Fortalecer a aprendizagem da matemática é, hoje, um dos grandes desafios educacionais do Brasil. Para além dos impactos diretos no desenvolvimento cognitivo dos estudantes, na permanência escolar e na formação para o mundo do trabalho, o pensamento matemático torna-se cada vez mais essencial em um cenário marcado pelo avanço das tecnologias digitais, da inteligência artificial e do uso massivo de dados.
Nesse contexto, desenvolver raciocínio lógico, capacidade de resolver problemas e pensamento analítico é parte fundamental da formação dos jovens para o mercado digital. No Brasil, essa agenda ganha caráter prioritário diante dos resultados de avaliações nacionais e internacionais, que indicam defasagens importantes na aprendizagem matemática.
Avaliações internacionais recentes mostram um panorama preocupante. De acordo com o Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS), mais da metade dos estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental não possui conhecimentos básicos na disciplina, e apenas 5% atingem os níveis mais altos de proficiência em matemática. Já entre os jovens que concluem o Ensino Médio, apenas dois em cada dez formandos alcançam o nível esperado na disciplina, segundo o Índice de Inclusão Educacional (IEE), desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura, recentemente divulgado.
Diante desse cenário, iniciativas estruturantes vêm sendo implementadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática, do Ministério da Educação (MEC), e a construção de um novo indicador de acompanhamento da aprendizagem na Educação Básica.
Ao mesmo tempo, cresce o uso de tecnologias educacionais como apoio ao trabalho docente e à personalização da aprendizagem.
Na sala de aula, além do livro didático e das aulas expositivas, o ensino de matemática pode se apoiar em plataformas online com cursos, trilhas adaptativas, bancos de problemas, jogos, videoaulas e recursos para professores, tornando a aprendizagem mais atrativa e lúdica para os estudantes.
Essas ferramentas, quando articuladas ao currículo escolar e à prática docente, ajudam no diagnóstico de dificuldades, na recomposição de aprendizagens e na personalização do percurso do aluno. A seguir, conheça algumas iniciativas que podem contribuir para democratizar o acesso e fortalecer o letramento matemático previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Khan Academy Brasil
A Khan Academy Brasil reúne exercícios, vídeos e painéis de acompanhamento que permitem ao estudante aprender no próprio ritmo, do 1º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. Os conteúdos de matemática são organizados por ano e por eixo (números, álgebra, geometria, grandezas e medidas, probabilidade e estatística, educação financeira), oferecendo uma trajetória progressiva.
A plataforma utiliza recursos de aprendizagem adaptativa: conforme o estudante responde às atividades, o sistema ajusta o nível de desafio, identifica lacunas e sugere retomadas. Professores e redes têm acesso a relatórios por turma, aluno e habilidade, o que facilita o diagnóstico, a recomposição de aprendizagens e a formação de grupos de apoio. Assim, a Khan Academy apoia o estudo autônomo e o planejamento docente baseado em dados.
YouCubed
A aprendizagem matemática também está ligada a fatores socioemocionais. Crenças negativas, medo de errar e a ideia de que “matemática não é para todos” podem impactar diretamente o desempenho dos estudantes.
A iniciativa YouCubed, vinculada à Universidade de Stanford (Estados Unidos), atua nesse campo ao transformar pesquisas em neurociência e educação em propostas práticas para a sala de aula. Em vez de listas tradicionais de exercícios, a plataforma propõe atividades abertas, visuais e criativas, com as quais os estudantes desenvolvem estratégias próprias, testam hipóteses e constroem conexões entre conceitos.
As evidências apresentadas pelo projeto indicam que o cérebro pensa a matemática de forma visual, e que erros e desafios podem fortalecer as redes neurais. Ao incorporar esses princípios, a YouCubed reduz a ansiedade, aumenta o engajamento e melhora o desempenho, com atividades organizadas por conceito e série.
Portal da OBMEP
A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), realizada pelo Instituto de Matemática Pura Aplicada (Impa), impulsiona o interesse pela disciplina entre estudantes da rede pública. O portal amplia esse impacto ao disponibilizar videoaulas, apostilas, cadernos de exercícios, problemas resolvidos, testes e aplicativos gratuitos.
Há ainda quebra-cabeças de matemática para o 4º ao 6º ano, com desafios ilustrados e materiais para impressão, que trabalham o raciocínio lógico de forma lúdica. Professores podem criar perfis de orientador, formar turmas e acompanhar o progresso dos alunos.
AVAMEC
O AVAMEC Interativo, ambiente virtual do MEC, oferece cursos gratuitos, recursos e comunidades de aprendizagem voltados à formação continuada de profissionais da educação. A plataforma abriga cursos sobre práticas pedagógicas, metodologias inovadoras, inclusão e uso de tecnologias.
Na matemática, há formações específicas para Anos Finais do Ensino Fundamental, cursos gerais sobre o componente e propostas focadas na BNCC tanto nessa etapa quanto no Ensino Médio, apoiando a integração qualificada de recursos digitais às aulas.
Matemática ProFuturo: jogos, personalização e formação docente
O Matemática ProFuturo faz parte do ProFuturo, programa da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”, e é uma iniciativa de educação digital em matemática voltada a crianças de 6 a 12 anos, implementada em parceria com secretarias estaduais e municipais de ensino. O projeto contribui para o desenvolvimento de competências digitais de professores e estudantes, e para o fortalecimento da aprendizagem e da proficiência em matemática de alunos do Ensino Fundamental nas redes públicas de ensino.
No centro da proposta está uma plataforma digital educativa estruturada pelo princípio do “aprender fazendo”. Com milhares de exercícios e atividades, a ferramenta coloca o estudante em papel ativo. Ele interage com representações visuais, resolve desafios e desenvolve raciocínio lógico, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas. Recursos digitais personalizam o percurso, permitindo que o professor adapte lições e exercícios ao nível de compreensão de cada aluno, acompanhando o progresso de forma individualizada.
Outro diferencial é o uso de estratégias de gamificação, com conteúdos organizados em jogos interativos com metas, desafios e recompensas, aproximando a matemática do universo digital já presente no cotidiano das crianças. O feedback imediato permite que o estudante compreenda erros e acertos e avance de forma autônoma.
O projeto também tem como pilar a formação docente. A proposta parte do princípio de que o desenvolvimento de competências digitais dos estudantes depende da formação continuada dos professores. O Matemática ProFuturo oferece desenvolvimento profissional em modelo híbrido (presencial e online) para apoiar a integração pedagógica das tecnologias digitais no ensino da matemática.

