Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

19.03.2026
Tempo de leitura: 7 minutos

Como a tecnologia fortalece a solidariedade e a cidadania nas escolas

Projetos solidários potencializados pela cultura digital desenvolvem competências socioemocionais, promovem inclusão, estreitam vínculos comunitários e incentivam uma cultura de cidadania ativa

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo tecnologia e solidariedade

Imagine uma sala de aula em que os alunos se organizam para arrecadar fundos para uma comunidade afetada por enchentes, criam uma campanha nas redes sociais, divulgam um Pix solidário e acompanham em tempo real o impacto da iniciativa. Cenas como esta são cada vez mais comuns, e mostram como a união entre tecnologia e solidariedade pode ampliar a participação social, fortalecer a cidadania ativa e inspirar o protagonismo estudantil desde cedo.

O Brasil ocupa a 48ª posição no World Giving Index 2025, índice internacional que mede a generosidade de mais de uma centena de países. Apesar da posição mediana no ranking, os brasileiros têm uma relação sólida com a solidariedade. Um levantamento do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) mostra que 78% deles realizaram doações em dinheiro ou bens em 2024. Isso revela um terreno fértil para que práticas solidárias se consolidem no país, e a escola pode cultivá-las desde cedo. Afinal, mais do que transmitir conteúdo, a escola forma cidadãos conscientes.

Uma formação responsável implica desenvolver habilidades que vão muito além do domínio de fórmulas e regras gramaticais. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece isso ao incluir a solidariedade entre as competências gerais que os estudantes precisam desenvolver ao longo de toda a educação básica — presente em componentes como Ciências, Língua Portuguesa, História, Educação Física e Ciências Humanas.

A boa notícia é que não é preciso criar projetos elaborados do zero para começar. Pequenas ações pedagógicas, quando bem estruturadas e potencializadas pelo digital, já são capazes de criar uma cultura de generosidade dentro da escola. E os benefícios dessa cultura vão muito além do que se imagina.

 

Generosidade faz bem, inclusive para quem doa

A ciência já confirmou que ser generoso deixa as pessoas mais felizes. Uma pesquisa liderada pela professora Lara B. Aknin, da Simon Fraser University, no Canadá, revelou que crianças de menos de 2 anos já demonstram mais alegria quando dão algo a outra pessoa do que quando recebem.

Mais surpreendente ainda é que a felicidade se torna maior quando a criança doa algo que tem valor para ela. Ou seja, a generosidade custosa — a que exige um pequeno sacrifício — é a que mais aquece o coração.

Esse dado tem implicações diretas para o trabalho pedagógico. Quando um aluno participa de uma campanha de arrecadação de materiais escolares para colegas que não têm como comprá-los, ele ajuda o outro ao mesmo tempo em que desenvolve seu próprio bem-estar emocional. A escola, ao promover ações solidárias, cria um ciclo virtuoso: estudantes mais felizes, mais engajados e com relações interpessoais mais positivas.

Outro benefício de praticar a generosidade dentro da escola é o poder de transformar a visão dos estudantes sobre hierarquias sociais. Pesquisa de Margaret Brown, professora de psicologia da Seattle Pacific University, mostrou que experiências de solidariedade ajudam a reduzir percepções excludentes e fortalecem valores como equidade e respeito às diferenças — aspectos fundamentais para uma educação comprometida com a inclusão.

Nesse contexto, a tecnologia se torna uma grande aliada. Plataformas digitais, redes sociais e ferramentas colaborativas ampliam o alcance das ações e permitem que iniciativas escolares ganhem visibilidade, escala e impacto real.

 

Como aliar solidariedade e tecnologia

A escola não precisa esperar por uma situação emergencial para trabalhar a solidariedade. Com intencionalidade pedagógica e o uso estratégico da tecnologia, é possível integrar essas práticas ao cotidiano escolar. Confira alguns caminhos:

