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01.12.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Nova plataforma de informação valoriza divergência de opinião em tempos de intolerância

Crédito: Morrowind/Shutterstock
Por Carolina Pezzoni, do Promenino, com Cidade Escola Aprendiz
Rogério Zé, sócio da agência de conteúdo e eventos Gesto, e sua sócia Marcia Ohlson, perceberam que estamos vivendo em uma época de radicalização e de intolerância ao diferente, na qual se ouve pouco o outro lado – ou qualquer lado – e resolveram criar algo novo, valorizando o respeito à diversidade de opiniões. Assim nasceu o Oppina, uma plataforma de informação que propõe o exercício da escuta, do respeito e da tolerância a partir de temas urgentes e polêmicos.

O seu funcionamento envolve, antes de mais nada, fazer uma curadoria desses temas e elaborar, para cada um, uma pergunta central. A partir desta questão, são selecionados seis especialistas e líderes em suas áreas, com opiniões e formações diversas. A equipe do Oppina os apoia na construção de roteiros para compor vídeos de 3 minutos, gravados no ambiente de preferência de cada participante, que serão depois divulgados na plataforma. Forma-se um mosaico de opiniões sobre os mais diversos temas.

O primeiro assunto, que estará no ar a partir do dia 23 de fevereiro, será “A publicidade infantil deve ser proibida?” – uma ideia que surgiu a partir da resolução do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), em 2014, que considerou abusiva toda publicidade e comunicação mercadológica dirigida à criança.

Confira algumas matérias do Promenino sobre o tema:
Conanda quer fim da publicidade voltada às crianças

Consumismo excessivo e publicidade direcionada à criança pode afetar o desenvolvimento infantil, aponta especialista

Agenda para um novo dia das crianças

A prioridade absoluta dos direitos da criança 

Na esteira desta ação, alimentou-se uma polêmica. “Afinal, as crianças, especialmente abaixo dos 12 anos, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, têm preparo para relacionar-se com a publicidade em suas vidas? O argumento da liberdade de expressão é válido para este tema? Qual o tamanho do impacto que essa proibição causaria na economia?” – provoca a equipe do Oppina.

A partir disso, os seis primeiros “oppineiros” comentaram o tema, sendo eles: Ana Olmos, psicóloga formada pela PUC-SP, especializada em Neuropsicologia Infantil e doutora pelo Departamento de Psicologia Clínica do IPUSP (Instituto de Psicologia da USP); Carlos Frederico Lucio, professor de Sociologia e Antropologia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); Djamila Ribeiro, filósofa, feminista e pesquisadora na área de Filosofia Política na Unifesp, onde foi responsável pela criação do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades; Hiran Castello Branco, publicitário, administrador de empresas e presidente do Conselho Nacional de Propaganda e da ALAP (Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade); José Henrique Werner, advogado, diretor jurídico da ABRAL (Associação Brasileira de Licenciamento) e diretor-secretário da ANGARDI (Associação Nacional para Garantia dos Direitos Intelectuais); Pedro Hartung, advogado do Instituto Alana, representante do Conanda e coordenador da clínica de Direitos Humanos Luiz Gama, da Faculdade de Direito da USP.

Os criadores do canal acreditam que, ao abrir campo para outras visões de mundo acerca do mesmo tema, é possível enriquecer a sua própria opinião e promover o desenvolvimento dos indivíduos e das ideias. Como anunciam em sua página no Facebook: “o exercício do ouvir o diferente é uma ferramenta fundamental do diálogo e da aprendizagem. Ao mesmo tempo, colabora com um ambiente plural e democrático”. E aí, qual é a sua opinião?


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