Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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28.10.2016
Tempo de leitura: 3 minutos

#Especial Mês do Professor: A educadora Aline Kerber Bruniczak ressalta a importância da escola do campo

Na quarta reportagem de nossa série especial, conheça o trabalho da professora que, com poucos recursos, busca novas estratégias para conquistar os alunos na zona rural

Na quarta reportagem de nossa série especial, conheça o trabalho da professora que, com poucos recursos, busca novas estratégias para conquistar os alunos na zona rural

Nos colégios das cidades gaúchas de Maratá e Montenegro, a 90 quilômetros e 60 quilômetros de Porto Alegre, respectivamente, alunos de 6 a 10 anos reúnem-se em classes multisseriadas, nas quais o professor trabalha com alunos de idades e níveis de conhecimento diferentes. São escolas do campo, onde faltam salas de aula – assim como faltam uniformes. Também há poucos computadores, mas sobra dedicação da professora Aline Kerber Bruniczak, 30 anos, que vem buscando novas formas de ensinar, na tentativa de mostrar a importância do estudo aos alunos e às famílias.

Nas aulas de matemática e geografia, o assunto começa com a colheita, plantio e lida com animais. “Temos um conteúdo muito rico para vincular ao campo e desta forma eles se empolgam muito mais”, conta a professora. “A multisseriação pode ser interessante, mas não quando temos cinco séries no mesmo espaço, sem nenhum auxiliar. A diferença de idade é grande e acabamos perdendo em conteúdo, mas eu gosto muito da zona rural, justamente por ser um ensino diferenciado”, conta Aline.

Segundo a professora, muitos alunos acreditam que por serem do campo precisam permanecer por lá. “Em uma conversa sobre profissões com os mais velhos, 90% dos adolescentes disseram que gostariam de ser agricultores, pois não queriam deixar a cidade onde nasceram para estudar”, diz.

Visando desconstruir essa ideia, Aline pontuou que eles podem cursar graduações como veterinária e agronomia. “Assim surgiram novos interesses de ir para a faculdade. Acho de extrema importância mostrar que estudo e campo não estão separados. Muito pelo contrário. Estão juntos.”

Nesta missão, Aline buscou formação no programa Escolas Conectadas, da Fundação Telefônica Vivo. “A plataforma é bem simples e acessível. Os cursos são muito bons, além da troca com os colegas, por meio de relatos e compartilhamento de conteúdos. Aplico muitos conceitos em sala de aula”, comenta a educadora, que já participou de inúmeros cursos.

Entre as formações, a professora destaca Produção Textual na Cultura Digital e Pomar Doméstico. “Como as famílias trabalham com agricultura, aproveitei para falar sobre as medidas de tempo, a partir do ‘calendário de plantio e colheita’ e ‘hora de trato e ordenha’.

Sobre o acesso à tecnologia, Aline conta apenas com dois computadores em cada escola. “Muitas vezes não conseguimos desenvolver grandes projetos por causa das limitações na estrutura, mas gosto de ensinar a pesquisar, pois os alunos não têm computadores em casa”, explica.

De acordo com a professora, quando acessam recursos tecnológicos, as crianças se sentem importantes e aprendendo. “Vivemos na era digital e os alunos precisam estar preparados, até mesmo para o mercado de trabalho, no futuro.”

Formada em Educação Física, Aline ingressou em sala de aula após se especializar em Supervisão e Educação e Educação Infantil e Alfabetização. “Sempre quis ser professora, desde pequena. Busquei um caminho diferente, mas assim que comecei a atuar em escolas como assistente, eu logo percebi que era aquilo que eu queria.”

Para a educadora, é na fase inicial que os valores das crianças são formados. “São conceitos que eles levam para toda a vida. Fico empolgada de pensar que posso fazer a diferença pra aquela pessoa.”


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