Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
Notícias
01.03.2019
Tempo de leitura: 7 minutos

Formação de professores fortalece a cultura empreendedora

Professores se colocam no papel de alunos e se reinventam ao entrar em contato com a metodologia do programa Pense Grande

A melhor maneira de entender a cultura empreendedora é colocar a mão na massa, como descobriu um grupo de professores de 20 ETECs do estado de São Paulo. Na última semana, eles participaram do primeiro encontro de Formação de Multiplicadores do Centro Paula Souza do Pense Grande, que ocorreu na ETEC Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo.

A capacitação explorou a metodologia do Pense Grande, projeto da Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Impact Hub e o Centro Paula Souza, que apoia jovens no desenvolvimento de competências empreendedoras e na criação de empreendimentos sociais que transformem suas vidas e comunidade.

A ideia é que os educadores se apropriem de ferramentas que possibilitem ações inovadoras nas disciplinas de projetos das instituições onde trabalham. A formação vem para fortalecer a cultura do empreendedorismo social com os jovens e estruturar um projeto em rede com engajamento de diversos atores.

“Nosso trabalho indireto com os professores das escolas técnicas existe há muitos anos, mas a formação específica para que possam ser multiplicadores da metodologia abre a possibilidade para que muitos mais jovens participem e até outros professores. Nossa expectativa é ampliar cada vez mais essa rede e também aprender com quem lida com os jovens no dia a dia”, explica Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo.

Ao todo, 95 professores e coordenadores se inscreveram para a capacitação, dividida em cinco encontros que acontecem até o final de abril. A cada reunião, serão apresentadas novas ferramentas da metodologia do Pense Grande e será vivenciado na prática tudo o que muitos alunos das ETECs vinculadas ao programa conhecem bem.

“Minha escola participa do projeto há três anos e sempre acompanhei de perto”, relata a orientadora educacional Tania Maria Bernardes de Almeida, da ETEC Benedito Storani, de Jundiaí (SP). “O que percebo é que os alunos são mais receptivos e os professores, mais resistentes a metodologias inovadoras. Por outro lado, é muito interessante quando o professor está engajado, porque busca um melhor resultado com a classe. Todo mundo saí ganhando”, complementa.

Os professores serão acompanhados de perto pela equipe da Impact Hub e da Fundação Telefônica Vivo. Além das capacitações, haverá tutorias online e presenciais para que tirem dúvidas e discutam o andamento das atividades realizadas com os alunos.

É hora de aprender

Professores que participaram da formação posam para foto.

A primeira etapa de formação durou o dia inteiro e os participantes puderam aprender seis ferramentas diferentes. Entre elas o World Café – que fomenta o diálogo entre os indivíduos e o respeito entre diferentes pontos de vista para construir uma inteligência coletiva – e o Ikigai. Traduzida como ‘razão de ser’, é uma forma de trabalhar temas como autoconhecimento, missão, vocação, profissão e paixões.

Júlio Cesar da Silva, professor da ETEC Abdias do Nascimento prestes a completar trinta anos de profissão, viu um significado especial no dia de aprendizado. “Aqui, no papel de aluno, tenho oportunidade de me reinventar. Gosto de trabalhar metodologias voltadas para adolescentes porque consigo rejuvenescer a minha prática”, afirma.

Como de praxe, a formação do Pense Grande começou com dinâmicas quebra-gelo, na qual os participantes falaram sobre expectativas e discutiram a importância da cultura empreendedora para os jovens do século XXI.

Mais tarde, já reunidos em grupos, levantaram alguns problemas enfrentados no dia a dia, como dificuldade de captar a atenção do aluno, falta de infraestrutura, distanciamento das famílias e dúvidas sobre como agregar tecnologia às aulas.

A partir do levantamento, os grupos receberam a missão de criar uma solução para os problemas elencados e prototipá-la com materiais lúdicos, como palitos, bexiga, barbante, massinha e caneta colorida. Em seguida, os grupos defenderam o projeto em um pitch de 30 segundos.

Surgiram as mais diferentes ideias: captação de parcerias para a criação de laboratórios mão na massa; projeto interdisciplinar para apoio dos pais; mandala com novas ferramentas de trabalho para o professor; indicadores que ajudam a desenvolver empatia e acolhimento e a criação de empresas juniores para demandas internas e externas.

Por fim, os grupos foram estimulados a contextualizar os projetos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Nós percebemos que boa parte das ODS podem ser resolvidas com a mudança da educação. Por isso a importância de trabalhar com metodologias ativas, sala de aula invertida e novos jeitos de pensar”, disse Jefferson Jeansmonodo, professor da ETEC Sapopemba.

