Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artifical: Caminhos para a BNCC Computação"

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07.12.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Projeto premiado promove integração da tecnologia na Educação Básica

Vencedora do enlightED Awards 2021, a iniciativa de docentes de Santa Catarina oferece softwares livres para integrar a tecnologia na Educação Básica. Saiba mais!

Imagem mostra as três professoras e um professor que fazem parte da equipe responsável pelo projeto vencedor do prêmio enlighted. Eles estão lado a lado em um ambiente que parece ser um laboratório. É possível ver uma mesa e alguns objetos pedagógicos em cima dela.

De acordo com a definição da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), inovar na educação significa incorporar novos serviços, tecnologias, processos e competências, que levem à melhoria da aprendizagem, da equidade e da eficiência nas instituições de ensino. E em todo o mundo, existem milhares de iniciativas que têm como proposta o desenvolvimento de soluções inovadoras para o uso da tecnologia na educação.

Uma delas é o projeto brasileiro Integração de Tecnologia na Educação (InTecEdu), que foi reconhecido na edição de 2021 do enlightED Awards, na categoria “Formação corporativa, educação para toda a vida, upskilling e formação permanente formal e não formal”. O case foi desenvolvido por um grupo de docentes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e concorreu com propostas de diversos países.

O enlightED Awards é promovido desde 2020 pelo enlightED, uma das maiores conferências de educação, tecnologia e inovação do mundo.
A proposta da premiação é incentivar a inovação por meio do reconhecimento e do investimento de recursos em soluções educativas.

O objetivo do projeto é promover a inclusão digital através da integração da tecnologia na Educação Básica pública. Além disso, contribuir com a oferta de ambientes mais atrativos para o ensino e a aprendizagem, seja na Educação Básica ou na capacitação de docentes, de modo que as tecnologias digitais sejam integradas na prática pedagógica. Tudo isso a baixo custo ou com o uso de softwares livres e recursos educacionais abertos.

“Receber esse prêmio comprova e reconhece o esforço da equipe do RExLab, dos professores e alunos participantes das escolas parceiras e dos colaboradores em geral. A repercussão entre os alunos e professores que participam das ações foi sensacional e isso nos emocionou muito”, detalha Juarez Bento da Silva, coordenador pedagógico e técnico do projeto.

Pela promoção da tecnologia na educação

O projeto vencedor é uma das iniciativas do RExLab (Laboratório de Experimentação Remota) da UFSC. A ideia da criação desse espaço de estudo e pesquisa surgiu a partir de uma fala do professor João Bosco da Mota Alves – um dos coordenadores pedagógicos e técnicos do InTecEdu.

“Ele me disse: ‘precisamos contribuir para a promoção da inclusão digital. Quero formar um grupo para trabalhar com materiais de baixo custo, software livre, visando a educação pública. Trabalhar com grana é fácil, basta comprar. Porém, para trabalhar sem é necessário ser dedicado e criativo’. Resolvemos iniciar pelos laboratórios remotos para contribuir com a imensa carência laboratorial da Educação Básica”, recorda Juarez.

Em 1997, foi colocado no ar o projeto-piloto do RExLab. O grupo de desenvolvedores apostou no futuro da conectividade e, 14 anos depois, investiu em novos equipamentos e tecnologias para a construção dos laboratórios remotos do RExLab.

Em 2008, deram início ao InTecEdu com o projeto “Utilização da experimentação remota como suporte a ambientes de ensino-aprendizagem na rede pública de ensino”. Para isso, receberam apoio do Fundo Regional para a Inovação Digital na América Latina e Caribe (FRIDA).

“Construímos cinco laboratórios remotos para apoiar o ensino de Física. O piloto foi desenvolvido em turmas do Ensino Médio de escolas públicas. O projeto foi selecionado como um dos quatro mais inovadores na educação brasileira, pelo Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação Educativa (IDIE) da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI)”, detalha o professor.

Somente nos últimos dois anos, foram registrados no InTecEdu 25 mil usuários e mais de 98 mil acessos aos laboratórios remotos, a partir de 144 países. De acordo com Juarez, 12 novos laboratórios serão lançados ainda este ano, todos voltados à programação. Um deles foi projetado especialmente para as séries iniciais.

Tecnologia na educação começa pelos educadores

Com a tecnologia própria e aberta desenvolvida pelos docentes do RExLab, os laboratórios remotos podem ser acessados por alunos da Educação Básica para diversas atividades. Oficinas on-line e semipresenciais de programação, robótica e eletrônica são algumas das opções.

Entretanto, o grupo acredita que para integrar tecnologia nos planos de aula é preciso primeiramente capacitar os professores no uso pedagógico da tecnologia.

“Desde 2020, foram 52 cursos com a participação de cerca de 1800 professores. Oferecemos o Ambiente Virtual de Aprendizagem para que os professores disponibilizem materiais didáticos e atividades aos alunos. Estamos com 40 escolas, atendendo cerca de 15 mil alunos com os materiais que os docentes produzem”, detalha o professor.

Ele também conta que em algumas escolas as atividades promovidas pelo projeto evoluíram para um Clube de Ciências.

“Queremos motivar os alunos para as áreas científico-tecnológicas que têm carência de profissionais. Mas para isso temos que começar pelo docente, que precisa acreditar na iniciativa. É uma ideia de médio a longo prazo.”

Ainda que os resultados conquistados pelo InTecEdu sejam positivos e a iniciativa tenha a missão de contribuir com a integração da Tecnologia na Educação Básica por muitos anos, os responsáveis dependem da captação de recursos para a continuidade do projeto.

“Os maiores desafios estão relacionados à manutenção e sustentabilidade do grupo de pesquisas e, consequentemente, do projeto. Não foram poucas as vezes que tivemos que custear bolsas para alunos, manutenção predial, manutenção de equipamentos e compra de insumos”, declara o professor Juarez

Ao lado dos professores Juarez Bento e João Bosco, também são responsáveis pelo InTecEdu as docentes Simone Bilessimo (coordenadora pedagógica do RExLab), Letícia Machado (elaboração de materiais didáticos) e Ladislei Castro (contato com os alunos e docentes durante lives).

Por ter vencido em uma das categorias do enlightED Awards, a equipe foi premiada com 2.000 € e com uma bolsa de estudos completa, no valor de 1.950 €, para um dos Programas On-line de Alto Impacto ministrados pela IE University Exponential Learning.

“A professora Simone Bilessimo irá fazer o curso. Vamos utilizar o recurso em dinheiro para melhorar a infraestrutura do RExLab para suportar 13 novos laboratórios remotos que estamos concluindo. Precisamos comprar ativos de rede, fazer bancadas, fazer upgrade de memória em servidores etc. Não vai sobrar nadinha!”, conclui o professor Juarez.

Relembre como foi o enlightED 2021!
A 4ª edição do evento aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de outubro, de forma on-line e gratuita, destacando as oportunidades e os desafios para a educação diante da transformação digital com a presença de convidados especiais. Confira tudo o que rolou no evento!


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