Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
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14.10.2026
Tempo de leitura: 9 minutos

Formação continuada fortalece educadores e impulsiona a transformação da educação pública

De bolsas para futuros professores a formações em competências digitais, iniciativas públicas e da sociedade civil ampliam oportunidades de desenvolvimento profissional para educadores e gestores

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo formação continuada

Quando um professor se sente preparado, seguro e atualizado, ele também percebe que seu trabalho é valorizado. E isso tem reflexo positivo na sala de aula. Por isso, oferecer formação continuada, incentivos e acesso à tecnologia têm se tornado prioridade para fortalecer a educação pública brasileira.

Nos últimos anos, programas governamentais e iniciativas da sociedade civil vêm ampliando o acesso à formação continuada, ao desenvolvimento de competências digitais e à valorização da carreira docente. Juntas, essas ações contribuem para fortalecer as redes públicas de ensino e apoiar os profissionais que estão na linha de frente da aprendizagem.

Os motivos para esse investimento são evidentes. Os professores são o principal fator escolar associado à aprendizagem dos estudantes. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, de 2024, mostra que eles respondem por 65,7% do resultado de aprendizagem no Ensino Fundamental e por 47% no Ensino Médio.

Apesar da relevância da profissão, os desafios permanecem. Dados do Censo Escolar 2025, revelam que parte significativa dos docentes brasileiros ainda não possui formação adequada à área em que leciona. Na Educação Infantil, o índice de professores com a formação exigida é de 63,3%; nos anos iniciais do Ensino Fundamental, 74,9%; nos anos finais, 60,4%; e no Ensino Médio, 68,2%.

O cenário é ainda mais desafiador em áreas estratégicas, como Matemática e Ciências. Dados do Censo apontam a necessidade de ampliar o número de profissionais nessas disciplinas para atender à demanda das redes públicas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Ao mesmo tempo, novos desafios se impõem ao cotidiano escolar. O avanço da cultura digital, a implementação da BNCC Computação, o uso crescente de tecnologias educacionais e o surgimento da inteligência artificial exigem que educadores desenvolvam continuamente novas competências para integrar esses recursos às práticas pedagógicas de forma crítica, ética e significativa.

Nesse contexto, a formação continuada deixa de ser apenas uma oportunidade de atualização profissional e passa a ser um elemento essencial para a transformação da educação.

 

Programas fortalecem a carreira docente

Lançado em janeiro de 2025 pelo governo federal, em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal, o programa Mais Professores para o Brasil nasceu para ajudar na valorização na carreira e formação continuada, com iniciativas que vão da seleção de novos docentes ao reconhecimento de quem já está em sala de aula.

O Pé-de-Meia Licenciaturas é uma bolsa mensal de R$ 1.050 para incentivar estudantes com nota igual ou superior a 650 pontos no Enem a cursarem e concluírem um curso de licenciatura presencial.

Já a Prova Nacional Docente (PND) é uma avaliação anual que pode ser usada pelos estados e municípios como etapa de seus processos seletivos. A adesão das redes de ensino é voluntária e a forma dos concursos também segue sendo definida pelos gestores estaduais e municipais, mas a medida tende a facilitar a contratação de professores.

Para enfrentar o problema da falta de professores, a Bolsa Mais Professores estabelece um benefício de R$ 2.100 por mês para docentes que aceitam atuar em regiões ou áreas de conhecimento com carência de profissionais. O incentivo é pago por até dois anos, e inclui a realização de uma pós-graduação lato sensu em docência durante esse período.

O eixo de valorização do programa reúne benefícios voltados a quem já está na sala de aula. A Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) é um documento oficial, válido por dez anos, que dá acesso a descontos culturais e a outras vantagens do Mais Professores. Já a ação #TôComProf convida empresas a oferecer descontos mínimos de 10% a professores em serviços como alimentação, saúde, cultura e transporte.

Outro destaque é o Reconhecimento Mais Professores, lançado em outubro de 2025. Ele contempla 100 mil docentes das escolas com melhores notas no Ideb, incluindo unidades em contextos socioeconômicos mais desafiadores. Os selecionados recebem crédito de R$ 3 mil para a compra de computadores, notebooks, tablets ou minicomputadores novos, mediante prestação de contas posterior.

As iniciativas de valorização não se limitam aos professores. Há iniciativas como o Proditec, de formação continuada para diretores escolares e técnicos das secretarias de educação, e o Profuncionário, voltado às equipes de apoio técnico-administrativo, reforçam que o fortalecimento da escola pública depende da qualificação de todos os envolvidos na comunidade escolar.

 

Plataformas digitais incentivam formação e autoavaliação

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ajudam a impulsionar as iniciativas, especialmente as relacionadas à formação continuada.

Entre as ações do Mais Professores para o Brasil, está o Portal Formação, que concentra informações sobre licenciatura, especialização, mestrado, doutorado e formação continuada oferecidas por instituições de todo o Brasil, de forma presencial e online. O portal dá acesso a duas plataformas: o Avamec e o Avamec Interativo.

