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28.11.2019
Tempo de leitura: 4 minutos

Escola de São Paulo leva slam para a sala de aula

Batalhas de rima e poesia fortalecem autoestima dos jovens, e ainda, melhoram a argumentação, a articulação e o pensamento crítico em sala de aula.

Alunos da Escola Municipal Altino Arantes posam para foto em grupo segurando uma faixa com os dizeres: Slam Altino

Já ouviu falar em slam? As batalhas de rima e poesia, surgidas nos Estados Unidos na década de 1980, chegaram ao Brasil no começo dos anos 2000, e rapidamente se popularizaram, tornando-se uma manifestação cultural e um instrumento potente das periferias para discutir problemas da sociedade atual como desigualdade, violência e preconceito.

No extremo Leste de São Paulo, o slam foi parar na sala de aula em 2018, na Escola Municipal Altino Arantes. Pautados pelos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, professores e alunos demonstraram interesse em se aprofundar no assunto.

Situada entre três comunidades da região, a escola tem alguns estudante em situação de vulnerabilidade, impactados por questões como desemprego, a pobreza e a falta de moradia digna. O cenário era bem apropriado para um projeto multidisciplinar e instigou os alunos a se expressarem sobre Direitos Humanos usando diferentes linguagens como lambe-lambe, spots radiofônicos e grafite, além de utilizarem o slam como um dos gêneros textuais.

“Uma aluna tinha assistido a uma batalha de slam na Praça Roosevelt”, conta Carolina Lobrigato, na época, professora de português do 8º ano. “Quando citei o slam como gênero textual, ela sugeriu que fizéssemos apresentações na escola também.”

Os 120 alunos do 8º ano encararam então o desafio duplo de escrever sua própria poesia e apresentá-la aos colegas. Os mais tímidos leram, enquanto os extrovertidos capricharam no desempenho. Um aluno ainda não alfabetizado fez questão de participar. Cumpriu todos os processos criativos e, no final, ‘meditou’ o seu slam”, relembra a professora.

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Ser o que você quiser!

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Slam de Pietra da Silva

Lugares nunca antes conquistados

Além de exercitar a escrita, a articulação, argumentação e o pensamento crítico, por meio de um gênero textual ainda pouco conhecido nas escolas, o projeto ajudou a fortalecer a identidade e a autoestima dos jovens.

“Eles se sentiram encorajados para falar de si, compartilhando seus sonhos e também algumas questões que mobilizam a sociedade e os afetam diretamente, como racismo, preconceito linguístico, falta de oportunidades e a violência contra a mulher”, diz Carolina.

“Muitos tinham dificuldade em se reconhecer como negros e como moradores da periferia, se sentiram fortalecidos ao compartilhar seu repertório e seu dia-a-dia.”

Leia também:
Conheça o slam, movimento protagonizado pelos jovens da periferia

Além da sala de aula

Empolgado, um grupo de aproximadamente 30 alunos apresentou seus slams em uma mostra cultural na escola. Pouco depois, o colégio foi um dos vencedores do VI Prêmio Municipal Educação em Direitos Humanos. Logo, surgiram convites para mostrar sua arte em outros lugares da cidade.

“Muitos que nunca tinham saído da periferia, conheceram lugares como a Avenida Paulista e o Viaduto do Chá e tiveram acesso a espaços como a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, conta a professora. Os jovens ainda tiveram a oportunidade de assistir a um filme no cinema e até mesmo aparecerem no programa da Fátima Bernardes.” relembra.

Mesmo após o fim do ano letivo, um grupo de 30 alunos continuou produzindo e se apresentado, criando o Slam Altino – Ninguém cala o nosso grito. Carolina, hoje professora de Educação de Jovens e Adultos na mesma escola, acredita que o projeto multidisciplinar deu cara nova à instituição. “Pudemos discutir Direitos Humanos de forma ampla e trazer toda uma nova percepção sobre o tema, inclusive para os professores”, conclui.


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