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20.07.2016
Tempo de leitura: 5 minutos

Novos modelos de financiamento abrem caminho para inovação social

Fundação Telefônica Vivo participa e traz novidades do Global Impact Investment Plenary 2016, em Lisboa

Fundação Telefônica Vivo participou e traz novidades do Global Impact Investment Plenary 2016, em Lisboa (PT), que discute novos modelos de financiamento social.

Promover discussões sobre as novas modalidades de investimento em negócios de impacto social, a partir da visão de seus principais atores, é a essência do Global Impact Investment Plenary. Nesta edição do encontro anual, realizada nos dias 7 e 8 de julho, em Lisboa (Portugal), a Fundação Telefônica Vivo teve a oportunidade de participar como integrante da Força Tarefa de Finanças Sociais do Brasil, ao lado de representantes do G7 (grupo internacional que reúne os sete países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo) e outras nações convidadas.

Segundo o gerente de projetos sociais, Luis Fernando Guggenberger, o convite para a sua participação é um importante reconhecimento ao papel exercido pela Fundação Telefônica no fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo social no Brasil. “Ao mesmo tempo em que a inovação social está nos desafiando a repensar o modelo de intervenção social, este campo das finanças sociais está discutindo novos modelos de financiamento para essas inovações sociais. Uma coisa não vive sem a outra”, destaca.

Enquanto a discussão comum do evento gira em torno da necessidade de mudar a mentalidade sobre o gerenciamento de recursos a partir das novas necessidades da sociedade, ele ressalta que as particularidades de cada país aparecem tanto no estágio em que se encontram no desenvolvimento de seus modelos de financiamento, quanto nas demandas e questões sociais. Entre os países europeus, uma preocupação muito latente é a questão dos refugiados. A Turquia, por exemplo, precisa lidar com um montante de 3,5 milhões de refugiados. “As finanças sociais, portanto, estão bastante voltadas para como podem ser utilizadas para resolver questões de empregabilidade desta população”, esclarece o gerente.

Conforme avalia, neste quesito, o Brasil está em um estágio avançado em relação a outros países. “A Força-Tarefa foi criada aqui há três anos, então já está em operação há mais tempo e pode apresentar resultados concretos”, reforça Luis, destacando que a participação brasileira é bem-vista no encontro. A própria existência do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que será realizado em 3 e 4 de agosto, demostra o quão relevante esse tema se tornou para a agenda brasileira.

O que são Finanças Sociais? Qual o papel da Força Tarefa de Finanças Sociais? Clique aqui para assistir ao vídeo “Força Tarefa de Finanças Sociais”.

Entre os desafios comuns, está o papel do governo frente às finanças sociais. “Vimos as autoridades portuguesas reforçando seu compromisso com todos os assuntos tratados no encontro, o que nos mostra a importância do governo em criar novas leis ou ao menos propor ajustes que permitam novas formas de financiamento”, diz o gerente. Como ele explica, a legislação de muitos países ainda não permite que as fundações empresariais ou familiares aportem capital em negócios lucrativos e tampouco que se tornem sócias desses negócios. A solução proposta é que, uma vez isso se torne possível, o capital que retornar às fundações como lucro seja reinvestido na própria atividade social.

Outra demanda crítica é a mudança de mentalidade das fundações no que tange ao tipo de investimento. “O que impera hoje é a tradicional doação para ONGs. Essa modalidade continua sendo necessária e relevante, porém existe uma oportunidade, gerada por todo o movimento de impacto social, no qual as fundações podem encontrar modelos escaláveis para solucionar os problemas sociais. É preciso experimentar a injeção de capital direto numa startup social para testar diferentes modelos e ver o que faz mais sentido para o país”, defende Luis Guggenberger. Ao apoiar este formato, que já acontece em países como Inglaterra, Estados Unidos e Austrália, o próprio governo pode se beneficiar, aumentando sua capacidade na resolução de problemas sociais com custos menores.

Levantou-se também a questão da mensuração do impacto social. Na medida em que se ampliam as possibilidades de investimento nesses negócios, é preciso melhorar a capacidade de medir esse impacto, como uma forma de diminuir o risco e ampliar o interesse. Neste ponto, na trilha do programa Pense Grande, a Fundação Telefônica desenvolveu uma estratégia sistêmica de investimento ao promover, simultaneamente, a formação de empreendedores, a incubação e o fortalecimento do ecossistema.

Além de influenciar a discussão sobre o tema em um nível mundial, estar no Global Impact Investment Plenary 2016 foi fundamental também para estender a participação a uma comitiva da Fundação Telefônica da Espanha. “Tendo em vista a sua conexão com o tema a partir do programa Think Big, vimos sentido em direcioná-los à criação de uma Força-Tarefa no país, que ainda está distante dessas discussões”, afirma Luis, que notou o forte interesse dos colegas em fazer avançar o ecossistema do empreendedorismo social espanhol, promovendo de forma pioneira a criação de mecanismos adequados à inovação social.

Luis Guggenberger (centro) é um dos membros da comitiva brasileira da Força-Tarefa de Finanças Sociais. À esquerda, Beto Scretas, também membro do movimento, e à direita Sebastian Welisiejko, da organização Portland Ventures e assessor do Sir Ronald Cohen.

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