Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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17.07.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Podcast: como usar na sala de aula?

Munidos de um smartphone, educadores podem se aproximar desta ferramenta digital que está se popularizando no Brasil e trabalhar conceitos como oralidade e criatividade

O podcast está em alta. Segundo dados levantados pela Fundação Telefônica Vivo, em pesquisa realizada em 2018, os brasileiros escutam, em média, cinco programas desse formato semanalmente. Mais do que uma moda passageira, esta ferramenta resgata traços da oralidade, inspira criatividade de formatos e trabalha o potencial da aprendizagem auditiva. Para além da lógica comercial, o podcast pode desenvolver habilidades cognitivas importantes quando transformado em recurso pedagógico.

Segundo o mesmo estudo do ano passado, 42% do público acessa os áudios digitais via smartphone. Além disso, segundo a Audio.ad, 25% da população brasileira já tem o hábito de consumir podcasts. Ou seja, é cada vez mais fácil consumir informações no ônibus, a caminho da escola ou voltando para casa e o baixo custo é um dos fatores que ajudam a explicar esse sucesso.

“Para os educadores, produzir podcasts pode ser a oportunidade de aproveitar recursos ociosos em sua escola e encantar seus alunos em projetos desafiadores”, explica Kellen Bonassoli, psicopedagoga e colaboradora do Mundo Podcast. “O podcast educativo é uma das formas de aproveitar laboratórios de informática, tablets educacionais e outras ferramentas. Por meio da gravação e audição de conteúdos, o professor pode dar voz aos seus alunos, promover a autonomia e enriquecer a aprendizagem”.

O podcast veio para ficar!

Especialistas como Kellen, que estudam o uso dos podcasts em sala de aula, garantem que, além de ser uma maneira divertida e barata de produzir conteúdo relevante, o podcast não se trata apenas de uma “modinha”: ele veio para ficar. O jornalista e mestre em Educomunicação, Douglas Calixto, defende essa perspectiva:

“O grande benefício de trabalhar com esse recurso é a experiência prévia dos jovens com o podcast. Eles sabem como usar os serviços de streaming de áudio e estão o tempo todo conectados. Hoje a vida das pessoas é influenciada pelos memes, pelas redes sociais, pelo conteúdo dinâmico e de fácil acesso. Por isso faz sentido usarmos o podcast em sala de aula, porque ele mobiliza afetos e faz parte da vida dos estudantes.”

O podcast não só retrata as necessidades de uma época, mas também resgata elementos comuns à humanidade e ao aprendizado de uma maneira geral: trabalha a oralidade, o ato de ouvir, a percepção do ambiente, o incentivo para a expressão e a comunicação.

Antes de sequer pensar em estudar sobre as potencialidades do som, Douglas teve uma experiência como estudante, com a rádio escolar, que modificou a forma como aprendeu a partir daquele momento:

“Voltando para uma época antes dos podcasts, o áudio é uma experiência humana muito rica. Por meio dele, imaginamos o que está do outro lado. Ele cria uma atmosfera de fantasia, imaginação, criatividade, que lhe “teletransporta” para outros espaços”, explica Douglas.

Mas como usá-lo em sala de aula?

Tanto Kellen quanto Douglas concordam que o áudio pode ser explorado de várias formas: os educadores podem criar rádionovelas, fazer experimentos sonoros, ensinar sobre a física dos sons, contar histórias e outras atividades que desenvolvam o aprendizado auditivo. Cada disciplina tem o potencial de aproveitar o som da melhor maneira para o seu conteúdo.

“Os smartphones oferecem todas as ferramentas necessárias: gravador de voz, aplicativos para edição e para difusão de áudio e mídias sociais para pulverizar o conteúdo”, detalha a psicopedagoga.

Apesar da aparente facilidade para produzir os conteúdos e o baixo custo, a especialista ressalta que experimentar uma tecnologia que foge do cotidiano, e muitas vezes não se encaixa na infraestrutura disponível nas escolas, pode ser desafiador para parte dos educadores. Outro ponto levantado por Kellen é que ainda existem poucos podcasts pensados exclusivamente para o contexto educacional.

Por isso, Douglas Calixto incentiva os educadores a procurarem cursos que ajudem a superar essas inseguranças. O objetivo não é que se tornem podcasters, produtores profissionais, mas sim que sejam capazes de investir em uma ferramenta para produzir conteúdo para seus alunos de maneira inovadora.

Fique ligado!

Quer saber mais sobre como produzir podcasts em sala de aula? Confira esse post do Mundo Podcast, escrito pela Kellen Bonassoli.
Interessado em se aprofundar mais no conceito de podcasts educativos? Conheça o curso online: “Podcast e Educação: a produção de áudio na escola”, do Instituto Singularidades, ministrado por Douglas Calixto.
Para quem está começando: explore o app Spreaker. A ferramenta ajuda a gravar, editar e disponibilizar o seu podcast.

Sintonizada com a relação entre os jovens e ferramentas tecnológicas, a Fundação Telefônica Vivo lançou, em outubro de 2018, o Pense Grande Podcast. O projeto conta com podcasts que trazem histórias de vida, dicas, desafios e aprendizados de jovens empreendedores sociais. Em breve serão lançados novos episódios sobre as mais diversas áreas do empreendedorismo com narrativas que debatem as possibilidades de sucesso e as dificuldades de ser um jovem empreendedor na periferia. Ouça agora a primeira temporada!


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