massa” e que deu um novo uso para as lousas verdes que seriam descartadas no colégio.

Professora Gizele Teixeira

A iniciativa surgiu a partir de uma própria demanda da escola por móveis que pudessem ser usados em exposições. Além disso, a bienal chamada Projeto Acontece, que é realizada há mais de 20 anos no colégio, e que a cada ano destaca um assunto referente ao universo artístico, teve como temática na última edição de 2019, o design. Ou seja, era o momento perfeito para a transformação de utensílios.

Assim, sob a tutoria da professora Gizele e com o apoio da Escola de Arquitetura e Design da PUC-PR, os estudantes do 9° ano do Fundamental foram responsáveis pelo desenho, concepção do conceito e maquete dos protótipos.

Os módulos são totalmente versáteis e se adaptam a qualquer material que será exposto, adquirindo várias formas. Veja a foto.

“A troca com a universidade foi muito rica. É uma parceria que veio para ficar e também foi muito importante para os alunos enxergarem novas possibilidades em relação ao próprio universo acadêmico e, principalmente, para continuar desenvolvendo um novo tipo de pensamento e atitude perante a sociedade extremamente consumista em que vivemos. Para o ano que vem, ou quando a pandemia acabar, teremos novas iniciativas que busquem exatamente esta nova forma de consumir, viver e se relacionar. A semente foi plantada”, finaliza a professora.


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