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29.08.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

O DNA empreendedor da juventude brasileira

Propósito, sonho e protagonismo fazem parte dos ideais citados pelos entrevistados da pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo

Imagem mostra jovens sentados em pufes mexendo em notebooks

Está no dicionário. Empreender, por definição, significa tentar executar algo, arriscar-se.

Muito além de um conceito, a prática do empreendedorismo já faz parte do universo da juventude brasileira.

Tal percepção pode ser comprovada na pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo, desenvolvida pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o IBOPE Inteligência e a Rede Conhecimento Social. O estudo ouviu 400 pessoas de 15 a 29 anos das classes A, B e C, de todas as regiões do país, além de empreendedores e especialistas da área.

De acordo com a pesquisa, 56% dos jovens se consideram empreendedores, e destes, 70% teriam um negócio próprio se pudessem. Os dados ainda mostram que 60% dos entrevistados acreditam que empreender não é só fazer dinheiro, mas sim inovar e transformar o seu redor.

“O empreendedorismo tem sido uma saída para os jovens no mercado de trabalho e a gente vê que eles estão preocupados em cuidar do lugar onde estão, propondo alguma solução que envolva as pessoas ao seu redor. Essa construção é muito potente”, afirma Tatiana Garcia, coordenadora de projetos da Aliança Empreendedora. Tatiana foi uma das especialistas convidadas para participar dos workshops de cocriação do estudo, etapa que ajudou na construção do material.

Empreendedorismo com impacto social

A jovem Tamila dos Santos, 27 anos, sempre quis trabalhar com algo que fizesse a diferença na vida das pessoas. Graduou-se em Serviço Social pela Universidade Federal da Bahia e trabalhou com projetos ligados à raça, gênero e sexualidade. Uma de suas iniciativas aconteceu dentro de uma startup social voltada à inclusão de pessoas LGBTI e atualmente está em um projeto que incentiva a tecnologia e o empreendedorismo nas comunidades periféricas de Salvador (BA).

“Descobri o empreendedorismo como uma nova perspectiva de ação para o que eu já fazia. Um mundo de possibilidades nas quais eu tenho acesso a ferramentas e modelos para dar vida aos meus projetos”, diz a jovem.

Para Tamila, empreender tornou-se um processo de redescoberta em vários sentidos. “As possibilidades do empreendedorismo me fazem trabalhar com paixão, criando projetos de impacto social acessíveis a diversos grupos”, complementa.

Jonatan Enrique Córdoba, 28 anos, é conhecido na Brasilândia, região periférica de São Paulo, como “John Tamojunto”. O apelido vem do nome com que assina seus grafites, realizados há mais de dez anos pelas ruas da cidade. Junto com a esposa, Cléo, decidiram transformar a arte em um negócio e criaram a marca independente Tamojunto, que produz camisetas customizadas voltadas ao público do grafite.

“Queríamos fazer algo de boa qualidade, mas que fosse de baixo custo. Começamos de forma mais artesanal, fazendo as primeiras estampas no banheiro de casa e aos poucos conseguimos nos aperfeiçoar”, conta. Hoje a marca virou fonte de renda para o casal e ganhou um público fiel, potencializado pelo marketing feito em redes sociais.

Criatividade, paixão e atitude

Assim como John, diversos jovens do Brasil assumiram o desafio de pensar em produtos e serviços a partir de uma solução empreendedora. Para essa faixa etária de 15 a 29 anos, empreender não é apenas administrar o próprio negócio, mas ter atitude e ser criativo o suficiente para adaptar uma ideia e torná-la aplicável. Os entrevistados citam coragem, paixão pelo que se faz e acreditar nos próprios objetivos como exemplos de atitude empreendedora.

A pesquisa ainda indica que para os jovens com renda menor, a preferência pelo negócio próprio aumenta e os projetos tendem a ter propósitos mais claros, influenciado pelo contexto social e a probabilidade de investimento inicial baixo.

“Esses jovens precisam encontrar uma resposta mais rápida para os problemas antes de pensar em um plano de negócios. O que muita gente chama de “gambiarra” é, na verdade, uma inovação porque eles consideram a real necessidade do entorno e conseguem viabilizar um modelo sem grandes custos, o que é ainda melhor”, conclui Tatiana.

O que é empreendedorismo na visão de cinco jovens de cada região do Brasil. “Ter autonomia, assumir riscos financeiros e, acima de tudo, acreditar em você mesmo.” Ana Caroline Chamorro, 21 anos, Campo Grande - MS “Ter a iniciativa de criar novos negócios, fazer algo diferente ou promover uma mudança efetiva dentro da empresa.” Erick Oliveira, 16 anos, Porto Alegre - RS “É a chance de ganhar dinheiro com algo que já se tem, juntar tudo e arriscar.” Jonatan Enrique Córdoba, 28 anos, São Paulo - SP “Transformar meus sonhos em projetos palpáveis.” Tamila Silva dos Santos, 27 anos, Salvador - Bahia “Ter a disposição para trabalhar em algo que é seu com o que você tem para oferecer à sociedade.” Antônio Alison Alves de Oliveira, 19 anos, Rio Branco - AC
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Baixe agora o estudo!

A pesquisa Juventude Conectada 2018 – Edição Especial Empreendedorismo traz percepções, tendências e iniciativas que fazem parte do universo do empreendedorismo jovem no Brasil. Faça o download da pesquisa e saiba mais!


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