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07.12.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Estudantes de escola pública do campo se destacam em eventos de Ciência e Robótica

Grupo de pessoas posa para foto. Um rapaz faz sinal de joia.

Alunos levam conhecimento para fora da sala de aula e são reconhecidos por projetos inovadores.
Inovação, aprendizado adaptativo, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas e criatividade. Algumas das competências do século XXI, tão importantes para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, foram vividas na prática por alunos da EMEF Zeferino Lopes de Castro, em Viamão (RS), durante momentos distintos.
Convidados para participar de dois importantes eventos na região realizados no mês de outubro – a Feira de Ciência e Tecnologia (MOSTRATEC) e a V Competição Brasileira de Robótica Educacional (COBRE 2016) – os estudantes foram premiados e ganharam destaque por seus projetos inovadores.
Na MOSTRATEC, feira que apresenta projetos de alunos de escolas técnicas e do ensino médio voltados às diversas áreas do conhecimento humano, a escola Zeferino levou para exposição o “Cocho Automático”, vencedor da segunda rodada de projetos realizada este ano na instituição.
Construído a partir de materiais reutilizáveis como correia de bicicleta, cordas de nylon, tábua de pinos e placa de arduíno, o protótipo permite que a ração dada aos cavalos seja liberada automaticamente, em horários programados, sem a necessidade de um trabalho manual.
“Sempre gostei de animais e como eu ajudo meu pai a cuidar dos cavalos no sítio, pensei em fazer algo que pudesse facilitar o trabalho das pessoas que lidam com animais diariamente”, conta o estudante Victor Matheus de Jesus, do 9º ano, feliz pela oportunidade de ver seu projeto concretizado e já decidido sobre seus próximos passos: estudar zootecnia ou veterinária para realizar o sonho de trabalhar com os animais ao lado da família.
“Fazer parte deste projeto foi muito importante. A forma como aprendemos em grupo, fora das aulas normais e colocamos nossas ideias em prática, me fez melhorar muito. Esse é meu último ano e vou sentir muita falta dessa escola”, comenta o aluno em tom de despedida.
O diferencial de ter incluído no currículo escolar a metodologia de projetos de aprendizagem, com uso de pesquisa e tecnologia, também rendeu frutos para a escola Zeferino na COBRE – Competição Brasileira de Robótica Educacional, realizada no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.
A competição envolveu escolas municipais, estaduais, federais e particulares de diversas regiões do estado, com o intuito de promover o incentivo à tecnologia e inovação junto aos jovens, além de ser um espaço para troca de experiências e demonstração dos trabalhos realizados em sala de aula.
Os alunos da escola Zeferino ficaram em 5º lugar, dentre as 36 equipes inscritas, após participarem de uma verdadeira maratona. Foram dois dias de desafios, que incluíam montar um robô com um kit contendo componentes básicos de circuitos para completar diversas etapas, como atravessar um labirinto, subir e descer rampas e ao final, ainda derrotar um robô rival, previamente programado, em um ringue de lutas.
A professora Simone Mendes Costa não escondeu o orgulho em ver seus alunos, de 14 a 16 anos, mostrarem na competição o que aprenderam durante todo o projeto de aprendizagem. “O professor não pode interferir no momento da disputa e é justamente nessa hora que a gente vê o resultado do nosso trabalho. A cada dia eu me surpreendo mais com a evolução deles nas aulas e a vontade de aprender.”
A professora explica que a ideia agora é fazer com que os alunos que mais se desenvolveram nas aulas de robótica auxiliem os colegas e sejam multiplicadores do projeto dentro da própria escola. “Muitos alunos têm uma condição econômica difícil e uma experiência como essa abre um leque de oportunidades. Eu vejo o brilho no olhar deles ao verem que são capazes. E a forma como eles se apropriam do tema e ajudam os outros colegas é inspiradora”.
A EMEF Zeferino Lopes de Castro é uma das 6 escolas inovadoras apoiadas pela Fundação Telefônica Vivo e também faz parte do Programa Escolas Rurais Conectadas, outro projeto da Fundação que busca incentivar a inovação educativa durante o todo processo de ensino-aprendizagem, ampliando as perspectivas para crianças, adolescentes e professores que vivem em contextos rurais no Brasil.


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