Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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26.05.2022
Tempo de leitura: 6 minutos

Tecnologias Digitais na Educação: diálogo com professores apoia avanço da digitalização na rede de escolas do Tocantins

Erick Goes, diretor de tecnologias educacionais da secretaria de educação do Tocantins, explica como o estado tem conseguido aumentar o uso de tecnologias digitais por educadores e estudantes

Créditos Seduc/Governo do Tocantins.

Créditos Seduc/Governo do Tocantins.

Desde 2017, temas como gamificação, robótica educacional e pensamento computacional estão presentes na formação dos educadores e nas salas de aula do Tocantins. A partir de 2020, afinal, o trabalho para aumentar o uso de tecnologias digitais na educação se intensificou na rede estadual. Assim, plataformas digitais de aprendizagem como o Escola Digital, o Moodle e Google Workspace passaram a fazer parte do cotidiano de professores e estudantes.

Erick Goes, diretor de tecnologias educacionais da secretaria de Educação do Tocantins, é um dos responsáveis pelos avanços da digitalização na rede estadual de ensino. Segundo ele, o avanço da cultura digital tem sido alcançado principalmente por meio de um diálogo permanente com os professores e muito planejamento.

“O uso da tecnologia da educação no Tocantins tem muitos vieses. Porque aqui temos 496 escolas – mais de 90 escolas indígenas, mais de 40 escolas de campo e duas escolas quilombolas. Então, a tecnologia para o uso educacional precisa ser considerada na perspectiva desses quatro tipos de professores. Porque se a gente tentasse trazer para o estado uma proposta genérica, ela encontraria resistência”, explica Erick.

 

As tecnologias digitais na educação precisam dialogar com a realidade dos educadores

Para exemplificar, Erick conta que levou um robozinho feito com Arduíno para ensinar robótica em uma escola rural. Então, uma professora falou: “Erick, isso não vai funcionar aqui. Não tem como você trazer uma oficina de automatização de tanque de piscicultura ou uma oficina de Arduíno para automatizar horta?”

 

Web literacia

O elemento que articula todas as ações da secretaria de educação do Tocantins para a inovação tecnológica é a web literacia. Uma vez que esse conceito compreende as habilidades de criar, editar e remixar conteúdos utilizando a internet.

 

Essas habilidades são o ponto de partida para os quatro eixos de trabalho:

1 – Robótica educacional para os ensinos fundamental e médio. O Arduino (uma placa de prototipagem eletrônica) é muito utilizado com os estudantes.

2 – Formação de educadores e estudantes por meio da gamificação. A plataforma Blender, que cria vídeos, jogos e animações, é adotada para essas atividades.

3 – Formação em tecnologias da informação e comunicação. Nestas formações, Escola Digital, Moodle, WhatsApp, Youtube Edu e Google Sala de Aula são as ferramentas mais usadas.

4 – Educomunicação. Gravação e edição de vídeos é a principal atividade aplicada por professores.

Segundo Erick, o último eixo teve uma recepção muito boa na rede. Por isso, hoje existe um grupo significativo de professores que são produtores de vídeoaulas. “Esses professores entenderam que o vídeo é a linguagem predominante entre os estudantes. Eles utilizam TikTok, Instagram, Twitch.tv, e os professores descobriram esse universo”, explica.

 

BNCC e tecnologias digitais na educação

Outro documento que orienta as formações em tecnologia no estado do Tocantins é a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que  define 10 competências gerais a se desenvolver de forma integrada aos componentes curriculares. Por isso, as formações relacionadas à tecnologia no Tocantins focam em três delas: pensamento científico, cultura digital e comunicação. Elas orientam um ou mais daqueles quatro eixos de trabalho.

Além disso, Erick destaca a relevância, para o projeto de tecnologias digitais na educação, da aprendizagem criativa intergeracional. “Nós entendemos que, durante a pandemia, professores de várias idades tiveram que lidar com a linguagem dos jovens. Isso estabeleceu uma parceria entre alunos e professores para o uso de plataformas digitais. Portanto, é importante que essa relação de parceria tenha continuidade agora que a pandemia está mais controlada.”

LEIA MAIS: O que você precisa saber sobre a competência Cultura Digital no Novo Ensino Médio

Tecnologias digitais na educação e a escola do século XXI

A Fundação Telefônica lançou, em 2016, o livro Viagem à Escola do Século XXI. Escrito por Alfredo Calvo, fundador do projeto Escuela 21,  o livro apresenta as 80 escolas mais inovadoras do mundo. Erick conta que esse trabalho influenciou muito nos projetos de inovação no Tocantins. “Ao ler este livro, ficamos sabendo que as escolas mais inovadoras usam supersalas. Por isso, partimos desse conceito para criar os espaços maker da rede de educação aqui do estado.” A rede de educação do Tocantins tem dois espaços maker, um em Araguaína e outro em Gurupi. Aliás, esses espaços são equipados para a formação em metodologias ativas, robótica e recursos digitais.

As supersalas de aula são grandes espaços de aprendizagem, superiores ao tamanho de duas salas de aula comuns, voltadas para potencializar experiências de aprendizagem autônomas e variadas. O projeto das supersalas de aula desenha um cenário que integra os elementos chave da educação no século XXI: permite aos alunos escolherem espaços, tarefas e tempos, conjuga estratégias cooperativas e trabalho individual, dá autonomia ao mesmo tempo em que garante o acompanhamento do professor, apresenta desafios e integra outras dinâmicas que equilibram seu funcionamento (Viagem à Escola do Século XXI: assim trabalham os colégios mais inovadores do mundo).

Monitorar é um dos grandes desafios

Monitorar e acompanhar todos os processos e atividades que educadores e estudantes desenvolvem em ambientes virtuais é, segundo Erick, o ponto mais frágil do projeto no Tocantins. “Nós utilizamos diversas plataformas digitais, mas ainda não conseguimos encontrar uma forma de integrar, processar e analisar de forma efetiva, as muitas informações que estas plataformas produzem sobre nosso trabalho”, explica.

No entanto, diz que se inspira no modelo de processamento de informações da . Para Erick, a Escola Digital é uma plataforma que consegue apresentar, de forma muito detalhada, tudo o que acontece no ambiente virtual. Com isso, certamente fica mais fácil para o gestor entender como o ensino e a aprendizagem estão se desenvolvendo e tomar decisões mais efetivas.

 

 


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