O Avamec é o ambiente virtual padrão do MEC voltado para cursos à distância autoinstrucionais (quando você estuda sozinho no seu próprio ritmo), enquanto o Avamec Interativo possui programas de formação que exigem colaboração e mediação síncrona (com interação direta entre os participantes e formadores).

Os cursos reunidos nas plataformas são oferecidos diretamente pelo ministério ou em parceria com universidades ou instituições da sociedade civil. A Fundação Telefônica Vivo é uma das instituições selecionadas pelo MEC para ampliar a formação digital de docentes e gestores.

Desde maio de 2025, o Avamec disponibiliza 24 cursos do programa Escolas Conectadas, que somam 1.440 horas de conteúdo, em formações assíncronas e autoinstrucionais de 20 a 60 horas, certificadas por instituições reconhecidas pelo MEC.

Os cursos foram organizados para atender aos três eixos da Matriz de Saberes Digitais Docentes, publicada em 2024: ensino e aprendizagem com uso de tecnologias digitais, cidadania digital e desenvolvimento profissional.

 “A parceria da Fundação Telefônica Vivo com o MEC reforça o nosso compromisso em promover a tecnologia como aliada da educação pública. Ser professor é um ofício desafiador e complexo em um mundo cada vez mais digital, que demanda profissionais capazes de aprender a aprender”, afirma a Diretora-presidente da Fundação, Lia Glaz.

 

Autoavaliação guia professores e políticas públicas de formação docente

Dentro do Avamec, os educadores encontram também o Autodiagnóstico de Saberes Digitais Docentes, um questionário gratuito que ajuda o professor a identificar seus pontos fortes e o que precisa aperfeiçoar em relação ao uso pedagógico da tecnologia.

Entre janeiro de 2024 e abril de 2025, mais de 75 mil educadores responderam ao teste. A maioria ainda se encontra nos níveis iniciais de apropriação digital, um indicativo de que a demanda por formação nessa área segue grande.

A autoavaliação é um bom ponto de partida para o professor decidir quais cursos de formação continuada fazem mais sentido para sua realidade. Os resultados também têm sido usados para desenhar políticas públicas de formação continuada voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e associadas à implementação da BNCC Computação.

Um exemplo de uso da autoavaliação está nas estratégias formativas voltadas ao uso pedagógico de tecnologias que vêm sendo formuladas pelo programa Competências Digitais, da Fundação Telefônica Vivo, em parceria com secretarias de Educação. Em diversas redes de ensino, os professores são estimulados a responder o questionário para, então, serem direcionados a trilhas de cursos mais específicas.

Estas estratégias locais têm como diferencial a combinação de cursos online e presenciais. A conexão com o chão da escola é reforçada, ainda, pela figura do professor multiplicador, docente formado pelo programa que se torna uma referência e contribui para a troca de experiências e a disseminação de práticas.

Modelos híbridos de formação continuada tendem a apresentar resultados superiores aos exclusivamente online. Ao combinarem a flexibilidade do aprendizado digital com a profundidade das interações presenciais, evitam o isolamento do professor, equilibrando o conhecimento teórico com a prática coletiva.

 

Investir nos educadores é investir no futuro da educação

Do incentivo financeiro à qualificação técnica, passando por plataformas gratuitas e formações híbridas, o conjunto de iniciativas reforça que investir no professor é investir diretamente na aprendizagem dos estudantes.

Programas como o Mais Professores para o Brasil, somados a frentes como o Avamec e iniciativas da sociedade civil, como o programa Competências Digitais e o Escolas Conectadas da Fundação Telefônica Vivo, ampliam o acesso de professores, diretores e técnicos a oportunidades de desenvolvimento profissional.

Ao combinar políticas públicas, inovação, tecnologia e desenvolvimento profissional, essas ações contribuem para preparar educadores para os desafios de um mundo em constante transformação.

Mais do que acompanhar mudanças tecnológicas, a formação continuada permite que professores e gestores atuem como protagonistas da transformação digital da educação, criando experiências de aprendizagem mais inclusivas, significativas e conectadas às demandas do século XXI.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre formação docente e formação continuada?

A principal diferença é o momento em que cada uma acontece. A formação docente, também chamada formação inicial, prepara o professor para lecionar realizada em cursos de licenciatura. Já a formação continuada ocorre ao longo da carreira, com especializações, oficinas e estudos, para aprimorar a prática pedagógica diante das transformações sociais e tecnológicas.

O que é o Mais Professores Brasil?

O Mais Professores para o Brasil é um programa do Ministério da Educação (MEC) para valorizar, qualificar e atrair profissionais para a educação básica pública, busca enfrentar a escassez de docentes e fortalecer a qualidade do ensino.

Formação continuada é uma política de valorização do professor?

A formação continuada é uma forma fundamental de valorização do professor. Ela promove desenvolvimento profissional, reconhece o aprendizado como um processo contínuo e oferece ferramentas para enfrentar desafios escolares com mais confiança e motivação.

O que é formação docente híbrida?

A formação docente híbrida é uma estratégia de desenvolvimento profissional para professores que combina encontros presenciais, momentos online síncronos (ao vivo) e trilhas assíncronas (no próprio ritmo), mediados por tecnologias digitais e metodologias ativas.


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