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28.10.2021
Tempo de leitura: 5 minutos

Projeto de jovem do Rio de Janeiro leva água limpa para comunidades de todo país

Criada durante a faculdade, a inovação consiste em uma mochila que transforma água impura em água potável. Conheça a iniciativa do Kit Camelo!

Imagem mostra uma senhora em sua casa colocando água em um copo com o uso do Kit Camelo. Ela está acompanhada de um jovem do prejeto Água Camelo

 

Imagine fazer um trabalho na faculdade e esse projeto render resultados que vão além de uma nota para aprovação em uma disciplina? Pois foi isso que aconteceu com o jovem Rodrigo Belli, do Rio de Janeiro. Em 2018, quando ele cursava a graduação em Design de Produto na PUC-RIO, desenvolveu com outros estudantes o projeto Água Camelo. Ele consiste em uma inovação direcionada ao tratamento de água impura e a torna própria para consumo. E o projeto vem beneficiando pessoas que não têm acesso à água potável.

“A partir do estudo do crescimento da urbanização informal na cidade do Rio de Janeiro, percebemos a importância da problemática da água nas comunidades, e Brasil afora. Analisando a rotina da população que não tem acesso à água tratada em suas residências, identificamos quatro etapas necessárias para consumir uma água segura: captação, transporte, armazenagem e filtragem”, explica.

Com esse entendimento, os jovens desenvolveram o Kit Camelo. Ele é formado por uma mochila ergonômica, com capacidade para até 15 litros de água impura e um filtro portátil que elimina até 99,99% de bactérias, protozoários e partículas sólidas. Também conta com um manual de uso e um suporte de parede para o beneficiado pendurar a mochila em sua casa.

Segundo informações do estudo As Despesas da Família Brasileira com Água Tratada e Coleta de Esgoto, grande parte dos brasileiros não têm acesso a saneamento básico. E isso inclui acesso à água potável e à rede de coleta de esgoto.

“Água limpa é essencial para o desenvolvimento físico e social. Quando pensamos em um impacto em cadeia, projetamos que ao consumir água tratada reduzem as chances de se contrair doenças. Logo, maior será a disponibilidade para a pessoa estudar ou trabalhar. Com isso, é mais propícia a elevação da renda familiar, o que pode fazer uma comunidade inteira se desenvolver”, declara.

Água potável e mais dignidade

O jovem conta que o primeiro Kit Camelo foi entregue na comunidade do Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias (RJ), um ano e dez meses depois que a ideia foi concebida. Mas apesar de o projeto ter sido criado em grupo, com o término da disciplina os outros quatro alunos abandonaram o plano de seguir com a proposta. 

No início de 2019, Rodrigo conquistou o apoio do programa Shell Iniciativa Jovem. Reconhecido pela Unesco, estimula e capacita empreendedores para a criação de negócios sustentáveis e de impacto social. Em fevereiro de 2020, o projeto Água Camelo recebeu o selo de aceleração.

“Durante a pandemia, distribuímos mais de 600 kits em nove estados do país, impactando mais de 4.000 pessoas. Atuamos em centros urbanos, no semi-árido, assim como em casas de apoio aos povos indígenas do Amapá e norte do Pará”, detalha.

Para selecionar as famílias beneficiadas e fazer a entrega dos kits, o projeto conta com o apoio de instituições parceiras. São elas que facilitam o relacionamento da iniciativa com os agentes comunitários que já conhecem os moradores das comunidades e ajudam o projeto a ter o maior impacto possível.

“Dessa forma, buscamos impactar as famílias em situação mais vulnerável dentro de cada local onde atuamos”, afirma Rodrigo.

Leia mais: Inovação no empreendedorismo social é a chave para resolver problemas

Inovação que transforma realidades

Antes de se dedicar por completo ao projeto Água Camelo, Rodrigo era skatista. Ele competia na modalidade Downhill, em que o esportista desce ladeiras e aproveita toda sua extensão e largura fazendo manobras.

E apesar de não ter tido contato anterior com outros projetos sociais, ele conta que por meio do esporte pode conhecer as faces da injustiça social. 

“Mas foi só quando comecei a visitar as comunidades ainda na fase de estudos de concepção para o Água Camelo que entendi essa urgência. E nela um chamado para tomar alguma atitude a respeito dessa crise que a gente vive. A partir daí, tenho me dedicado 100% a democratizar o acesso à água tratada no país”, declara.

Quando faz a entrega dos kits, ele conhece todo tipo de história. E escuta muitas palavras de agradecimento ditas pelos beneficiados. Entretanto, é a gratidão envolvendo a fé das pessoas e o sorriso no rosto que elas dão depois do primeiro gole de água potável que mais chamam a atenção do jovem empreendedor.

“Eu nunca fiz nada sozinho. Em cada uma das etapas pude contar com pessoas muito especiais que, sem dúvidas, foram essenciais para estruturar o caminho que a gente vem percorrendo. Os meus sócios e cofundadores, Daniel Ilg e João Manuel Tui, são geniais. Estamos construindo uma história linda, na qual a nossa maior força motriz é dar a certeza para as pessoas que elas vão poder beber um copo de água limpa em suas casas”, comenta.

Para os jovens que também têm o desejo de realizar um projeto em benefício de quem mais precisa, Rodrigo deixa uma dica.

“Cada caminho é um e, certamente, vai ser uma experiência difícil, cheia de altos e baixos, mas extremamente preenchedora de um sentimento de estar desenvolvendo algo em prol de um mundo mais justo”, conclui.


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