  • Comece pelo autoconhecimento e pela escuta. Promova rodas de conversa e atividades socioemocionais. Desenvolver consciência de si e do outro favorece a empatia e prepara a turma para colaborar em projetos reais — inclusive nos ambientes digitais, onde a convivência exige ética e respeito.
  • Use a tecnologia para mapear necessidades reais. Peça aos alunos que investiguem o território ao redor da escola: quais são os principais desafios da comunidade? Aplicativos gratuitos de formulários, como Google Forms ou Microsoft Forms, permitem coletar dados, organizar informações e desenvolver habilidades de análise — essenciais na cultura digital.
  • Desenvolva projetos interdisciplinares. Ciências: conteúdos sobre saúde e prevenção. História: movimentos solidários no Brasil e no mundo. Língua Portuguesa: cartas, posts e podcasts com narrativas empáticas e dados confiáveis. Matemática: metas, orçamentos, indicadores e dashboards. Essa integração faz a tecnologia ganhar significado ao conectar aprendizagem a problemas reais.
  • Crie campanhas digitais com propósito. Estudantes podem estruturar campanhas completas: definir causas, produzir conteúdos, divulgar nas redes da escola e acompanhar resultados. Essa prática desenvolve competências digitais, pensamento crítico e responsabilidade social.
  • Use as redes sociais como ferramenta pedagógica. Produção de vídeos, carrosséis informativos e registros das ações solidárias ajudam a desenvolver comunicação digital, pensamento criativo e uso responsável e ético da tecnologia.
  • Valorize cada gesto. Dar visibilidade a pequenas e grandes ações em murais físicos e digitais fortalece a cultura de solidariedade e incentiva a participação de toda a comunidade escolar — alimentando o ciclo de bem‑estar e engajamento descrito pela pesquisa científica.

Escolas Conectadas: cursos conectam tecnologia e cidadania

A plataforma Escolas Conectadas, uma iniciativa do ProFuturo, programa global de educação da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”, oferece formação continuada on-line e gratuita para professores da educação básica pública, incluindo diversos cursos que podem auxiliar os professores a inserirem tecnologia em projetos de solidariedade, como “Cidadania Digital”, “Competências Digitais em Ciências Humanas”, “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir”, “Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores”, dentre outros.

Cinco minutos que mudam tudo

O que acontece no cérebro e no coração de quem pratica um ato voluntário? No Encontro de Governança 2026, promovido pela Fundação Telefônica Vivo, o psicólogo e neurocientista Ricardo Caiado apresentou achados que sugerem redução rápida de estresse e melhora de coerência emocional após uma mentoria voluntária de cinco minutos.

A maioria dos participantes chegava ansiosa e estressada. Durante a mentoria, o padrão cardíaco dos voluntários — antes marcado pelo que Caiado chama de “onda caótica”, associada ao estresse — foi se tornando mais coerente em tempo real. Depois da intervenção, os indicadores de estresse caíram de forma expressiva. “Que terapia no mundo, que medicação muda alguém em cinco minutos? Nenhuma. A maior tecnologia que temos é o outro ser humano”, afirmou o pesquisador.

Caiado explica que, quando o coração entra em estado de coerência, ele produz um campo que pode alcançar até quatro metros e influenciar as pessoas ao redor. “Quando você acende o interruptor de alguém, amplifica a sua própria energia ao mesmo tempo”, resumiu.

Essa lógica está presente no Programa de Voluntariado da Fundação Telefônica Vivo, que incentiva colaboradores em todo o Brasil a atuarem em ações solidárias, presenciais e digitais. Em 2025, 75% das instituições apoiadas estavam ligadas à educação — uma prova de que voluntariado, educação e transformação social caminham juntos.


Outras Notícias

Lia Glaz: inclusão digital vai além do acesso e é chave para a equidade na educação

27/03/2026

Lia Glaz: inclusão digital vai além do acesso e é chave para a equidade na educação

No Dia Nacional da Inclusão Digital, a diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo reforça que a equidade na aprendizagem depende da integração entre currículo, formação docente e infraestrutura

Jogos de tabuleiro podem melhorar em até 76% o desempenho em matemática

13/03/2026

Jogos de tabuleiro podem melhorar em até 76% o desempenho em matemática

Pesquisa internacional mostra que apenas 10 minutos de brincadeira com números já fortalecem habilidades matemáticas nos anos iniciais — abordagem que também dialoga com soluções de tecnologia educacional

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

06/03/2026

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

No Dia Internacional da Mulher, conheça a trajetória da educadora que transformou práticas pedagógicas com criatividade, inovação e compromisso com a educação pública.

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

26/02/2026

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

Desenvolvimento de soft skills e mais oportunidades no mercado de trabalho são alguns benefícios que a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) proporciona aos jovens

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

20/02/2026

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

Letramento digital, pensamento crítico e ensino de IA no currículo ajudam estudantes a reconhecerem quando há compreensão real ou apenas imitação convincente, e a avaliarem informações com mais segurança

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

12/02/2026

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

Entenda os conceitos essenciais para integrar tecnologias digitais e inteligência artificial às práticas pedagógicas de forma crítica e responsável