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05.07.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Inovação em Pernambuco é reconhecida pelo Prêmio Professores do Brasil

O professor Isaías Silva recebeu o prêmio na categoria regional e nacional pelo projeto que desenvolveu com os alunos de escola rural em Vitória de Santo Antão

Professor Isaías Silva, vestindo terno e óculos, está erguendo troféu no palco do 11º Prêmio Professores do Brasil.

Os avanços na educação brasileira não estão distantes da realidade. O  Prêmio Professores do Brasil surge justamente para reafirmar essa perspectiva, divulgando referências de práticas pedagógicas que tiveram êxito no campo da educação e tem como objetivo reconhecer os educadores que estão no centro do processo inovador de ensino e aprendizagem.

Dentre os destaques da 11º edição, o professor Isaías da Silva, da rede de ensino de Vitória de Santo Antão (PE), ganhou mais do que apenas um prêmio em 2018: conquistou a formação crítica e cidadã de seus alunos.

O projeto Cadê os Indígenas nos Livros Didáticos? Têm Indígenas em Pernambuco?, idealizado pelo professor, aconteceu na Escola Multisseriada Santa Terezinha do Menino Jesus. Durante 15 dias, alunos dos 4º e 5º anos e toda a comunidade de Chá de Serraria, localizada na área rural de Santo Antão, realizaram atividades de pesquisa e reflexão sobre a imagem construída dos povos indígenas.

“A inovação desse projeto está no fato de que os próprios alunos puderam ser avaliadores e pesquisadores dos seus livros didáticos, trabalhando de forma interdisciplinar”, conta Isaías sobre a experiência. “Ter conquistado o primeiro lugar na categoria regional e nacional na premiação foi de extrema importância para afirmar nosso potencial enquanto escola rural, e também para redesenhar nossas práticas cotidianas”.

Da pesquisa ao reconhecimento

Segundo o próprio Isaías, o caminho que trilhou como pesquisador foi fundamental para idealizar o projeto que o levou a receber o prêmio. Nascido na cidade de Camocim de São Félix (agreste Pernambucano), partiu para Caruaru, em 2012, para cursar Pedagogia na Universidade Federal de Pernambuco -Campus acadêmico do Agreste-UFPE/CAA. Desde então, não parou de estudar e, atualmente, está para concluir o Mestrado.

Durante seu período formativo, teve a oportunidade de se aprofundar em pesquisas sobre escolas campesinas, apostando no diálogo professor-aluno-comunidade como tese. Em 2016, foi aprovado no concurso público municipal de Vitória de Santo Antão e enviado como professor dos anos iniciais para a Escola Santa Terezinha do Menino Jesus, onde assumiu não apenas a função de educador, mas também a de gestor e administrador.

A partir de então, começou a pensar em maneiras de envolver os alunos em uma reflexão crítica da sociedade em que viviam. Foi assim que nasceu o projeto que se dedicou a reavaliar a imagem dos povos indígenas retratada nos livros didáticos.

Para o educador, o reconhecimento mais valioso de suas práticas veio a partir da colocação de um dos alunos. “Nós não somos matutos como as pessoas costumam pensar, só porque moramos no campo. Nossa escola ganhou mais um prêmio, professor!”, conta Isaías sobre a reação do aluno, acrescentando que este foi o momento mais marcante de sua atuação.

Para inovar não é preciso atravessar oceanos

Como vencedor da categoria de 4º e 5º ano do Prêmio Professores do Brasil, na etapa regional e nacional, o professor ganhou uma viagem de intercâmbio para conhecer o sistema educacional do Canadá. Mesmo após ter tido a experiência de conhecer uma das cinco maiores potências mundiais, Isaías continua a defender que a inovação não está distante da realidade brasileira.

“Estive com 30 professores de todo o Brasil, cada um no seu contexto de possibilidades e desafios, e todos eles estão inovando porque acreditam que sem a educação não podemos mudar o mundo”, afirma o educador.

Isaías ainda conta que o tempo no Canadá transformou ainda mais sua visão sobre o que é inovação. Hoje, ele acredita que inovar não depende necessariamente de usar ferramentas extraordinárias, mas sim trazer aquilo que é “comum” sob uma perspectiva diferente.

“Avanços a gente tem e não são poucos. O maior desafio é motivar os professores a acreditar que são protagonistas deste movimento. É na troca entre pares, no diálogo e na cumplicidade que está o prazer de ensinar”, finaliza.

Entenda melhor a construção do projeto

Para fazer os alunos se identificarem com o tema, Isaías trabalhou em conjunto alguns dados históricos. O descobrimento do Brasil foi contado a partir da perspectiva dos povos indígenas, documentários mostraram a cultura e a religião indígena nos dias atuais e a geografia das aldeias foi estudada com detalhes.

A turma então analisou os livros didáticos para quantificar as aparições dos povos indígenas e, a partir daí, foram produzidos textos, cartazes e reflexões sobre o tema.

Inspirados pelo projeto, mais uma dúvida surgiu: existem indígenas em Pernambuco? O professor levou a turma até os laboratórios de informática e eles pesquisaram até encontrar 12 povos que vivem no Estado atualmente. E esse foi o primeiro passo para que toda a comunidade tivesse acesso, a partir da escola, a essas descobertas históricas.


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