Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artifical: Caminhos para a BNCC Computação"

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14.06.2021
Tempo de leitura: 5 minutos

Jovem apaixonado por astronomia consegue recursos para estudar na Nasa

Arthur que desenvolveu um telescópio com material reciclável, é estudante amador de astronomia e se prepara para aprender mais sobre o tema na agência internacional

Arthur Felipe, jovem astrônomo que fez um telescópio com material reciclado e agora vai estudar na Nasa

 

Ao olhar para o céu da cidade de Martins, a 362 km de Natal (RN), Arthur Felipe soube que seus sonhos não teriam limites e, enquanto observava as estrelas, ainda na infância, descobriu sua paixão e a carreira que seguiria para a vida, a astronomia.

“Eu era uma criança que brincava muito de soltar pipa, jogar pião e correr pela rua, mas minha fascinação mesmo sempre foi o céu. Comecei a gostar de astronomia desde que olhei para ele”, diz.

Aos 18 anos, sua história e sua dedicação pela área de estudo chamaram a atenção das pessoas. O garoto virou notícia nos jornais e na TV e, em abril, participou de um quadro The Wall, do programa Caldeirão do Huck. Ali, ganhou um telescópio de verdade e conseguiu verba suficiente para estudar fora do país. O destino não poderia ser outro: a Nasa, nos Estados Unidos.

“É um passo enorme para o que eu quero para o meu futuro. Eu vou fazer o curso Space Camp, voltado para jovens e adultos, que oferece treinamento para se tornar astronauta”, comemora Arthur.

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Caminhada em busca do sonho

Nos passeios e nas brincadeiras, Arthur, desde garoto, esteve conectado ao mundo da astronomia. “Eu assistia aos Cavaleiros dos Zodíacos, e eles falavam de algumas constelações e galáxias, como a Andrômeda. Eu tirava inspiração dali. Aos 8 anos, já identificava muitas constelações e planetas no céu e alguns fenômenos astronômicos também”, conta.

Ele recorda da primeira vez que, sem se dar conta, viu um cometa, enquanto estava em um acampamento de escoteiro. “Eu não tinha conhecimento algum, mas sabia que era alguma coisa. No outro dia, passou na televisão uma reportagem sobre esse cometa, que foi visto por poucas pessoas. Eu estava cada vez mais encantado por isso.”

Seu maior desafio era alcançar o sonho com recursos mínimos, sem acesso aos materiais de estudos, que são caros e pouco acessíveis. Desde pequeno, Arthur vive com a avó materna e a renda familiar vinha da aposentadoria dela. A solução foi estudar astronomia de forma independente. A dedicação a essa ciência o transformou em um astrônomo amador, que faz observações a partir de instrumentos em casa mesmo.

Foi assim que ele criou, aos 15 anos, seu primeiro telescópio, feito com materiais recicláveis. “Eu produzi para uma feira de ciências da escola. Era simples, mas tinha bom funcionamento”, diz. O rapaz conta que usou cano PVC, lentes de um monóculo antigo e lentes côncavas. “Com elas, eu achei um diâmetro focal ideal para fazer o aparato”, afirma. Foi um sucesso no evento e na cidade.

Em 2017, Arthur conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e também desenvolveu o projeto Ciências de Norte a Sul, para explicar as características da lua para crianças do Rio Grande do Sul.

Para continuar com os estudos e levantar recursos para comprar um telescópio de verdade, o garoto acordava de madrugada para preparar empadinhas para vender nas ruas da Zona Rural de Martins. Chegava a vender mais de 50 salgados por dia. “Era muito difícil conciliar o trabalho com os estudos, mas estava motivado a alcançar meus objetivos.”

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Sobre o futuro

O jovem astrônomo deve seguir os estudos fora do Brasil quando a pandemia passar. No momento, Arthur estuda Física no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, em Caicó.

“Vou para Natal para continuar a faculdade. Mas quero ir para os Estados Unidos para aprender e compartilhar os conhecimentos com as crianças e os jovens que gostam de astronomia. Falo sempre que nada é só para mim: conhecimento de verdade é para ser transmitido”, nos diz inspirado.

Arthur quer oferecer para as crianças de sua cidade a oportunidade de ter contato com a astronomia, já que ele próprio não teve acesso a esses conteúdos de forma mais fácil.

“Eu tive muita dificuldade, porque astronomia não é um quadro de ensino comum da escola, tem pouco material sobre isso no Brasil e é tudo muito caro, principalmente os equipamentos astronômicos, até mesmo para uma escola é difícil de comprar”, destaca o jovem.

Ele lembra com carinho do apoio que recebeu de um educador para seguir nesta jornada. “O meu professor Francisco Roberlânio me incentivou e criou um projeto de aulas de astronomia gratuitas para jovens do Ensino Fundamental. Nós tivemos contato com telescópio, fizemos medições astronômicas e foi muito bom e importante para mim”, reflete Arthur

Para os jovens que têm sonhos para seguir em qualquer área, Arthur deixa a mensagem para que todos tenham sucesso.

“Eu digo que só o conhecimento liberta o homem do cadeado da ignorância. Nós estamos passando por uma pandemia, em que a pesquisa científica básica é fundamental. Nós vivemos numa sociedade totalmente dependente da ciência e da tecnologia. Então precisamos estudar muito e entender mais sobre o que nos rodeia para construir uma vida melhor.”


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