Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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15.08.2025
Tempo de leitura: 8 minutos

6ª edição do Hack4Edu chega ao Brasil e desafia estudantes a inovar com IA

Hackathon internacional reúne estudantes e especialistas para criar soluções tecnológicas com impacto social e educacional, premiando ideias de destaque

Imagem ilustra matéria sobre evento com foco em inteligência artificial na educação

Imagine um encontro que une mentes criativas de diferentes países para transformar a educação e a sociedade por meio da tecnologia. Esse é o espírito do Hack4Edu, maratona hacker internacional de inovação que, desde 2020, já mobilizou mais de 1.200 participantes de 12 países e 30 universidades e instituições de ensino superior ibero-americanas.

O Hack4Edu está com inscrições abertas a partir de 14 de agosto e acontecerá de 27 a 31 de outubro de 2025. Trata-se de uma maratona hacker internacional que conecta participantes de diversos países para propor soluções tecnológicas capazes de transformar a educação com o apoio da inteligência artificial. Podem participar estudantes, professores, desenvolvedores e demais profissionais ou entusiastas da inovação educacional e hackers.

“Mais humanidade na inteligência artificial”. Essa síntese inspiradora veio do estudante Henrique Jost Vargas, participante da 4ª edição do Hack4Edu e aluno de Tecnologia da Informação no Instituto Federal Catarinense (IFC), em Balneário Camboriú (SC).

Convidado para o evento de lançamento da 6ª edição do Hack4Edu, realizado no último dia 14 de agosto, na Escola 42, em São Paulo, Henrique destacou: “A maior transformação foi entender como aplicar a ideia de maneira humana e propositiva. Compreendemos que não basta simplesmente implementar uma proposta e apresentá-la aos alunos; trata-se de um processo”, explicou Henrique.

Henrique Jost Vargas, estudante participante da edição de 2023; Rafael Luiz Charnesca Santos Pereira, estudante participante da edição de 2024; e Manuel José Ruiz García, Gerente de Analítica de Datos, Producto e Innovación ProFuturo
Henrique Jost Vargas, estudante participante da edição de 2023; Rafael Luiz Charnesca Santos Pereira, estudante participante da edição de 2024; e Manuel José Ruiz García, Gerente de Analítica de Datos, Producto e Innovación ProFuturo

Promovido pelo ProFuturo — programa de inovação educativa da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa” —, e a Universidade Pontifícia de Salamanca, da Espanha, em colaboração com a Rede de Cátedras Telefónica, o evento de lançamento reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e convidados para refletir sobre como IA e a educação podem caminhar juntas.

É a primeira vez que o Hack4Edu é lançado no Brasil e Manuel Ruiz García, gerente de Inovação da ProFuturo, na Espanha, crê que, nesta edição, as instituições de ensino brasileiras participarão em grande número. “A expectativa é sempre superar todos os recordes anteriores. Olhando para o tamanho do Brasil, acreditamos que neste ano ultrapassaremos o número de 50 universidades e instituições de ensino superior. No início do Hack4Edu, contávamos apenas com duas universidades brasileiras e hoje já temos 13 envolvidas,” disse.

 

“Alavanca de transformação”

Outro convidado para o lançamento do evento foi o professor André de Moraes, que leciona no IFC. Ele, seus colegas e alunos começaram a acompanhar o Hack4Edu desde a primeira edição, mas apenas como espectadores. “Isso aconteceu porque já tínhamos parceria com a Universidade de Salamanca, com intercâmbio de alunos entre as instituições e um diálogo estabelecido com grupos de pesquisa.” Já na segunda edição, equipes do IFC participaram ativamente e, desde então, seguem participando anualmente.

“Temos formado equipes para concorrer em diferentes modalidades, focando mais no aprendizado proporcionado pela dinâmica do evento do que na vitória. O principal desafio foi lidar com diferentes idiomas, interagir com participantes de outros países e constituir equipes diversas”, conta o professor.

André Fabiano de Moraes, professor no Instituto Federal Catarinense (IFC); e Charles da Luz, estudante participante da edição de 2022
André Fabiano de Moraes, professor no Instituto Federal Catarinense (IFC); e Charles da Luz, estudante participante da edição de 2022

Para a diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Lia Glaz, “o Hack4Edu traz uma experiência imersiva, que potencializa colaboração, cooperação, capacidade de adaptação e saber lidar com o diverso. Não só o diverso em termos de repertório das pessoas, mas de opiniões também”.

Glaz também destacou que as competências treinadas e aprimoradas de forma intensiva durante os três dias de hackathon “são essenciais para a vida profissional e acadêmica” dos jovens participantes. “A tecnologia e a inclusão digital podem ser alavancas de inclusão social e econômica por meio do fortalecimento da educação pública. É importante trazer esse caldeirão de competências para dentro das salas de aula, para os sistemas educativos. A tecnologia como uma alavanca de transformação e não para ser uma disciplina por si só”, completou Lia.

Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo
Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo
 

Trabalho em equipe

Outro objetivo do projeto, explica Manuel Ruiz García, é ajudar na criação de uma forte rede de contato entre universidades e estudantes de várias partes do mundo. Isso acontece porque as equipes precisam trabalhar com alunos e professores de outros locais e até de outros países, formando novas sinergias acadêmicas e até vínculos pessoais.

Essa troca vai além da resolução de problemas técnicos: para Karen Kanaan, cofundadora da Escola 42, a ação “é uma oportunidade não só de tratar de tecnologia aplicada a problemas reais da educação, o que em si já é algo super transformador, mas também de estar em um grupo trabalhando por um tempo determinado e de forma intensiva, potencializando outras competências”.

García acredita que o Hack4Edu contribui para encontrar soluções em diferentes segmentos do setor educacional, especialmente no ensino universitário e técnico, buscando resolver desafios da educação digital em contextos culturais diversos. “Esse tipo de atividade está alinhado à missão e à visão da Fundação Telefônica”, finalizou.

Manuel José Ruiz García, Gerente de Analítica de Datos, Producto e Innovación ProFuturo
Manuel José Ruiz García, Gerente de Analítica de Datos, Producto e Innovación ProFuturo

 

Caso real de IA aplicada à educação

A palestra final do evento foi feita por Thiago Rached, cofundador e CEO da Letrus, uma startup brasileira que desenvolve soluções de tecnologia educacional focadas no desenvolvimento da leitura e escrita. A plataforma utiliza inteligência artificial e possibilita acompanhamento pedagógico para professores e gestores. Após analisar os textos, o programa conduz a melhora do letramento dos estudantes por meio de orientações sobre conteúdo, estilo, lógica textual, normas gramaticais e outras técnicas.

“Não atribuímos nota, mas apontamos, de forma objetiva, as competências a serem trabalhadas, destacando os pontos mais críticos, os intermediários e aqueles em que o estudante está melhor”, diz Thiago. “O estudante pode escolher qual competência quer aprimorar na próxima atividade, personalizando a trilha de aprendizado e fazendo desse processo um caminho de desenvolvimento”.

Thiago Rached, cofundador e CEO da Letrus
Thiago Rached, cofundador e CEO da Letrus

No primeiro ano de implementação da Letrus como política pública no Espírito Santo (ES), o estado alcançou, pela primeira vez, o primeiro lugar do Brasil na redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Desde então, o ES se mantém na liderança. Goiás passou do 11º no ranking nacional para o 7º lugar no primeiro ano de implementação da Letrus. Mato Grosso, que era o 24º, subiu para o 19º lugar, também em um ano. Esses resultados conferiram à Letrus o reconhecimento como a melhor tecnologia educacional do mundo pela UNESCO, em 2023.

Premiação

Nesta edição há três categorias para inscrição das equipes: modalidades “inovadora”, “sênior” e “impacto social”. As modalidades “inovadora” e “impacto social” são abertas para quaisquer equipes interessadas. Já a modalidade “sênior” é voltada para equipes de estudantes que já desenvolvem alguma pesquisa ou trabalho científico relacionando IA e educação em suas universidades.

A cátedra Telefônica-ProFuturo, da Universidade Pontifícia de Salamanca, dará prêmios no valor de 1.500, 1.200 e 700 euros aos três melhores projetos das modalidades “inovadora” e “sênior”. Já na categoria “impacto social”, o melhor projeto que responda a um desafio educativo real e demonstre alto potencial de transformação — especialmente em contextos vulneráveis — ganhará um prêmio de 700 euros.

Será avaliado o seu potencial de transformação na comunidade educacional, seu enfoque inclusivo e equitativo, a sustentabilidade do projeto, a capacidade de escalabilidade e o uso ético e responsável da inteligência artificial.

Outra premiação importante para a área acadêmica é o custeio e ajuda técnica para a publicação de um artigo científico na editora Springer — prestigiada casa editorial de divulgação científica. Cada faculdade, universidade e instituição de ensino participante terá a oportunidade de publicar um artigo de pesquisa.

Os artigos serão centrados nos projetos desenvolvidos durante o Hack4Edu e serão reunidos em uma revista com as pesquisas de todas as instituições de ensino participantes. A apresentação oficial dessa publicação será realizada em 2026, na Universidade Pontifícia de Salamanca, na Espanha.
 
Serviço
Inscrições, regulamento e mais informações no site www.hack4edu.org.
Inscrições serão aceitas até 24 de outubro. 
Hack4Edu: de 27 a 31 de outubro, com eventos presenciais e on-line.


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