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29.08.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Conheça Nina Silva, uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil

Jovem gestora e fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva compartilha suas lições de vida e empreendedorismo

Nina Silva, considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece no centro do palco, falando para uma plateia e com o logo do Movimento Black Money em uma tela no fundo.

Marina Silva, mais conhecida como Nina Silva, pode ser apresentada de muitas formas: reconhecida pela ONU e pela instituição internacional MIPAD (Most Influential People of African Descent) entre os cem afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos. Indicada pela Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2019. Uma das fundadoras do Movimento Black Money, escritora, mentora e gestora com carreira internacional consolidada e 17 anos de experiência com Tecnologia da Informação (TI).


Para ela, a pessoa que se considera deste século e quer realmente causar impacto social, independente da carreira ou de um objetivo pessoal, precisa estar conectada e criar redes que possibilitem a transformação.


“Estar no MIPAD é estar ligada a outros afrodescendentes, tanto em diáspora quanto na África, e me permite entender diferentes contextos para a população negra no mundo. Não me vejo, enquanto especialista em tecnologia, sem estar conectada em redes de real empoderamento socioeconômico no mundo. E todas as instituições que integro fazem parte desse plano estratégico”, explica Nina sobre como mantém o envolvimento com tantas demandas e projetos.


A rotina dela ainda inclui palestras, atuação nas atividades e lançamentos do Movimento Black Money e, atualmente, ela ainda compõe a equipe da ThoughtWorks, organização presente em 14 países que propõe usar o conhecimento da indústria de TI para advogar pela justiça social e econômica.


Sem ligar para barreiras geográficas, Nina Silva diz que está focada em viver a Revolução Industrial 4.0, entender o mecanismo e as estratégias de hackeamento do sistema a partir das singularidades e necessidades sociais de diferentes povos.


“O Movimento Black Money é um hub (um conector de informações e pessoas) e precisa atuar em diferentes frentes pelo nosso propósito, que é a emancipação e autonomia real da população negra no Brasil e no mundo. Instituições como MIPAD ou o CPLP (que reúne mulheres empresárias de países de língua portuguesa), permite com que eu esteja sempre antenada nas novas tecnologias e em como aplicá-las na realidade”, complementa.


Nascida e criada em São Gonçalo (RJ), no bairro Jardim Santa Catarina, que já foi considerada a maior favela plana da América Latina, formou-se em administração pela Universidade Federal Fluminense e fez pós-graduação na área de sistema de informação e gestão de projetos, com diversas certificações internacionais.


Como jovem, mulher e negra sempre lidou com a disparidade de não conviver com semelhantes nos times em que trabalhava. O “não pertencer” vinha em muitas formas: quando homens mais velhos a chamavam de menina mesmo ela sendo a gestora do time; quando foi mandada embora com justificativas como de não ter o perfil da vaga mesmo tendo a melhor avaliação de atendimento; quando chegava a um time novo e lhe mediam da cabeça aos pés, duvidando que fosse a dona do currículo recheado de certificações.


Nina conta que foram justamente as dificuldades e o constante questionamento por ocupar posições de liderança que a levaram a buscar um propósito maior, que culminou na participação para criar o Movimento Black Money.


“Costumo dizer que o racismo sempre veio primeiro que todos os outros preconceitos. Não é por eu ser mulher, porque meu nome é feminino; não é por ser jovem, porque a idade está ali no currículo. Então a questão racial sempre foi uma das maiores barreiras. Só que agora eu diria que esse é o maior propósito para o embasamento da minha carreira e para construir novos espaços bem mais saudáveis e inclusivos”, resume Nina Silva.

Nina Silva, considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece no centro do palco, falando para uma plateia e com o logo do Movimento Black Money em uma tela no fundo.

O que é o Movimento Black Money?

Movimento que atua com inovação, empreendedorismo e educação financeira para a população negra. Fortalece o conceito de pan-africanismo e tem Marcus Garvey como um dos guias.

No momento, o foco da iniciativa são os serviços financeiros com taxas mais justas e protótipos para dar visibilidade a empreendedores negros. Contudo, o Movimento Black Money também trabalha a inserção da comunidade negra na tecnologia a partir da educação e promove networking e a comunicação, como o evento Start Blackup.

A seguir, Nina Silva enumera algumas dicas para quem está começando a trilhar o caminho do empreendedorismo social. Confira!

Qual o seu propósito?
“O que é que te engaja? O que te move? O que eu quero acordar todo dia para fazer? Ah, o que me move é dançar, é o bem estar de outras pessoas, é trabalhar com criança. O importante é ter atrelado ao seu negócio algo que dê realmente uma satisfação. Então a primeira dica é essa: entender o que te move”.

Identifique necessidades e mapeie o seu entorno
“Já sabendo o que te move, o que existe na sua região, perto de casa, da faculdade, do trabalho, do grupo que frequenta ou até na rede social que usa e que gera uma necessidade? O que está faltando e ninguém nunca parou para prestar atenção?. Isso é importante para mapear oportunidades no mercado.”

Gerando conexão com o que está ao seu alcance
“É preciso achar o que te motiva e atrelar a uma necessidade que seja esteja próxima das suas mãos. Não adianta você querer, por exemplo, resolver um problema de mobilidade urbana sem saber dirigir. Pense em coisas que consiga enxergar como necessidade, mas também se veja empreendendo com aquilo e solucionando o problema”. 

Analise a concorrência e defina o público
“Verifique se já tem muita gente fazendo a mesma coisa. Se já tem, é preciso ter um diferencial muito específico, que lhe torne especial. Mas saiba qual é o seu público. Antes de começar a operar, quem você quer atingir? Lógico que você vai acabar atingindo outras pessoas, mas defina a persona, o público padrão que vai ser atendido por aquela solução”.

Tire proveito do mundo tecnológico
“Use a transformação digital. É muito mais fácil criar amplitude e reverberar o seu projeto. Há redes sociais, ferramentas de marketing autodidatas e intuitivas. Existem versões gratuitas ou versões testes, que são livres durante um período de tempo. É possível potencializar e fazer a informação chegar mais rápida no seu público”.

Crie uma rede
“Quando você está em algo, mesmo que seja no início, já é um diferencial. A partir disso, se instrumentalize. É preciso buscar conhecimento, desenvolver uma rede de apoio e parcerias para criar uma estrutura mínima e começar a atender aquela demanda.”


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