Com a chegada de 2026, redes públicas de ensino têm a oportunidade de consolidar avanços recentes e enfrentar desafios históricos: garantir aprendizagens mais significativas, reduzir desigualdades e ampliar o engajamento dos estudantes. Nesse cenário, tecnologia, personalização e equidade se tornam prioridades para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio.
O processo de implementação da BNCC Computação segue ganhando força, impulsionando práticas inovadoras e o uso de tecnologias digitais nas redes públicas. Soluções digitais, inteligência artificial e metodologias híbridas se destacam como aliadas para apoiar professores, diversificar estratégias pedagógicas e tornar o aprendizado mais conectado à realidade dos jovens. Ao mesmo tempo, competências socioemocionais, formação docente contínua e inclusão digital permanecem como pilares para reduzir a evasão e fortalecer trajetórias escolares.
Com base em análises de especialistas e estudos do setor educacional, reunimos seis tendências que devem impulsionar a Educação Básica pública em 2026:
1 – Ambientes de aprendizagem personalizados com apoio da IA
A personalização deixa de ser uma aspiração distante e se torna prática possível nas escolas. Ferramentas de inteligência artificial (IA) já apoiam correção de atividades, diagnósticos rápidos e recomendações individualizadas. Ambientes de aprendizagem alimentados por algoritmos criam trilhas adaptadas ao ritmo de cada estudante, identificando lacunas e sugerindo atividades sob medida.
Com uso responsável dessas ferramentas, aliado a formação continuada, a IA contribui para reduzir desigualdades, e apoiar o planejamento docente e aumentar o engajamento, especialmente em turmas heterogêneas.
2 – Formação docente voltada à inovação e ao uso significativo da tecnologia
Nenhuma transformação é sustentável sem professores preparados e valorizados. Em 2026, a formação continuada assume papel estratégico para que docentes possam integrar competências digitais, metodologias ativas e práticas inovadoras de forma pedagógica e ética. Mais do que aprender a usar ferramentas, trata-se de compreender como elas podem apoiar o planejamento, enriquecer experiências e promover aprendizagens significativas.
Essa formação deve considerar a realidade das escolas, oferecer espaços de troca entre pares e estimular uma cultura de inovação que respeite a autonomia docente. Ao reduzir tarefas repetitivas e ampliar o tempo para atividades de maior impacto, a tecnologia se torna aliada do professor, que permanece como protagonista da experiência humana no processo educativo. Investir na formação docente é essencial para que tendências como IA, ensino híbrido e recursos imersivos se traduzam em práticas consistentes e inclusivas.
3 – Hibridização do ensino e flexibilização das jornadas
Modelos híbridos, que combinam momentos online e presenciais, seguem em expansão. Na Educação Básica, isso se traduz em práticas como sala de aula invertida, uso de plataformas digitais para reforço escolar e projetos complementares em ambientes virtuais. A flexibilidade amplia autonomia, diversifica estratégias pedagógicas e potencializa o papel do professor como mediador.
Além de favorecer a personalização e o protagonismo estudantil, a hibridização também contribui para integrar recursos digitais ao currículo e ampliar o alcance das aprendizagens. Em redes com grande extensão territorial, essa abordagem é essencial para reduzir distâncias e garantir acesso a conteúdos de qualidade.
4 – Microlearning e conteúdos modulares para fortalecer o protagonismo estudantil
Com rotinas intensas e percursos diversos, conteúdos curtos e objetivos ganham espaço como estratégia para apoiar a aprendizagem contínua. Essa abordagem permite revisões rápidas, desenvolvimento de habilidades específicas e continuidade dos estudos mesmo em pequenos intervalos, favorecendo a autonomia dos estudantes.
No Ensino Médio, o microlearning dialoga diretamente com os itinerários formativos da BNCC, oferecendo flexibilidade para que os jovens explorem temas de interesse e construam percursos personalizados. Para os professores, conteúdos modulares também facilitam intervenções mais ágeis e adaptadas às necessidades de cada turma.
5 – Realidade aumentada, realidade virtual e experiências imersivas
As tecnologias imersivas começam a ganhar espaço como recursos para enriquecer o currículo e tornar as aulas mais dinâmicas. Com o uso de dispositivos simples, como tablets ou computadores, é possível oferecer simulações através de plataformas, visitas virtuais e experimentações que aproximam os conteúdos da vivência dos estudantes.
No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, essas experiências vão desde explorações de ecossistemas e patrimônios históricos até práticas científicas em ambientes virtuais. Além de ampliar o repertório pedagógico, contribuem para a compreensão de conceitos complexos e para o engajamento dos alunos. À medida que essas tecnologias se tornam mais acessíveis, tendem a apoiar a compreensão de conceitos complexos e a aumentar a participação dos estudantes.
6 – Competências socioemocionais e habilidades para a vida como parte essencial do currículo
Mesmo com avanços tecnológicos, habilidades como colaboração, empatia e criatividade permanecem centrais para a formação integral dos estudantes. Essas competências são fundamentais para a convivência escolar, para a aprendizagem e para a preparação dos jovens para os desafios do presente e do futuro.
Iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional fortalecem autonomia, protagonismo e resolução de problemas, além de melhorar o engajamento e o bem-estar da comunidade escolar. Escolas que investem nessa frente tendem a reduzir conflitos, apoiar trajetórias mais consistentes e promover ambientes educativos mais acolhedores.

