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30.04.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Metodologia aborda o papel social e colaborativo no ensino de Matemática

Mentalidades Matemáticas é um conjunto de práticas que relacionam o ensino da disciplina aos processos sociais e psicológicos dos estudantes

Imagem mostra alunos sentados em duplas sendo orientados por educadores para ilustrar pauta sobre ensino de matemática.

Para além de equações e fórmulas, o ensino de Matemática pode contribuir com a convivência social mais do que se imagina. Contrariando a ideia de que a disciplina admite apenas respostas exatas e só é compreendida por quem tem predisposição para os números, a metodologia Mentalidades Matemáticas busca redefinir estes padrões de aprendizado.


O estudo realizado pela pesquisadora norte-americana, Jo Boaler, relaciona sociologia e psicologia para analisar o impacto da memória cognitiva no aprendizado, além de promover uma reflexão sobre as formas de estimular os estudantes a se aproximarem uns dos outros para acessar o conhecimento lógico.


Essa metodologia já está em adaptação para a realidade brasileira e, há quatro anos, foi transformada em prática pedagógica pelo Colégio Sidarta. A instituição, em parceria com o Instituto Itaú e a Fundação Lemann, assumiu o compromisso de traduzir a pesquisa de Boaler e de duas pesquisadoras de Stanford para o português e, a partir disso, elaborar formações de professores do ensino básico.


Base Teórica


A junção dos três estudos embasou uma maneira diferente de ensinar a disciplina. A primeira a contribuir com essa teoria foi a professora Rachel Lotan que lançou, há trinta anos, uma pesquisa de doutorado sobre trabalho colaborativo, relacionando-o com o papel social da Matemática nas escolas.


O estudo traça um paralelo entre a importância da interação no aprendizado e as barreiras criadas pelo status social dentro das salas de aula, pois os estudantes que dominam a Matemática são os considerados inteligentes pela turma. Estes alunos, no entanto, criam limites para o aprendizado com receio de perder a posição de destaque.


“Quando a Rachel pensa a educação relacionada à Sociologia, compreende que trabalhar com uma área que mexe com o status poderia trazer resultados. Quanto maior a interação, maior a aprendizagem. E para que o aluno se sinta capaz de aprender é importante aproveitar essa área para potencializar o aprendizado dele em outras disciplinas também”, conclui Claudia Siqueira, diretora do Colégio Sidarta.


Inspirando-se nas reflexões trazidas por Lotan, Jo Boaler levantou outros questionamentos sobre aspectos sociais relacionados ao ensino da disciplina, como a segmentação por gênero. Os meninos tendem a ser mais estimulados a aprender a lidar com números, enquanto as meninas são frequentemente associadas à área de Humanas.


Para entender melhor como o nosso cérebro se desenvolve e em que condições responde a estímulos complexos, Boaler fez uma ponte com a psicóloga Carol Dweck. A especialista teorizou o pensamento flexível, as consequências da mentalidade limitada e os ritmos diferentes de aprendizados para meninas. Elas aprendem em profundidade, eles, em velocidade.


Prática estratégica


O passo seguinte foi começar a aplicar, de maneira experimental, a metodologia no Sidarta e na escola pública Henrique Dumont Villares. Observando uma experiência positiva com trabalho em grupo, a equipe criou um programa de curso aberto para professores entenderem o que o colégio tem feito internamente.


“A intenção é fazer os educadores vivenciarem a metodologia para que possam levar isso para a sala de aula, assumindo diferentes papéis ao longo das dinâmicas”, conta Telma Scott, coordenadora do núcleo de Ensino para Equidade e Mentalidade Matemática no Sidarta.


O foco da formação é incluir todos os professores da educação básica em um processo de valorização do percurso do aluno para chegar a um raciocínio lógico. Os erros são incentivados, o esforço é avaliado positivamente e a autonomia do aprendizado é encorajada. Esse conjunto de ações são as práticas matemáticas.


Uma vez formados, os professores são convidados a planejar aulas que utilizem trabalho em grupo com as turmas. Eles são acompanhados diretamente pela coordenação na aplicação e direcionados nas escolhas pedagógicas feitas em sala.


“Quando a aula termina, nós conversamos sobre todos esses pontos, sem criticar ou apontar coisas que deixaram de acontecer. A ideia é alinhar teoria e prática, permitindo que eles elaborem atividades que promovam reflexões profundas sobre os processos lógicos e cognitivos”, acrescenta Telma Scott.


Ainda em 2019, o Colégio Sidarta pretende fazer mais uma visita a Stanford para participar do curso Summer Camp, criado por Rachel Lotan para recuperar a defasagem formativa dos educadores. A ideia é mergulhar nessa estratégia e trazê-la para a realidade brasileira em 2020, investindo em inovação e mudando o papel da Matemática na vida de cada indivíduo.

No Brasil há outras correntes inovadoras que apostam na forma de trabalhar a disciplina. O grupo Mathema, por exemplo, faz uso dessas e outras estratégias metodológicas para investir na formação de professores, diretores, alunos e pais no ensino e aprendizagem da Matemática. Oferecendo atividades e projetos diferenciados para cada proposta, inclusive cursos online. Os materiais são produtos de pesquisas extensas que têm como objetivo transformar nossa relação com os números.


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