Foi o primeiro contato do educador com o Pense Grande. “O que não dá é para a gente continuar com a receita do século XVIII, com a sala de aula antiquada. Por isso foi muito importante participar dessa capacitação, que permite a mudança de visão e ajuda a ir além das limitações estruturais”, disse Jefferson, ressaltando que a maioria dos professores de seu convívio já busca mudar suas práticas.

O aluno no centro do aprendizado

Desde o início de 2018, a metodologia Pense Grande faz parte da grade curricular como disciplina de apoio de algumas ETECs e Fatecs. Além de desenvolver competências importantes para o mercado de trabalho, a cultura empreendedora amplia o protagonismo, a capacidade de mobilização do aluno, além de incrementar as habilidades socioemocionais e a criatividade.

Para o professor Monteiro, que faz parte da Assessoria de Inovação do Centro Paula Souza, os professores hoje precisam ser responsáveis e desenvolver atitude empreendedora para poderem contribuir com uma mudança de mindset dos alunos.

“A capacitação do Pense Grande é um trabalho que reforça o papel do profissional do século XXI. É um projeto que leva para dentro da sala de aula a produção de conteúdo que faz sentido para professores e alunos, além de permitir que os estudantes sejam protagonistas, formando novas lideranças para o Brasil”, diz Monteiro

A ETEC Professora Maria Cristina Medeiros, de Ribeirão Pires (SP), incluiu a metodologia em duas disciplinas no ano passado. A coordenadora Sirlei Rodrigues, que estava participando da formação de multiplicadores, exaltou os resultados. “O ensino do empreendedorismo é fundamental para que os estudantes enxerguem outras possibilidades de futuro, tenham atitude mais positiva, desenvolvam habilidades que nem sabiam que tinham e, assim, reinventem o mercado de trabalho”, contou.

Já a professora Beatriz Giannella, orientadora pedagógica na ETEC Irmã Agostina, de São Paulo, participou do programa piloto da formação de multiplicadores no fim do ano passado e já aplicou algumas oficinas com os alunos.

“Fiz o bingo da empatia com uma sala que estava com problemas de relacionamento. Eles demoraram para entender a proposta, mas depois gostaram porque tiveram a chance de conversar com colegas que não conheciam”, relata Beatriz. Após repetir a dinâmica no primeiro dia a de aula de 2019, ela espera que a formação a faça se aprofundar ainda mais nas ferramentas do programa. “É muita coisa nova para a gente assimilar, mas o potencial é incrível!”.

Números do Pense Grande

– Em 2016, o programa aconteceu em 5 instituições, impactando 103 alunos;

– Em 2017, foram 18 instituições, com mais de 600 alunos beneficiados;

– Em 2018, o programa chegou a 48 instituições, impactando 2.088 jovens.


Outras Notícias

Formação continuada fortalece educadores e impulsiona a transformação da educação pública

14/10/2026

Formação continuada fortalece educadores e impulsiona a transformação da educação pública

De bolsas para futuros professores a formações em competências digitais, iniciativas públicas e da sociedade civil ampliam oportunidades de desenvolvimento profissional para educadores e gestores

Competência ou habilidade? Entenda como a BNCC Computação organiza o que os estudantes devem aprender

06/10/2026

Competência ou habilidade? Entenda como a BNCC Computação organiza o que os estudantes devem aprender

Relator do documento explica como a articulação entre os dois conceitos orienta os currículos e apoia a implementação do ensino da Computação na Educação Básica

Congresso da Jeduca debate tecnologia, alfabetização e os desafios da educação na era digital

01/10/2026

Congresso da Jeduca debate tecnologia, alfabetização e os desafios da educação na era digital

Em sua 10ª edição, evento reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o papel da tecnologia na aprendizagem

Quais são as responsabilidades de um gestor de escola pública na era digital?

29/09/2026

Quais são as responsabilidades de um gestor de escola pública na era digital?

Referencial para Qualidade e Equidade da Gestão Escolar coloca a gestão de dados e a transformação digital da educação como área estratégica da atuação das lideranças escolares

Avanço na educação digital: todos os estados, DF e maioria dos grandes municípios já aprovaram referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação

11/09/2026

Avanço na educação digital: todos os estados, DF e maioria dos grandes municípios já aprovaram referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação

Levantamento feito entre as 73 maiores redes de ensino no país mostra que 82% já realizaram a adequação curricular, um passo importante para a implementação das diretrizes em todo o território nacional

O que é microlearning e por que a metodologia vem ganhando espaço no contexto educacional

04/09/2026

O que é microlearning e por que a metodologia vem ganhando espaço no contexto educacional

Por meio de recursos como vídeos curtos, quizzes e podcasts, microlearning ou microaprendizagem tem se consolidado como uma abordagem pedagógica intencional, alinhada às demandas dos estudantes contemporâneos, ao promover experiências de aprendizagem mais flexíveis, acessíveis e significativas