Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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11.06.2018
Tempo de leitura: 6 minutos

Fórum de finanças sociais debate empreendedorismo para jovens

Evento reuniu especialistas nos dias 6 e 7 de junho em São Paulo para discutir os desafios do empreendedorismo de impacto social

Especialistas discutem em roda de conversa no palco do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto

O Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto reuniu em São Paulo nos dias 6 e 7 de junho, empresas, organizações sociais, acadêmicos e empreendedores do Brasil e do exterior para debater os desafios do setor.

Estiveram presentes nomes como Dj Bola (A Banca), Adriana Barbosa (Instituto Feira Preta), Tonya Surman (Center for Social Innovation) e Sasha Dichter (Acumen). Muito se falou a respeito de romper as barreiras entre governo, grandes empresas, empreendedores e organizações sociais – o que foi chamado de “estourar as bolhas”, principalmente em relação às periferias.

Uma das mesas do evento, Os desafios na formação de talentos, contou com especialistas de quatro diferentes projetos, para discutir o empreendedorismo social entre os jovens da periferia.

“Logo mais será imoral investir sem impacto”,
provocou Amit Bhatia, CEO da The Global Steering Group for Impact Investment, na abertura do evento.

Rubem Saldanha, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, falou sobre o Pense Grande, programa da Fundação de difusão da cultura do empreendedorismo de impacto social com tecnologia digital a jovens brasileiros.

Segundo ele, o grande desafio é sensibilizar os jovens para que eles acreditem que são capazes de empreender e sonhar. “Como buscar algo dentro da sua realidade, para que seu negócio tenha impacto na sua comunidade?”, perguntou Rubem.

No Pense Grande, essa sensibilização ocorre por meio das oficinas do Jogo se Vira, que incentiva os jovens a buscarem soluções. “Isso é empreender”, disse o Rubem.

O programa tem atuação em diversos pontos do país formando e incentivando a juventude a criar e implementar novas soluções e oportunidades para a transformação de suas vidas e das pessoas a seu redor e se divide em 3 estratégias: formar, apoiar e fortalecer.

A terceira estratégia tem o objetivo de fortalecer o ecossistema e buscar apoio junto a instituições e iniciativas. “Foi dentro desse contexto que a Fundação Telefônica Vivo apoiou o Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto”, celebrou Rubem.

Confira a seguir os principais destaques do Fórum:

Empreendedorismo e cidadania

Gabriel Rodrigues, participante do Pense Grande em 2017, acompanhou os dois dias de Fórum. “Os debates foram muito provocativos. É importante sair do lugar comum. Precisamos evoluir como ecossistema e romper as barreiras entre startups, governo e grandes empresas”, disse o jovem.

Participante do Pense Grande, Gabriel disse que o programa foi essencial para o seu desenvolvimento como empreendedor. “Ampliou muito a visão do negócio, além do desenvolvimento pessoal. Estou muito animado na continuidade da Payprev, o aplicativo que criei para desenvolver planejamento financeiro para jovens”.

Na mesma mesa, Patrícia Siqueira, do Movimento Choice, pontuou que ser empreendedor nem sempre significa abrir um negócio, mas que empreender socialmente tem uma ligação direta com o exercício da cidadania.

“Por isso desenvolvemos programas de inovação empreendedora, observando o território com carinho, empatia e criando um espaço de acolhimento para os corações de quem quer mudar o mundo”, disse Patrícia.

Empreendedorismo e educação

Fabiana Ivo representou A Banca, uma produtora cultural e social de impacto positivo, que começou no Jardim Ângela, bairro marcado pela violência nos anos 90 em São Paulo. “Entre nossos seis serviços, um deles é no campo da educação, sempre com o objetivo de conectar as pessoas na quebrada”, explicou Fabiana.

Segundo ela, o maior desafio do projeto é justamente combater a violência. Para isso, foi desenvolvida uma metodologia na intenção de unir pessoas com os mesmos propósitos para debater ideias em comum, proporcionando a vivência urbana e transitando por linguagens como Hip Hop e literatura marginal. “A educação é a possibilidade de ampliar horizontes com pessoas de diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. Nosso propósito é quebrar os muros e as barreiras existentes”.

Empreendedorismo e valores

Professor da disciplina Negócios com Impacto Social (NIS), na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Edgard Barki acredita que quando falamos de empreendedorismo é preciso chegar ao coração dos estudantes e não à racionalidade.

“Empreendedorismo social é menos sobre conceitos e mais sobre valores. Sempre levo os alunos ao campo, a comunidades e periferias, para que trabalhemos em conjunto com a comunidade”, contou.

A partir desse contato, é estabelecido um desafio, como a implementação de uma cooperativa de reciclagem na Vila Prudente, em São Paulo, por exemplo. “Quero mostrar que há outro jeito de pensar negócios com pessoas que os alunos não teriam nenhuma ligação. É um trabalho imenso, gostoso e cheio de desafios. Vale a pena, porque no final você vê que fez alguma diferença”.

Durante o Fórum, quatro incubadoras foram premiadas pelo Programa Incubação e Aceleração de Impacto – uma iniciativa do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenos Empresas (Sebrae) – com apoio da Fundação Telefônica Vivo. Concorreram ao prêmio 45 incubadoras e aceleradoras de 17 Estados do Brasil.

Na região Sudeste, venceu o projeto Habits Incubadora-Escola. O representante Bruno Trivellato comemorou a vitória e disse que o prêmio é um grande incentivo aos projetos da incubadora, que atua na zona leste, em região de vulnerabilidade social.

O jovem, de 24 anos, deixou o emprego em uma grande multinacional, com o sonho de desenvolver negócios de impacto. “Tudo isso mostra que tomei a decisão certa e não vou precisar esperar ter mais de 40 anos para fazer algo transformador”, disse.

Vencedor da região Centro-Oeste, Henrique de Oliveira, 25 anos, também celebrou a vitória. Pela primeira vez em São Paulo, ele faz parte do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, da Universidade de Brasília (UnB) e se lembrou dos outros colegas que trabalham com ele.

“Somos uma grande equipe e o prêmio irá nos possibilitar expandir as atividades da incubadora”, revelou. Ele estava acompanhado da professora Sônia Carvalho, que desenvolve projetos na UnB, justamente para garantir o acesso de jovens ao mercado de trabalho.


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